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quinta-feira, 05/03/2026

Dólar sobe com aumento da tensão no Oriente Médio

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O dólar começou esta terça-feira com alta, acompanhando a valorização da moeda americana frente a quase todas as outras moedas no mercado internacional, devido ao aumento das tensões no Oriente Médio.

No Brasil, o foco está nos dados do Produto Interno Bruto (PIB) do último trimestre, revelados recentemente pelo IBGE, que indicaram um crescimento de 2,3% em 2025, a menor taxa dos últimos cinco anos.

Por volta das 9h13, o dólar subiu 1,45%, chegando a R$ 5,240. No mercado externo, o índice DXY, que compara o dólar com seis moedas fortes, tinha alta de 0,58% no mesmo horário.

Os conflitos entre EUA, Israel e Irã continuam a afetar os mercados. Nesta terça, os preços do petróleo aumentaram significativamente após o anúncio do fechamento do estreito de Hormuz, uma importante rota de transporte de petróleo.

Às 8h45, o preço do barril Brent, referência mundial, ultrapassava US$ 84,31, com alta diária de 8%.

Na Europa, as bolsas de valores registraram quedas significativas, refletindo o receio diante da possível interrupção no fornecimento de petróleo globalmente.

A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou destruir qualquer navio que tente passar pelo estreito de Hormuz, o que afetaria cerca de 20% do transporte diário mundial de óleo e gás natural liquefeito.

Na segunda-feira anterior, o dólar já havia subido 0,60%, fechando em R$ 5,164, após atingir uma alta intradiária de 1,59%. A bolsa brasileira também teve alta de 0,27%, impulsionada pela valorização do petróleo.

Destaque para as ações da Petrobras, que subiram até 5,59% no pregão, também beneficiando outras empresas do setor, como PRIO e Brava Energia.

Segundo um relatório do banco BTG Pactual, a redução no tráfego de navios, o aumento dos custos de seguro e o maior risco de navegação estão diminuindo a oferta disponível no curto prazo e adicionando um prêmio geopolítico ao preço do Brent. A duração do conflito será decisiva para os impactos futuros.

O comandante da Guarda Revolucionária do Irã confirmou o fechamento do estreito e ameaçou atacar navios que tentem passar.

O conflito escalou no sábado, quando Estados Unidos e Israel realizaram ataques surpresa contra líderes e forças armadas do Irã, resultando em mortes incluindo o líder supremo Ali Khamenei e o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Em resposta, o Irã atacou locais nos Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Omã e Kuwait.

O presidente dos EUA, Donald Trump, estimou que a guerra deve durar entre quatro e cinco semanas, mas afirmou que o país pode continuar além disso.

Analistas como Gustavo Trotta, da Valor Investimentos, afirmam que declarações que estabelecem prazos ajudam a reduzir a incerteza no mercado.

Lucca Bezon, analista da StoneX, destaca que muitas moedas de países emergentes estão se desvalorizando frente ao dólar, refletindo o aumento da aversão ao risco. O dólar e o ouro, considerados ativos seguros, subiram.

Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos, ressalta que o foco está no petróleo, principalmente se o estreito de Hormuz permanecer fechado por muito tempo, o que pode elevar o preço do barril perto de US$ 100, impactando diretamente a inflação.

O preço do petróleo Brent atingiu picos próximos de 13% na abertura dos mercados internacionais no domingo (1º) e manteve a alta na segunda-feira, alcançando 10,15% de aumento.

Já o petróleo WTI, referência nos EUA, subiu mais de 12% no domingo e manteve alta na segunda-feira.

O aumento dos preços está ligado ao medo dos investidores sobre restrições no transporte pelo estreito de Hormuz.

Mais de 200 navios, incluindo petroleiros e embarcações de gás natural, ficaram ancorados nas proximidades do estreito após os ataques.

Bruno Shahini, especialista da Nomad, afirma que a alta do petróleo e outras commodities refletem o medo de interrupções no fornecimento global devido às tensões no local.

No Brasil, o governo analisa os benefícios e os desafios que o aumento do preço do petróleo pode trazer durante a crise.

O país pode ganhar com as exportações de petróleo bruto, melhorando o PIB e os déficits fiscais, mas pode sofrer pressões internas nos preços de combustíveis e derivados.

Lilian Linhares, da Rio Negro Family Office, alerta para possíveis impactos inflacionários se o preço do petróleo continuar alto, afetando combustíveis, transporte e, consequentemente, outros bens e serviços.

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central mantém a previsão de inflação para 2026 em 3,91%, não considerando ainda possíveis efeitos do conflito no Oriente Médio.

A meta da inflação para o Banco Central é de 3%, com faixa de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

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