O dólar apresentou variação pequena nesta sexta-feira (23), que é o último dia de negociação antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). Por volta das 12h07, a moeda estava cotada a R$ 5,043, com uma alta leve de 0,09%.
Nesse mesmo momento, o Ibovespa, principal indicador da bolsa de valores do Brasil, operava em alta de 0,12%, alcançando 204.370 pontos.
Os investidores estão atentos à pesquisa Datafolha divulgada no dia anterior, que mostrou empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) para o segundo turno da presidência. Os dois candidatos têm cerca de 50% dos votos válidos, considerando arredondamento. Sem arredondar, Flávio Bolsonaro aparece com 50,47% e Lula com 49,53%.
O levantamento foi realizado entre terça-feira (20) e quinta-feira (22) e possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Os votos válidos desconsideram votos brancos e nulos e são usados pela Justiça Eleitoral para divulgar resultados oficiais.
Além disso, a atenção do mercado está voltada para o debate presidencial que acontecerá nesta noite na Globo, a partir das 21h20.
Também são acompanhados os dados sobre a inflação. O IPCA-15, que é um indicador nacional de preços ao consumidor, registrou desaceleração em outubro, com inflação mensal de 0,32%, abaixo dos 0,70% de setembro, conforme dados divulgados pelo IBGE.
Esse resultado ficou inferior à mediana das expectativas do mercado, que era de 0,45%, e também abaixo do menor palpite, que era 0,33%, segundo a Bloomberg.
Ainda assim, especialistas como Carlos Lopes, economista do Banco BV, destacam que a inflação continua preocupante qualitativamente.
Carlos Lopes explica que a alta nos preços dos alimentos foi significativa, com aumento de 0,88%, distribuída entre vários produtos, reflexo de problemas na oferta e impactos do fenômeno El Niño.
Em habitação, houve uma pequena queda de 0,10% devido à energia elétrica com bandeira tarifária verde, o que ajudou a aliviar os custos. Já em transportes, os reajustes do transporte público foram menores do que o esperado.
Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, também ressalta a queda nos preços das passagens aéreas, que surpreendeu o mercado positivamente.
Helena Veronese lembra que a inflação dos serviços, especialmente componentes mais amplos, ainda é motivo de preocupação, refletindo uma economia que, embora desacelere, mantém um mercado de trabalho aquecido.
Para ela, esses dados alteram pouco as projeções sobre a política de juros, já que a inflação acumulada em 12 meses permanece acima do teto da meta, exigindo cautela por parte do Banco Central. No entanto, a desaceleração nos preços pode manter a continuidade da redução dos juros.
No cenário internacional, o mercado acompanha a alta do petróleo, que pressiona os mercados globais em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. Às 12h12, o barril do petróleo Brent, referência mundial, subiu 2,92%, cotado a US$ 116,46.
A alta continua desde a semana passada, quando aumentaram os ataques do grupo houthis, aliado do Irã, contra pontos estratégicos na Arábia Saudita, incluindo refinarias e aeroportos. Além disso, as negociações de paz na região não avançaram nos últimos dias.
O aumento do preço do petróleo amplia os receios com a inflação e coopera para a instabilidade nas bolsas americanas. Segundo Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, o mercado dos Estados Unidos demonstrou na véspera uma rotação intensa de ações de tecnologia para setores mais tradicionais e defensivos, além de maior procura por títulos do Tesouro americano (Treasuries).
Às 12h12, os títulos americanos com vencimento em dez anos tiveram alta de 0,83%, com rendimento de 4,99%, e os de 30 anos subiram 0,55%, com rendimento de 5,316%.
Fernando Saad Benati destaca que, embora antes existisse uma forte correlação entre os preços dos Treasuries e o desempenho das bolsas americanas, essa relação parece ter enfraquecido nas últimas semanas.
Em relação ao Brasil, apesar do resultado favorável da inflação e das perspectivas para juros, o EWZ, fundo negociado nos EUA que acompanha ações brasileiras, teve queda nesta manhã.
Isso indica, segundo o estrategista, que os dados de inflação e a melhora na curva de juros não são suficientes para afastar as preocupações dos investidores com o cenário eleitoral brasileiro.
O empate nas pesquisas entre Lula e Flávio Bolsonaro diminui o otimismo recente, já que a candidatura do senador é associada a expectativas de ajuste fiscal mais rigoroso, o que vinha valorizando o mercado e o real.
A possibilidade de maior controle da dívida pública tende a reduzir o prêmio de risco para financiar o governo, o que poderia aliviar a curva de juros futuros. Juros menores podem diminuir o custo de crédito para as empresas, melhorando as expectativas de lucro e favorecendo o mercado de ações.
Nos Estados Unidos, as bolsas operavam em queda às 12h13, com o S&P 500 caindo 0,43%, o Dow Jones recuando 1,01% e o Nasdaq subindo 0,22%.


