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sábado, 04/04/2026

Mais da metade dos brasileiros apoia o fim da escala 6×1, mostra Datafolha

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MAELI PRADO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A maioria dos brasileiros quer acabar com a escala de trabalho 6×1, segundo pesquisa do Datafolha feita entre 3 e 5 de março. Atualmente 71% das pessoas acreditam que a semana de trabalho deveria ser menor, enquanto 27% não concordam.

Esse apoio aumentou desde a última pesquisa, em dezembro de 2024, quando 64% eram a favor e 33% contra.

O estudo entrevistou 2.004 pessoas em 137 cidades pelo Brasil, com margem de erro de 2% para mais ou menos, garantindo 95% de confiança nos resultados.

O governo do presidente Lula (PT) indicou que quer diminuir a jornada semanal de 44 para 40 horas, conforme declarou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Segundo ele, a lei deve garantir redução de horas sem diminuir salários, e os descansos semanais devem ser definidos nas negociações trabalhistas.

Essa proposta é mais flexível que a PEC da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que sugere diminuir a jornada para 36 horas semanais.

Perfil dos trabalhadores

O Datafolha também mostrou que os brasileiros que trabalham são divididos quase meio a meio: 53% trabalham até cinco dias por semana e 47% trabalham seis ou sete dias. Os que trabalham mais dias apoiam menos o fim da escala 6×1 (68%), contra 76% entre os que trabalham cinco dias ou menos.

Isso ocorre porque há mais autônomos e empresários trabalhando mais dias, para quem trabalhar mais pode significar ganhar mais dinheiro. Já nos trabalhadores até cinco dias por semana, há mais funcionários públicos, cuja renda não costuma mudar com a jornada.

Horas trabalhadas e lazer

Entre os entrevistados, 66% trabalham até 8 horas por dia, 28% entre 9 e 12 horas, e 5% mais de 12 horas; 1% não soube responder.

Sobre o impacto para as empresas, 39% acreditam que será positivo e outros 39% que será negativo. Em dezembro, 42% achavam que o impacto seria ruim.

Especialistas divergem quanto ao efeito da redução da jornada na economia: alguns apontam custos maiores, perda de empregos formais e queda no PIB; outros dizem que o desemprego não deve subir muito e que os custos podem ser diluídos com planejamento.

Quanto aos trabalhadores, 76% acham que a redução vai melhorar a qualidade de vida, sendo 81% entre quem trabalha até cinco dias e 77% entre os que trabalham seis ou sete dias.

Metade dos entrevistados acredita que o fim da escala terá um efeito positivo na economia do país, enquanto 24% esperam um impacto ruim.

Sobre o efeito pessoal, 68% veem a mudança como positiva. Entre os que trabalham seis ou sete dias, esse índice é 65%, menor que os 74% dos que trabalham até cinco dias.

Em relação à rotina, 49% têm tempo suficiente para lazer e descanso, 43% sentem que têm pouco tempo, e 8% dizem ter tempo de sobra para descanso.

Entre quem trabalha mais dias, 59% acham o tempo de lazer insuficiente, o dobro dos que trabalham menos dias (29%).

Aspectos políticos, religiosos, idade e gênero

O apoio à redução da jornada varia conforme a preferência política: 55% dos eleitores de Jair Bolsonaro (PL) apoiam o fim da escala 6×1, e 43% são contra; entre os que votaram em Lula, 82% apoiam e 16% são contrários.

Quanto à religião, 69% dos católicos e 67% dos evangélicos aprovam a medida, com menor apoio entre os que frequentam a igreja mais de uma vez por semana (63%) e maior entre os que vão raramente (81%).

Por idade, os jovens de 16 a 24 anos são os que mais apoiam (83%), caindo para 75% entre 35 a 44 anos e 55% entre os maiores de 60 anos.

Sobre gênero, as mulheres apoiam mais que os homens: 77% contra 64%.

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