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Economia

dólar sobe para r$ 5,22 em dia ruim para moedas emergentes; bolsa registra pior sequência em 3 anos

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Em São Paulo, nesta terça-feira, o dólar fechou em alta frente ao real, atingindo R$ 5,22, acompanhando a valorização da moeda americana no exterior. O aumento ocorreu em meio a um cenário global de maior aversão ao risco, impulsionado pelo preço do petróleo Brent acima de US$ 90 por barril devido às tensões no Oriente Médio.

O dólar à vista atingiu sua máxima no dia em R$ 5,22, com alta de 0,39%. No mês de agosto, a moeda acumulou ganhos de 2,98%, apesar de ter perdido 4,87% no ano. Eduardo Velho, economista-chefe da Bravonte Capital, explicou que, embora haja saída de recursos da bolsa brasileira, o fluxo cambial não indica uma crise, mas o risco eleitoral mantém o dólar pressionado para continuar acima de R$ 5,16.

O preço do petróleo subiu devido às tensões no Oriente Médio e incertezas sobre a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não há negociações em curso com o Irã e indicou presença americana na região. O barril Brent para outubro subiu 0,17%, chegando a US$ 91,02.

Apesar do aumento no preço do petróleo, o real não se valorizou, reflexo da cautela dos investidores quanto ao cenário externo e a proximidade das eleições presidenciais. José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos, apontou que o nível de R$ 5,30 representa resistência técnica para o dólar.

O mercado aguarda a divulgação da ata da reunião de política monetária do Federal Reserve em julho, que pode mostrar desacordo interno sobre novos aumentos nos juros nos EUA. Chris Turner, estrategista do banco ING, destacou que a alta dos preços de energia pode fortalecer o dólar, pela independência energética dos EUA e expectativas de juros maiores.

Bolsa

O Ibovespa ampliou sua sequência de quedas em agosto, completando 11 quedas consecutivas, a maior série negativa em três anos. O índice fechou em baixa de 0,27%, aos 166.334 pontos. A cautela dos investidores está relacionada às dúvidas sobre o cenário eleitoral e a situação internacional.

Na Bolsa, as ações da Petrobras tiveram um desempenho misto, com leves ganhos nos papéis preferenciais e ordinários, mas o setor bancário pressionou o índice com resultados negativos, especialmente Itaú e Bradesco. Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, comentou que o mercado ainda está incerto.

Os preços do petróleo permanecem elevados devido às disputas no Oriente Médio, mas o conflito também reduz o apetite por investimentos de maior risco, especialmente de estrangeiros, que continuam retirando recursos da bolsa brasileira. Marcos Bassani, especialista em investimentos, ressaltou que os investidores buscam mercados com melhores oportunidades.

Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos, afirmou que a política local influencia o mercado, tornando o ambiente mais cauteloso.

Taxas de juros

As taxas futuras de juros no mercado brasileiro mantiveram-se estáveis na terça-feira, com leve queda nas taxas de curto prazo. A movimentação refletiu o fechamento da curva dos títulos públicos americanos após alta recente, mas as taxas maiores continuam firmes devido a preocupações fiscais e eleitorais.

A curva de juros se encontra inclinada, pressionada pelo cenário político e incertezas fiscais, conforme análise de Eduardo Cohn, gestor da Heritage Capital. Enquanto isso, o ambiente internacional, incluindo a elevação dos rendimentos dos títulos de 30 anos nos EUA e Europa, contribui para a volatilidade.

O leilão de títulos atrelados à inflação da série NTN-B registrou volume financeiro de R$ 5,2 bilhões, o maior desde maio, evidenciando movimentação aumentada no mercado. Luis Felipe Vital, estrategista da Warren Investimentos, destacou essa expansão do certame.

Os economistas observam que, apesar do ambiente internacional desafiador, o mercado brasileiro tem expectativa majoritária de corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Copom, dependendo dos dados econômicos futuros.

Por fim, destaca-se que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, acelerou a análise da PEC que termina com a escala 6X1, um movimento acompanhado com atenção pelo mercado, devido a possíveis impactos inflacionários.

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