O dólar subiu 1,35% nesta sexta-feira, terminando a semana cotado a R$ 5,316, com o mercado preocupado com a possível intensificação do conflito no Oriente Médio.
Esse aumento no valor do dólar ocorreu em todo o mundo. O índice DXY, que mede a força do dólar contra seis moedas fortes, subiu 0,72%, atingindo 100,47 pontos, o maior valor desde maio do ano passado.
As ações em Bolsas globais caíram devido ao medo dos investidores. No Brasil, o Ibovespa caiu 0,9%, acumulando uma queda de 6% desde o começo de março. Nos Estados Unidos, o S&P500 caiu 0,66%, Nasdaq 0,93% e Dow Jones 0,25%. Na Europa, o Euro STOXX 600 caiu 0,5% e na Ásia, índices como o Nikkei japonês e o CSI300 chinês também caíram.
Essas quedas vieram após uma entrevista do Donald Trump, que disse que pretende atacar o Irã com força na próxima semana. Por outro lado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que as Forças Armadas do país estão determinadas a dar uma resposta forte.
O conflito no Oriente Médio aumenta o receio de problemas no mercado global de energia, já que o Estreito de Hormuz é uma rota vital responsável por 20% do petróleo e gás mundiais. Isso pode causar aumento nos preços e pressionar a inflação global.
Bruno Shahini, especialista da Nomad, explica que a guerra mantém o preço do petróleo volátil, com o Brent perto de US$ 100 por barril, o que incentiva os investidores a buscar segurança no dólar.
O Federal Reserve provavelmente manterá as taxas de juros altas, o que fortalece o dólar e os títulos do Tesouro americano.
No Brasil, o Banco Central tentou equilibrar o mercado com operações simultâneas de venda e compra de dólares, mas isso não influenciou o preço do dólar.
Países também tentam controlar o preço do petróleo. Donald Trump declarou que os EUA irão escoltar embarcações no Estreito de Hormuz, se necessário, e liberou isenção temporária para produtos petrolíferos da Rússia.
A Agência Internacional de Energia (AIE) autorizou a liberação de 400 milhões de barris de suas reservas, o maior movimento desse tipo na história da agência, mas especialistas consideram essa medida um alívio temporário diante da crise.
A AIE alertou que a oferta global de petróleo pode cair significativamente em março por causa do bloqueio do Estreito de Hormuz e que a produção em alguns países do Golfo diminuiu bastante.
Segundo a AIE, sem uma solução rápida, os problemas na produção podem durar semanas ou meses.
Ebrahim Zolfaqari, porta-voz militar iraniano, alertou para a possibilidade do preço do petróleo chegar a US$ 200 por barril devido à insegurança na região.
Em paralelo, os EUA iniciaram uma investigação comercial contra 60 países, incluindo o Brasil, para checar a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado no mercado americano, podendo resultar em tarifas e sanções para o Brasil.
