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quinta-feira, 05/02/2026

Dólar permanece estável mesmo com alta nos mercados globais

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O dólar fechou o dia praticamente sem variação, apesar de uma valorização generalizada da moeda americana no mercado internacional. Pela manhã, a moeda chegou a cair, mas recuperou terreno no fim da tarde.

A moeda brasileira, o real, resistiu bem apesar de uma queda de mais de 2% na bolsa doméstica e da preocupação com o aumento dos gastos públicos após aprovação de medidas no Congresso.

No fechamento, o dólar estava cotado a R$ 5,2495, uma leve queda de 0,01%. No acumulado dos primeiros dias de fevereiro, a moeda americana teve uma pequena alta de 0,04%, depois de uma queda expressiva de 4,40% em janeiro.

O economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, comentou que a cotação do dólar está muito ligada ao cenário externo, e que a taxa permanece baixa considerando os desafios fiscais do país.

Recentemente, o Congresso aprovou propostas que aumentam os salários dos servidores públicos e criam novos cargos, gerando impacto orçamentário estimado em R$ 5,3 bilhões. O Senado também aprovou o programa Gás do Povo, com previsão de beneficiar 17 milhões de famílias.

Para o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, o real se mantém protegido em parte devido à taxa Selic alta, que torna o investimento em ativos locais mais atrativo e desestimula posições em dólar.

Ele acrescenta que a indicação do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, para a diretoria do Banco Central gerou pouca reação no câmbio, mesmo com impacto nos juros futuros. O presidente Luiz Inácio Lula deve confirmar essa indicação.

Galhardo também destacou que o interesse de investidores estrangeiros por ativos emergentes continua forte, com grande fluxo de recursos para a bolsa e para renda fixa, situação que deve perdurar até o início da corrida presidencial em abril.

O Banco Central divulgou que o fluxo cambial foi positivo em US$ 5,086 bilhões em janeiro, revertendo a saída líquida de dezembro. O sócio e fundador da Eytse Capital, Sergio Goldenstein, afirmou que o real foi a moeda emergente com melhor desempenho em janeiro devido ao maior interesse por ativos nacionais.

O índice que mede a força do dólar no exterior, DXY, subiu 0,22% no final do dia, após ajustes de mercado ligados à nomeação de Kevin Warsh para presidente do Federal Reserve, ação que reduziu temores sobre a independência da instituição.

Em relação à economia dos Estados Unidos, foram divulgados dados mistos: houve revisão para baixo no número de vagas no setor privado em dezembro e estabilidade no índice de gerentes de compras do setor de serviços.

Investidores aguardam a divulgação dos próximos dados sobre o mercado de trabalho americano, incluindo o relatório Jolts e o payroll de janeiro.

Mercado de ações

Após uma sequência de recordes, o Ibovespa sofreu forte baixa, chegando a cair quase 3% durante o dia, mas fechou com perdas de 2,14%, a maior desde meados de dezembro.

A volatilidade foi alta, com o índice oscilando em mais de 5 mil pontos ao longo do pregão. O volume financeiro permaneceu elevado, indicando interesse intenso dos investidores estrangeiros pelo mercado local.

Entre os bancos, Santander apresentou queda de 2,70%, Itaú caiu 3,29% e Bradesco recuou 3,23%. Empresas de commodities resistiram melhor, com a Vale fechando em alta e Petrobras caindo levemente.

Algumas ações se destacaram positivamente, como Braskem, Porto Seguro, Rumo e Suzano, enquanto outras sofreram perdas acentuadas, incluindo Raízen, Totvs, Hypera e Cogna.

Segundo o economista-chefe da Forum Investimentos, Bruno Perri, os resultados do Santander abriram uma correção no setor financeiro que se espalhou para outras áreas, indicando uma possível pausa no forte rali do mercado acionário brasileiro.

Nas bolsas de Nova York, o ambiente também foi de cautela, principalmente pela atenção voltada aos resultados das empresas de tecnologia, com o Nasdaq fechando em queda.

Higor Rabelo, especialista da Valor Investimentos, acredita que a venda de ativos americanos e a rotação global continuarão favorecendo a entrada de recursos na bolsa brasileira.

Taxa de juros

A curva de juros mostrou aumento na inclinação durante o pregão, com estabilidade na ponta curta e alta moderada nos trechos mais longos.

O fortalecimento do dólar global influenciou a alta nos prêmios de risco, enquanto no Brasil há debate sobre o impacto das novas despesas públicas e das nomeações no Banco Central.

Foi noticiado que o presidente Lula tende a confirmar a indicação de Guilherme Mello para a diretoria de Política Econômica do Banco Central.

A Câmara aprovou projetos que aumentam a quantidade de cargos no Ministério da Educação e em outras áreas, com impacto financeiro significativo para 2026.

Os contratos futuros de juros apresentaram alta nos ajustes, refletindo cautela dos investidores.

Segundo profissionais do mercado, o impacto dos projetos aprovados é considerado pequeno, mas os ruídos fiscais e políticos, além de fatores externos, explicam a movimentação da curva de juros.

O gestor de portfólio Gean Lima, da Connex Capital, ressaltou que a indicação de Mello tem influência importante, dado o papel da diretoria econômica no Banco Central e a possibilidade de maior interferência do Executivo.

Apesar das preocupações, a movimentação dos juros foi moderada, com investidores ainda céticos quanto a cortes profundos na taxa Selic em curto prazo.

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