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Economia

Eli Lilly processa empresas por venda ilegal de medicamento em pesquisa

Foto: JetCityImage/Getty Images

VITOR HUGO BATISTA
FOLHAPRESS

A empresa farmacêutica americana Eli Lilly, responsável pelo medicamento Mounjaro, entrou com processos judiciais contra seis companhias nos Estados Unidos por vender ilegalmente um medicamento chamado retatrutida. Essa substância ainda está em fase de estudo para tratar obesidade e diabetes tipo 2.

As ações legais são contra farmácias de manipulação, clínicas de estética, spas médicos e vendedores online que distribuem a retatrutida, alegando que o produto é apenas para pesquisa, mas na prática é vendido para uso humano.

Ao contrário de outras substâncias como semaglutida e tirzepatida, que atuam em um ou dois receptores hormonais, a retatrutida age em três receptores hormonais relacionados ao controle da fome, saciedade, produção de insulina e gasto de energia.

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Até o momento, nenhum órgão regulador aprovou a retatrutida como medicamento. A Eli Lilly pretende solicitar autorização para uso da substância perante a FDA, agência americana, no primeiro trimestre de 2027.

David Hyman, diretor médico da Eli Lilly, afirmou que a retatrutida está sendo cuidadosamente testada por meio de ensaios clínicos e ressaltou que o produto vendido ilegalmente não é seguro e não foi aprovado.

A empresa denunciou mais de 200 pessoas e organizações às autoridades americanas e notificou plataformas digitais sobre mais de 14 mil anúncios e sites que comercializam o produto ilegalmente em diversos países.

A Eli Lilly também chamou plataformas digitais, empresas de pagamento, transportadoras e autoridades para ajudarem a combater esse mercado ilegal.

O interesse pela retatrutida aumentou após estudos iniciais indicarem que ela pode causar uma perda de peso maior do que outros medicamentos já aprovados.

Dois estudos clínicos fase 3 feitos pela empresa em julho mostraram que adultos com obesidade grave e problemas cardiovasculares que usaram doses da substância perderam entre 21% e 23% do peso corporal em cerca de um ano e oito meses, enquanto o grupo que tomou placebo perdeu cerca de 3% do peso.

Outro estudo com pessoas com obesidade e diabetes tipo 2 mostrou perdas de peso médias entre 12,7% e 20,8% com diferentes doses de retatrutida, contrastando com 4% de redução no grupo placebo.

Apesar de ainda estar em fase experimental, casos de apreensão de medicamentos falsificados anunciados como retatrutida são frequentes na fronteira do Brasil com o Paraguai. Embalagens confiscadas indicam origem na Alemanha e Paraguai, porém a produção real não foi confirmada.

A Eli Lilly do Brasil comunicou que o uso da retatrutida é legal apenas para participantes dos estudos clínicos e alertou que o consumo fora desses testes é ilegal e perigoso, pois não há garantia de segurança, pureza ou dosagem correta.

A empresa reforça o trabalho conjunto com autoridades policiais e regulatórias para combater essa venda clandestina e proteger a saúde dos consumidores.

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