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Economia

Dólar sobe mais de 1% após frustração sobre megaleilão do pré-sal

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Às 11:30, o dólar avançava 1,62%, a 4,0580 reais na venda; Ibovespa caía 1,01 por cento, a 107.622,97

Câmbio: dólar reverteu seu curso e avançava mais de 1% em relação ao real nesta quarta-feira (Rick Wilking/Reuters)

São Paulo — O dólar reverteu seu curso e avançava mais de 1% em relação ao real nesta quarta-feira, devido à frustração dos investidores com a participação de empresas estrangeiras no megaleilão da cessão onerosa.

O consórcio Petrobras/CNODC/CNOOC arrematou nesta quarta-feira o bloco de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, durante a Rodada de Licitações do Excedente da Cessão Onerosa. Não houve outra oferta pelo bloco, no qual a Petrobras será operadora com 90% de participação, em um desdobramento decepcionante para o megaleilão do pré-sal.

Além disso, apenas Petrobras fez oferta pelo bloco Itapu.

O resultado confirmou os temores de que as empresas estrangeiras não seriam tão agressivas nos lances para a cessão onerosa, diminuindo a expectativa de entrada de fluxo no mercado.

“Há frustração em relação ao leilão, com a Petrobras levando 90% do consórcio de Búzios”, disse Flavio Serrano, economista sênior do banco Haitong. “Havia expectativa de maior participação de empresas estrangeiras.”

Segundo Serrano, a dinâmica da moeda norte-americana vai depender do andamento do leilão.

Ibovespa

O Ibovespa abandonou os ganhos e recuava nesta quarta-feira, acompanhando a piora da Petrobras, em meio aos primeiros resultados do megaleilão de áreas para exploração de petróleo e gás, sugerindo apetite reduzido de investidores internacionais.

Às 11:33, o Ibovespa caía 1,01 por cento, a 107.622,97 pontos, após, mais cedo, renovar recorde intradia a 109.633,14 pontos. O volume financeiro no pregão somava 5,94 bilhões de reais.

As ações da Petrobras, que chegaram a liderar as altas do Ibovespa, passaram para a se destacar na ponta negativa do índice, com os papéis ordinários cedendo 2,33% e as preferenciais caindo 2,2%. Nas máximas, mais cedo, Petrobras PN subiu 3,5% e Petrobras ON avançou 3,4%.

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Economia

Otimismo do mercado faz dólar fechar abaixo de R$ 5 após mais de 2 meses

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Apesar de a pandemia da covid-19 ainda não dar trégua no país, e da forte recessão na economia, investidores se animam com sinais positivos no exterior, como a surpreendente criação de empregos nos Estados Unidos em maio. Bolsa tem sexto dia de alta

Dólar: moeda caminha para fechar em queda pela terceira semana consecutiva (halduns/Getty Images)

Com indicadores otimistas no exterior e boas expectativas do mercado quanto à retomada da atividade econômica após a pandemia do novo coronavírus, o dólar fechou, ontem, abaixo de R$ 5, pela primeira vez nos últimos dois meses. A moeda americana terminou o dia cotada a R$ 4,99, queda de 2,73% em relação à sessão anterior. Também refletindo o bom humor dos investidores. a Bolsa de Valores de São Paulo ( B3), fechou com ganho de 0,86%, aos 94.637,06 pontos.

A última vez em que o dólar foi negociado abaixo de R$ 5 foi em 26 de março, também a R$ 4,99. Em 13 de março, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a pandemia de covid-19, a moeda era negociada a R$ 4,81. Em maio, a divisa chegou a ser negociada a R$ 5,97, situação que levou o Banco Central a fazer diversas interferências no mercado cambial para segurar a alta.

A situação começa a mudar agora, com a recuperação gradual em países que já atingiram a pior fase do contágio da população pelo novo coronavírus. Mas a criação de 2,5 milhões de vagas de trabalho nos Estados Unidos em maio, no meio da pandemia, surpreendeu o mercado e gerou um clima de otimismo geral. Dados divulgados ontem pelo Departamento de Trabalho dos EUA mostram que a taxa de desemprego no país caiu de 14,7% para 13,3%, contrariando a expectativa de fechamento de mais 8 milhões de postos. Pelas projeções do mercado, o índice chegaria a 19,7%.

Embora ainda não seja possível avaliar a reabertura econômica no Brasil, que apresenta números crescentes de casos de covid-19, economistas apostam que o movimento será positivo. “A expectativa é de melhora, mas a situação aqui é mais problemática do que em outros países, porque estamos começando a abrir a economia com curva ainda alta de novos casos, em ascensão e batendo recordes”, ressaltou o economista-chefe do ModalMais, Álvaro Bandeira. Os dados de conjuntura ainda são “fracos”, observa, mas “já sinalizam que estamos atravessando o fundo do poço”.

A abertura do comércio no exterior tem sido bem sucedida, sem relatos de uma segunda onda de contágio nos países, o que cria uma conotação positiva. Os sinais econômicos internos também geram algum otimismo. Nos últimos dias, o Ministério da Economia prometeu estender por mais dois meses o pagamento do auxílio emergencial, e o Banco Central comprometeu-se a criar novas medidas para socorrer empresas. Além disso, segundo Bandeira, “a situação política tem gerado muita incerteza, mas, nesta semana, deu uma trégua”.

Investidores estrangeiros começam a voltar ao mercado de ações brasileiro, apesar das crises políticas criadas pelo presidente Jair Bolsonaro. Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset, avalia que “o Brasil entrou na moda”, com a retomada de captações externas pelo Tesouro. “O risco- país está em queda. A expectativa de retomada da atividade, com o alívio da quarentena, está arrefecendo o medo de uma segunda onda de covid-19”, acredita. O risco-país, que estava em 225 pontos na quinta-feira, caiu aos 202 pontos no final da tarde de ontem, de acordo com os Credit Default Swap (CDS), contratos financeiros de proteção contra riscos, que servem de medida sobre o índice.

O conjunto de fatores melhora as expectativas do mercado financeiro, que, nas últimas semanas, previa que o dólar ficaria acima de R$ 6 em alguns dias. A moeda em cotação mais baixa dá fôlego às empresas endividadas no exterior, que precisam arcar com juros em dólar. O Ibovespa teve a sexta alta seguida ontem, o que não acontecia desde outubro de 2019. Fechou em 94.637 pontos, depois de bater em 97.355 na máxima do dia.

 

 

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Economia

Paraná tem pior seca dos últimos 30 anos

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Estado é o segundo maior produtos de graõs e estiagem terá impacto sobre safras de feijão e milho

Estado é o segundo maior produtos de graõs e estiagem terá impacto sobre safras de feijão e milho

Um estudo feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, mostra que o estado enfrenta a pior seca dos últimos 30 anos. E a previsão é de que as safras de feijão e de milho sejam as mais afetadas pela estiagem histórica.

O estado é o segundo maior produtor de grãos do Brasil e um dos maiores produtores de feijão do país. De acordo com o Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses, o Paraná tem perto de 30% da produção nacional do tipo carioca e 73% do feijão preto.

O estudo analisou o volume de chuvas dos primeiros meses do ano, comparando com a média histórica. Os dados foram coletados do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O relatório mostra que a seca vem desde junho de 2019 mas se intensificou nos meses de março, abril e maio deste ano. Na região sul do estado, onde se concentra o cultivo de feijão, em abril, por exemplo, choveu 47 milímetros, enquanto a média é de 146.

Segundo a pesquisa do Departamento de Economia Rural, a estiagem fez a produtividade cair aproximadamente 39%. A produção da segunda safra de feijão, que era estimada em 438 mil toneladas, está em 270 mil.

Além disso, a qualidade do grão também ficou prejudicada. O relatório mostra que apenas 17% das lavouras estão em boas condições. Outros 59% estão em condições médias e 32% ruins.

Salatiel Turra, chefe do Deral, explica que se a seca continuar, a situação é de alerta mas neste momento tem um impacto menor porque 80% da safra já foi colhida. “A nossa preocupação é com o milho que ainda está em uma fase de desenvolvimento e apenas 2% foi colhido”, diz.

Segundo Turra, 80% da safra de milho no Paraná está em situação mais crítica. A estimativa é de que as perdas cheguem a 1,6 milhão de toneladas, o que corresponde a quase 15% da produção. Isso significa um prejuízo de cerca de 1 bilhão de reais para os produtores de milho do estado.

Governo decreta emergência hídrica

Por causa da estiagem, o governo do estado decretou, no começo de maio, emergência hídrica por 180 dias. Além de impactar o campo, a falta de chuvas também afeta o abastecimento de água da Região Metropolitana de Curitiba, onde vivem 3,2 milhões de pessoas.

Em algumas regiões da capital paranaense, as restrições de consumo chegam a ser de 36 horas, duas vezes por semana.

Desde março, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) implantou um sistema de rodízio de água. Das quatro barragens que abastecem a região de Curitiba, a do Iraí é que está em situação mais crítica, com 13,72% de capacidade. O sistema todo tem 38,35% de volume.

Situação não deve melhorar

Para Pedro Fontão, professor da Universidade Federal do Paraná e um dos coordenadores do Laboratório de Climatologia, a situação não deve melhorar logo.

“O cenário de previsão para os próximos meses não é tão animador, e a curto e médio prazo, não existe uma perspectiva otimista e concreta para a ocorrência de chuvas mais volumosas, que resolveriam a situação dos reservatórios e da agricultura,” diz.

Ele ainda alerta que a pouca chuva também pode se estender até 2021. “Um fator preocupante é a possibilidade de ocorrência do fenômeno La Niña, que poderia afetar as chuvas, negativamente, no sul do Brasil, para o final deste ano e início do próximo”, afirma.

Veja as fotos da estiagem no estado

 

A represa do Iraí está com menos de 14% da capacidade.

 

 

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Economia

Medidas de dupla Lagarde-Merkel unem Europa em era de estímulos

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A primeira-ministra alemã e a presidente do Banco Central Europeu, ambas experientes em turbulências, tomam a linha de frente no estímulo à retomada

Angela Merkel recebe Christine Lagarde em Berlim em outubro de 2018 (Hannibal Hanschke/Reuters)

Titãs de política monetária e fiscal da Europa finalmente começam a caminhar juntos. A onda de estímulos do governo da Alemanha fortalece as medidas de afrouxamento do banco central, sinalizando uma nova era de coordenação de políticas na região.

Essas medidas para impulsionar a economia em meio à crise do coronavírus, anunciadas com breve intervalo em Berlim e Frankfurt, seguiram a criação de um fundo de recuperação europeu em Bruxelas, apoiado por empréstimos conjuntos.

Cenário do BCE para contração econômica no segundo trimestre na zona do euro: azul (leve), vermelho (base) e roxo (severa)

Cenário do BCE para contração econômica no segundo trimestre na zona do euro: azul (leve), vermelho (base) e roxo (severa) (Gráfico/Bloomberg)

A Alemanha precisava agir “com coragem e decisão”, disse a chanceler Angela Merkel à emissora alemã ARD em entrevista na quinta-feira, quando defendeu o pacote de gastos sem precedentes do governo. “Felizmente, nos bons tempos, agimos de uma maneira que nos permite fazer isso agora.”

Isoladamente, as iniciativas já são significativas, mas, combinadas, são uma demonstração de força. Também sugerem que a Europa, que há muito tenta encontrar um campo comum sobre política econômica, está mais do que nunca exibindo um senso de objetivo coletivo.

A mudança na formulação de políticas no nível europeu tem sido tremendamente significativa”, disse Neville Hill, economista-chefe europeu do Credit Suisse, em Londres. “Não somente é capaz de permitir que a economia da zona do euro se recupere bem da crise de curto prazo, mas aumenta a perspectiva de um quadro político melhor e mais equilibrado na União Europeia quando estiver recuperada.”

No centro dessa mudança estão duas mulheres com experiência em turbulências anteriores no mercado financeiro. A chanceler da Alemanha coordenou dois dias de negociações tensas para conseguir um estímulo de 130 bilhões de euros (US$ 147 bilhões), depois de conduzir o governo a compartilhar seu poder fiscal para apoiar a nova ferramenta de empréstimos da UE.

Enquanto isso, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, ex-ministra das Finanças da França e ex-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, manteve a instituição na vanguarda de combate a crises. E disse claramente aos governos que não pode fazer o trabalho sozinha.

O BCE ampliou as compras de títulos em 600 bilhões de euros na quinta-feira e ainda pode aumentar o valor no futuro.

“O BCE está agindo de forma mais enérgica do que nunca, e o governo alemão também”, disse Nick Kounis, economista do ABN Amro, em Amsterdã. “A resposta política foi muito mais rápida, coordenada e focada em comparação com a crise financeira global.”

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Dólar cai 6,6% na semana e fecha abaixo dos R$ 5 pela 1ª vez desde março

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Estados Unidos registra redução do desemprego e endossa expectativa de recuperação econômica

Dólar: moeda caminha para fechar em queda pela terceira semana consecutiva (halduns/Getty Images)

O dólar voltou a fechar em forte queda, após os Estados Unidos, surpreendentemente, registrarem queda do desemprego no mês de maio. O resultado foi considerado um dos melhores da história, dada as circunstâncias. Com isso, a moeda americana rompeu a barreira dos 5 reais e fechou abaixo desse patamar pela primeira vez desde 26 de março. Nesta sexta-feira, 5, o dólar comercial caiu 2,8% e encerrou sendo vendido a 4,988 reais. Na semana, a desvalorização foi de 6,6%. O dólar turismo recuou 3%, cotado a 5,24 reais.

Nesta manhã, o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos divulgou o payroll de maio, que apontaram crescimento do mercado de trabalho, pegando o mercado de surpresa. Enquanto se esperava a perda de até 8 milhões de postos, foram criados 2,5 milhões, reduzindo a taxa de desemprego de 14,7% para 13,3%. Pelas projeções do mercado, o desemprego saltaria para 19,7%.

“Foi o melhor payroll da história. Absolutamente todo mundo errou [as projeções]. Todos os analistas erraram muito”, afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. Segundo ele, isso foi possível graças a dinâmica do mercado de trabalho americano. “Lá eles destroem e criam empregos em uma velocidade muito forte.”

“Os números vieram extremamente melhores. A expectativa era de uma queda severa do mercado de trabalho. A diferença foi de 10 milhões de empregos. O mercado está animado numa força que não se via há tempos”, afirma Pablo Spyer, diretor da Mirae. “O real é a moeda com a maior volatilidade implícita do mundo. Então é natural esses solavancos mais fortes”, explica.

No mundo, os investidores também repercutiram os pacotes de estímulos de bancos centrais e governos. Na véspera, o Banco Central Europeu (BCE) expandiu seu programa de compra de títulos de 750 bilhões de euros para 1,35 trilhão de euros. O mercado também espera novos incentivos por parte dos Estados Unidos.

De acordo com a agência Bloomberg, membros da equipe do presidente Donald Trump esperam que o governo gaste mais de 1 trilhão de dólares para atenuar os impactos econômicos do coronavírus. Mas, ainda segundo a agência, o estímulo governamental deve ser feito somente a partir do próximo mês.

A agenda externa, portanto, é o que explica o otimismo no mercado de câmbio. “No Brasil, a situação ainda é bem complicada, com números crescentes de mortos pelo novo coronavírus”, lembra Cristiane Quartaroli, economista do banco Ourinvest. “Os dados econômicos locais estão começando a vir bem ruins, como no caso da produção de veículos, sem falar que o fato político não tem ajudado muito”, acrescenta.

Fernando Bergallo, presidente da FB Capital, considera que o cenário externo tenha peso 4 no câmbio, enquanto o interno, 1. “É até um paradoxo o dólar cair para abaixo de 5 reais um dia depois de o Brasil registrar recorde de mortes por coronavírus. Se o mundo está positivo, aqui pode estar ruim do jeito que for que vai melhorar junto. Lá fora é o driver da economia”, disse.

 

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Petrobras eleva preço do gás de cozinha em 5% nas refinarias

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O consumo do gás de cozinha, ao contrário de outros combustíveis da empresa, como gasolina e diesel, aumentou durante a pandemia

Gás de cozinha: o preço médio do produto passou a R$ 24,08 (Classen/ullstein bild/Getty Images)

A alta do petróleo no mercado internacional levou a Petrobras a elevar o preço do gás de cozinha (GLP 13 Kg) em 5% desde a quinta-feira, 5, nas suas refinarias, reduzindo a queda no ano para 13,4%, informou a estatal. O preço médio do produto passou a R$ 24,08, alta de R$ 3,72 em relação ao preço anterior.

O consumo do gás de cozinha, ao contrário de outros combustíveis da empresa, como gasolina e diesel, aumentou durante a pandemia, já que o isolamento social tem levado às famílias a cozinharem mais em casa.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço final ao consumidor chega a tingir R$ 115 o botijão de 13 quilos em algumas regiões.

 

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Economia

Com Congresso focado na pandemia, agenda de Guedes segue congelada

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A expectativa agora é de forte elevação do déficit primário neste ano, com a dívida pública devendo alcançar o patamar de 93% do PIB, segundo o Tesouro

Congresso: parlamentares estão focados em medidas sobre a pandemia do novo coronavírus (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Com os esforços do Congresso voltados para votações relacionadas ao covid-19, a agenda econômica do ministro da Economia, Paulo Guedes, está com o andamento interrompido desde março, período que marcou o início das medidas de paralisações anunciadas por governadores e prefeitos no país em decorrência da propagação do vírus.

Naquele mês, com indicações ainda preliminares sobre os efeitos que a pandemia teria nas cadeias produtivas ao redor do mundo e no Brasil, Guedes encaminhou ao Congresso uma mensagem solicitando celeridade na aprovação de 19 medidas em tramitação. A preocupação do ministro era resguardar a economia do país em meio à crise, sem afetar a trajetória de melhoria fiscal.

O agravamento da pandemia, contudo, forçou uma mudança de rota, e o governo foi obrigado a adotar uma série de medidas emergenciais que geraram bilhões de reais em despesas. A expectativa agora é de forte elevação do déficit primário neste ano, com a dívida pública devendo alcançar o patamar de 93% do PIB, segundo o Tesouro.

A equipe do ministério da Economia diz que o foco é retomar, tão logo possível, o trilho do ajuste fiscal, com a tramitação de projetos que compunham originalmente a agenda de governo do presidente Jair Bolsonaro.

Guedes e seus secretários têm reiterado que, passada a fase mais aguda da crise, estão entre as prioridades as reformas tributária e administrativa, marcos regulatórios e a autonomia do Banco Central, entre outros projetos.

O discurso é que essas iniciativas legislativas são essenciais para melhorar o ambiente de negócios no país, minimizar incertezas e cacifar o Brasil a receber investimentos externos em um mundo que estará inundado de liquidez.

Para as duas principais reformas encabeçadas pelo governo, a administrativa e tributária, o Poder Executivo ainda não encaminhou propostas oficiais. No âmbito da tributária, Guedes trabalhava para concluir contribuições a serem feitas a proposta que tramita no Congresso, buscando um texto que concilie as diferentes versões.

O próprio Congresso chegou a instalar, em fevereiro deste ano, uma comissão mista em torno do tema. Criada para produzir uma proposta de consenso entre deputados e senadores em até 45 dias, ela teve o prazo suspenso em 20 de março, em decorrência da pandemia.

Todas as comissões do Congresso estão sem funcionamento devido às restrições à circulação de pessoas no Congresso. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem dito, contudo, que quer retomar a reforma tributária em julho, ainda que inicialmente de forma remota. A retomada geral e gradual dos trabalhos no Congresso será avaliada nos próximos dias.

Já a reforma administrativa teve o seu envio ao Congresso sinalizado para o mês de março, com o presidente Jair Bolsonaro afirmando, em fevereiro, ainda antes do agravamento do coronavírus, que a versão final da proposta já estava pronta e iria ser encaminhada após o Carnaval. Isso não ocorreu ainda.

Além de propostas do lado fiscal, a agenda do Marco Legal do Saneamento Básico (PL 4.162/19) e do Setor Elétrico (PLS 232/16) são veementemente defendidas para destravar a agenda de concessões, elencada como um dos principais pilares de recuperação do país passada a pandemia.

Enquanto o PL do saneamento tramita na Comissão de Meio Ambiente do Senado, o marco legal do setor elétrico foi aprovado de forma terminativa em março pela Comissão de Infraestrutura do Senado, mas senadores apresentaram um recurso para que o texto seja levado a plenário.

O governo também aposta em outras frentes e, com o Banco Central (BC), comandado por Roberto Campos Neto, defende a importância da aprovação do projeto de autonomia da autarquia, que tinha previsão de ser votado na Câmara após o Carnaval.

O BC endossou Projeto de Lei Complementar (PLP 112/19) que está na Câmara, relatado pelo deputado Celso Maldaner (MDB-SC), e que foi apensado a outro projeto que circula na Casa desde 1989, tendo sua urgência já sido aprovada anteriormente, razão pela qual o texto pode ser votado diretamente em plenário.

Privatizações

Outra bandeira do governo, a meta de venda de ativos pela União em 2020, inicialmente prevista em 150 bilhões de reais, não será alcançada em razão do conturbado ambiente doméstico prejudicado pela propagação do coronavírus, segundo o secretário especial de Desestatização do ministério da Economia, Salim Mattar.

Sobre um dos principais alvos, a privatização da Eletrobras, Salim disse que ela deverá ocorrer somente em 2021. O Poder Executivo havia encaminhado o projeto que viabiliza a privatização da estatal (PL 5877/19) ao Congresso em novembro, e, desde então, aguarda despacho do presidente da Câmara para deliberação.

Na mensagem encaminhada ao Congresso em março, Guedes também listou o chamado “Plano Mais Brasil”, apresentado em novembro por ele e equipe, que engloba as propostas de emenda à Constituição (PECs) do Pacto Federativo (188), Emergencial (186) e dos Fundos Públicos (187).

Das três, a 187 é a que mais avançou no Senado. A proposta, que prevê amortização de parte da dívida pública da União com recursos parados em 248 fundos, em um total de 220 bilhões de reais, foi aprovada em março pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e encaminhada para deliberação do plenário. As outras duas estão em tramitação, também na CCJ do Senado.

Promoção de investimento

Dentre outras pautas mencionadas por Guedes, há o projeto que prevê flexibilizar a adoção do regime de partilha no polígono do pré-sal, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), que, apoiado pelo Ministério de Minas e Energia, se encontra com a relatoria na Comissão de Serviços de Infraestutura do Senado.

No mês passado, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou que tanto ele quanto o corpo técnico da petrolífera são “profundamente críticos” ao regime de partilha e defendem que sua eliminação, em movimento que se segue ao resultado frustrante do leilão do chamado excedente da cessão onerosa, em novembro, que atraiu pouco interesse de investidores estrangeiros.

Também estão na lista propostas que tratam da Nova Lei do Gás (PL 6.407/13), atualmente em análise na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados, bem como um Projeto de Lei do Senado (PLS 423/14) que incentiva a navegação de cabotagem no país, e que aguarda inclusão na ordem do dia de requerimento no Senado.

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