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É possível que vacinas para dengue tenham protegido população contra covid

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Pesquisa brasileira aponta correlação inversa entre casos de dengue e covid-19; movimento não é o mesmo em regiões com alta densidade demográfica

Mosquito da dengue (dimarik/Getty Images)

Lugares em que grande parte da população contraiu dengue no ano passado e no começo deste ano demoraram mais tempo para ter transmissão comunitária exponencial da Covid-19 e registraram números menores de casos e de mortes causadas pelo novo coronavírus, indicando uma possível interação imunológica entre os dois vírus, segundo estudo liderado pelo cientista brasileiro Miguel Nicolelis.

De acordo com Nicolelis, professor catedrático da Universidade Duke, na Carolina do Norte, que desde o início da pandemia se dedica a estudar o comportamento do coronavírus no Brasil, há, inclusive, a possibilidade de que vacinas aprovadas ou em desenvolvimento para a dengue possam provocar alguma forma de proteção contra o novo coronavírus.

“Essa descoberta surpreendente levanta a intrigante possibilidade de uma reação cruzada entre o vírus da dengue e o SARS-CoV-2. Se comprovada correta em futuros estudos, esta hipótese pode significar que a infecção pela dengue ou uma eventual imunização com uma vacina eficaz e segura para dengue poderia produzir algum tipo de proteção imunológica para SARS-CoV-2, antes de uma vacina para SARS-CoV-2 se tornar disponível”, diz o estudo, visto com exclusividade pela Reuters, que foi enviado a um repositório de pesquisas a serem publicadas em revistas científicas.

O pesquisador ressaltou, em entrevista exclusiva à Reuters, que já existem trabalhos mostrando que pessoas que têm sorologia positiva para dengue testam positivo para coronavírus sem ter coronavírus, sugerindo que essas pessoas produzem um anticorpo que age nas duas doenças.

“Isso indica que existe uma interação imunológica entre os dois vírus que ninguém poderia esperar, porque os dois vírus são de famílias completamente diferentes”, afirmou.

Comparação entre distribuição geográfica de casos de Covid-19 e sua incidência até 30 de junho de 2020 e de casos de dengue e incidência no Brasil até 31 de maio de 2020; e soma de todos os casos de dengue e incidência de 2019 até 31 de maio de 2020

Comparação entre distribuição geográfica de casos de Covid-19 e sua incidência até 30 de junho de 2020 e de casos de dengue e incidência no Brasil até 31 de maio de 2020; e soma de todos os casos de dengue e incidência de 2019 até 31 de maio de 2020. UFPB/via REUTERS (Reuters/Reuters)

O estudo aponta uma significativa correlação negativa entre incidência, mortalidade e taxa de crescimento da Covid-19 e o percentual da população com níveis de anticorpos IgM para dengue nos Estados do Brasil, país que tem o terceiro maior surto de Covid-19 no mundo, com mais de 4,5 milhões, e o segundo maior número de mortes causadas pela doença, com quase 137 mil.

A observação foi feita por Nicolelis e sua equipe ao elaborarem um estudo sobre a disseminação geográfica da Covid-19 no Brasil e o papel das rodovias como fator de distribuição de casos. O cientista percebeu vazios de casos no mapa em determinadas regiões do país sem explicação aparente, e partiu em busca de possíveis explicações.

A resposta, segundo Nicolelis, apareceu ao analisar a distribuição geográfica dos casos de dengue no Brasil em 2019 e 2020, que ocupavam exatamente os buracos no mapa de casos da Covid-19. As curvas de casos das duas doenças reforçaram a descoberta, uma vez que o surto de dengue entrou em declive acentuado no país no mesmo momento da disparada do novo coronavírus.

“Foi um choque, foi um acidente total. Em ciência isso acontece, você está atirando para um lado e acerta no alvo que você nunca imaginou que iria atirar”, disse o pesquisador sobre a descoberta.

“Fui olhar no Ministério da Saúde se tinha alguma explicação para essas coisas estranhas, se tinham outros indicadores de doenças que eu não estava percebendo, e de repente encontro o mapa de dengue de 2020 do Brasil. Eu peguei o mapa de casos de coronavírus e coloquei lado a lado com o mapa de dengue, e encontrei o que a gente chama de distribuição complementar: regiões com pouco coronavírus estão cheias de dengue.”

Estados como Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, que tiveram alta incidência de dengue no ano passado e no começo deste ano, levaram muito mais tempo para atingir um patamar de elevada transmissão comunitária de Covid-19 do que Estados como Amapá, Maranhão e Pará, por exemplo, que tiveram poucos registros de dengue no mesmo período, de acordo com o estudo.

Enquanto o Amapá levou cerca de 60 dias para chegar a 500 casos de Covid-19 por 100 mil habitantes, o Paraná levou mais de 120 dias. Em comparação, o Amapá tem incidência de 5,4 casos de dengue por 100 mil habitantes este ano, enquanto o Paraná tem a maior incidência do país, com 2.295,8 casos por 100 mil.

O estudo pondera, no entanto, que em regiões com alta densidade demográfica há uma prevalência da Covid-19 mesmo quando há uma alta incidência de dengue.

“Os nossos resultados epidemiológicos sugerem a hipótese, que ainda precisa ser testada amplamente, que o SARS-CoV-2 compete com o vírus da dengue pelas mesmas pessoas, pelo mesmo pool de suscetíveis. Como o SARS-CoV-2 é transmitido homem-homem, ele teria uma grande vantagem para ganhar esta competição, em relação à dengue, que depende de um mosquito”, disse Nicolelis, lembrando que a pesquisa se trata de um estudo epidemiológico, sem ter sido realizado qualquer estudo sorológico.

A pesquisa aponta dados do Ministério da Saúde que mostram que os casos de dengue no Brasil, que começaram o ano em um ritmo muito mais acelerado do que em 2019, tiveram uma queda brusca a partir da semana epidemiológica de número 11 (encerrada em 13 de março), no mesmo momento em que houve uma aceleração dos casos de Covid-19. Mais do que isso, o surto de dengue se encerrou no país semanas antes do que no ano anterior, enquanto a Covid-19 avançava.

“Ainda de acordo com a nossa hipótese, à medida que o coronavírus se espalhou mais rapidamente e infectou mais gente, sobrariam menos pessoas para serem contaminadas pelo vírus da dengue, e isso poderia explicar a queda repentina da curva de dengue este ano que ocorreu em todo o mundo”, disse, minimizando a posição oficial das autoridades de saúde que apontam para possível subnotificação de dengue devido à pandemia.

Para validar a observação feita no Brasil, Nicolelis expandiu a análise da correlação entre dengue e coronavírus para outros 15 países da América Latina, África e Ásia, e o comportamento se repetiu, segundo ele.

Como exemplo, o pesquisador cita cidades a mais de 2.000 metros de altitude –onde não há dengue, uma vez que o mosquito transmissor não atinge esta altitude– como locais com grande incidência de casos de Covid-19.

“Quando a incidência de Covid-19 versus a incidência de dengue em 2019-2020 foi plotada para esses países, nós novamente obtivemos uma significativa correlação inversa exponencial. Em outras palavras, quanto mais casos de dengue um país teve durante a epidemia mundial de dengue em 2019 e nos primeiros meses de 2020, menos casos de Covid-19 o país registrou até julho de 2020. Basicamente, isso foi muito similar aos resultado obtidos usando dados para os Estados brasileiros”, afirma o estudo.

Como outra forma de controle do estudo, a equipe de Nicolelis também comparou as estatísticas de Covid-19 com os dados de chikungunya –doença também transmitida pelo mosquito Aedes aegypty– no Brasil, e não houve qualquer correlação, segundo ele.

Uma vez que ainda não há tratamento ou vacina disponíveis para Covid-19, Nicolelis defende que seu estudo pode abrir as portas para uma possível forma de combater a pandemia.

“Evidentemente que este é um estudo preliminar do ponto de vista do que fazer, mas ele abre uma porta que pode ser rapidamente explorada, e se ela for verdadeira, você pode ter um grau de proteção para coronavírus se você teve dengue ou se você é imunizado para dengue. Eu não sei dizer qual é a porcentagem, mas ela é suficiente para aparecer nesses gráficos. Alguma coisa existe”, afirmou.

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Saúde

Vacinação contra sarampo é prorrogada e vai até 27 de novembro

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Cerca de 7% das pessoas entre 20 e 49 anos, público-alvo da campanha, imunizada contra a doença

A campanha inclui adultos, que também podem se vacinar – (crédito: YASIN AKGUL / AFP)

Em razão do surto de sarampo que ocorre no país, a Secretaria de Saúde prorrogou a campanha de vacinação contra a doença até 27 de novembro. A orientação é que os adultos que têm entre 20 e 49 anos procurem as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para receber a dose extra da tríplice viral. Até 26 de outubro, apenas 7,7% desse grupo foi imunizado.

Dos cinco casos de sarampo notificados na capital federal neste ano, quatro pertenciam a essa faixa etária. Por isso, esse grupo é o público-alvo da campanha. Só está dispensado da imunização quem já recebeu o reforço em 2020.

A dose extra é aplicada em todos os postos de saúde, independente da situação vacinal. Com isso, mesmo quem já tem imunizações registradas na caderneta pode receber a vacina. A orientação para as pessoas de 1 a 29 anos, é que tenham, pelo menos, duas doses registradas; as de 30 a 59 anos devem ter tomado a vacina pelo menos uma vez.

Entre os sintomas do sarampo estão febre, tosse, coriza, olhos avermelhados e o surgimento de manchas vermelhas pelo corpo. O quadro pode evoluir para pneumonia e infecção de ouvido. Em crianças, pode levar à morte. A doença é perigosa devido à facilidade de transmissão. A estimativa do Ministério da Saúde é que 1 infectado transmita o sarampo para outras 18 pessoas, inclusive pelo ar.

Por causa da transferência do ponto facultativo nesta sexta-feira (30/11) e do feriado de Finados na segunda (2/11), o atendimento nos postos de saúde será interrompido e volta na terça (3/11). A vacinação é a estratégia de saúde para barrar as transmissões e a circulação do vírus causador do sarampo.

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Vacina: Anvisa estuda retomada e testes da Johnson & Johnson podem voltar no DF

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Caso a Anvisa decida voltar com os ensaios clínicos da vacina Ad26.COV2.S, os cidadãos do DF poderão participar dos testes

Os testes no DF seriam abertos ao público a partir de 18 anos – (crédito: Chaideer Mahyuddin/AFP)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu novas informações da vacina Ad26.COV2.S, contra a covid-19, desenvolvida pela Johnson & Johnson, e analisa a possibilidade de voltar com os testes da imunização no Brasil e, consequentemente, no Distrito Federal.

A Anvisa interrompeu os estudos da vacina em 13 de outubro, após a farmacêutica anunciar a paralisação das testagens devido a uma reação adversa grave ocorrida em um voluntário no exterior.

Testes no DF

As vacinas estavam previstas para chegar na capital neste mês para dar início aos ensaios clínicos da fase 3, uma das últimas etapas para verificação de segurança e eficácia de uma imunização. Ao todo, 800 moradores da região central do DF e do Entorno participariam dos testes como voluntários, recebendo uma dose do produto e sendo avaliados pela equipe do L2iP Instituto de Pesquisas Clínicas.

Além disso, nas testagens da Ad26.COV2.S qualquer pessoa acima de 18 anos poderia fazer a inscrição inicial do processo, diferente dos estudos que já estão em andamento no Hospital Universitário de Brasília (HUB) e recebem apenas profissionais de saúde.

Inovação

De acordo com o Instituto de Pesquisa L2iP, a tecnologia utilizada na vacina da Johnson & Johnson é bastante inovadora e promissora. Nesse tipo de metodologia, os médicos aplicam o conceito de vetor recombinante, em que se utiliza outro vírus, neste caso o adenovírus tipo 26, e se faz uma alteração na estrutura para codificar a proteína S do vírus Sars-CoV-2, do coronavírus.

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Estudo diz que ventilação é crucial para conter covid em eventos

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Servidores que atuam no combate à pandemia terão adicional de insalubridade

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Nova lei estabelece critérios para o adicional de insalubridade aos servidores públicos do DF que atuem diretamente no combate à pandemia. Norma foi publicada no DODF desta terça-feira

(crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press).

Agentes públicos do Distrito Federal que atuam diretamente na prevenção e no combate de pandemias, assim como os que atuam nos serviços essenciais durante o período da crise sanitária, passam a se enquadrar no grau máximo de insalubridade. A mudança foi regida pela Lei Complementar nº 974 publicada no Diário Oficial do DF desta terça-feira (27/10).

O projeto é de autoria da deputada distrital Arlete Sampaio (PT) e foi promulgado pelo presidente da Câmara Legislativa do DF, Rafael Prudente (MDB).

Segundo o texto, para os agentes públicos que atuem diretamente na prevenção e no combate de pandemias declaradas pelo poder público se aplicará o grau máximo de insalubridade, assim como para os agentes públicos que atuem em serviços essenciais pelo tempo que perdurar a pandemia.

Também aplica-se o grau máximo de insalubridade aos servidores da carreira de Auditoria de Atividades Urbanas, de Atividades de Defesa do Consumidor do Instituto de Defesa do Consumidor do DF (Procon) e de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF) que atuem em serviços essenciais enquanto durar o estado de calamidade pública.

Servidores da saúde que atuam diretamente na prevenção e no combate de epidemias e doenças contagiosas, durante período de emergência em saúde pública também se enquadram nas novas regras.

Insalubridade

O adicional de insalubridade é um direito de trabalhadores que são trabalham expostos a agentes que podem ser nocivos à saúde. Estes recebem um percentual do salário de acordo com o grau de insalubridade estabelecido por lei. Segundo a Consolidação das Leis do Trabalho, há três graus: mínimo, médio e máximo.

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Resposta para tratamento da covid-19 pode estar em recuperados

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Terapia com foco nas células T pode ajudar pacientes com imunidade baixa na luta contra o novo coronavírus

Coronavírus: (Getty Images/Getty Images)

As células T de pessoas recuperadas do novo coronavírus podem servir como um tratamento potente para a doença. Um novo estudo publicado nesta segunda-feira, 26, aponta que os linfócitos reativos que ajudam o organismo na defesa de infecções encontrado em pessoas que já se curaram da covid-19 pode ajudar pacientes imunocomprometidos a criar uma resposta imune antes de uma exposição ao vírus, o que os protegeria de quadros mais sérios da infecção.

Essas células foram encontradas principalmente em doadores de sangue que tiveram casos confirmados do SARS-CoV-2 e que os linfócios diretos se adaptaram para atacar partes específicas das proteínas virais. A descoberta de que as células T estão atacando com sucesso uma membrana da proteína do vírus pode ajudar também os desenvolvedores de vacinas a pensarem em formas diferentes de fazer uma imunização para o vírus.

“Descobrimos que muitas pessoas que se recuperaram da covid-19 têm a célula T que reconhecem e atacam as proteínas virais da doença, o que dá a elas imunidade porque essas células estão treinadas para lutar”, explica Michael Keller, um dos autores do estudo e pediatra no Children’s National Hospital, nos Estados Unidos.

O próximo passo dos pesquisadores é conseguir uma aprovação do Food and Drug Administration (órgão americano análogo a Anvisa) para realizar a primeira fase de testes de células T específicas da covid-19 para induzir e melhorar a resposta imune de indivíduos vulneráveis.

“Isso sugere que adotar a imunoterapia usando células T convalescentes para atacar regiões do vírus pode ser um jeito eficaz de proteger pessoas vulneráveis, em especial aquelas que têm o sistema imunológico comprometido por tratamentos contra o câncer ou que fizeram transplantes recentemente”, continua Keller.

 

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Covid-19: governo reconhece calamidade pública na Bahia e no Ceará

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Medida facilita acesso a recursos da União

Covid-19: Fiocruz amplia capacidade nacional de testagem

O governo federal reconheceu o estado de calamidade pública na Bahia e no Ceará em razão da pandemia da covid-19. A portaria da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil foi publicada hoje (26) no Diário Oficial da União.

O reconhecimento de situação de emergência ou estado de calamidade pública pelo governo federal reduz a burocracia e facilita, a estados e municípios, o acesso aos recursos da União para ações de socorro.

Balanço divulgado neste domingo (25) pela Secretaria de Saúde da Bahia mostra que o estado registrou 691 novos casos da covid-19, nas últimas 24 horas. No total, o estado acumula 344.705 casos, desde o início da pandemia. O boletim traz ainda o registro de 22 novas mortes, totalizando 7.475 óbitos no estado.

No Ceará, o boletim do Ministério da Saúde, divulgado ontem (25), aponta 872 novos casos e dois óbitos registrados nas últimas 24 horas no estado. O estado acumula 270.264 casos, e as mortes já chegam a 9.248.

Agencia Brasil

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sábado, 31 de outubro de 2020

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