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Dólar perde prestígio e coloca em xeque papel dos EUA na economia mundial

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Muito embora os EUA tenham a capacidade para montar um pacote trilionário de ajuda à população, resposta ineficaz à crise sanitária tem gerado preocupações

Parte de trás do dólar americano: “In God we trust” (confiamos em Deus) (Roberto Machado Noa / Colaborador/Getty Images)

Em meio à pandemia de covid-19, crescem os questionamentos sobre o papel e o espaço da maior entre todas as economias e de sua moeda no mundo.

Muito embora os Estados Unidos tenham tido a capacidade de montar um pacote trilionário de ajuda à população, a resposta ineficaz dada até agora à crise sanitária tem gerado preocupações.

Mais recentemente, isso pôde ser visto no enfraquecimento do dólar perante as principais moedas. O Dollar Index — que compara a moeda norte americana com uma cesta formada por iene (Japão), libra esterlina (Reino Unido), dólar canadense (Canadá), coroa sueca (Suécia) e franco suíço (Suíça) —, já perdeu cerca de 10% em valor desde seu pico, em março, quando a pandemia foi decretada, fazendo o dólar atingir o menor nível em dois anos.

“Durante anos após a grande crise financeira de 2008, os EUA cresceram mais que outros países desenvolvidos, ajudando a fortalecer o dólar por apresentar alternativas de investimento mais rentáveis a agentes econômicos”, diz a Kairós Capital em carta de junho.

A moeda seguiu no auge mesmo com a perda relativa de importância dos EUA na economia mundial, que foi de 40% do PIB global em 1960 para os atuais 25%:

“Esse diferencial de crescimento que já vinha sendo reduzido em 2019 pode diminuir ainda mais, a depender de como cada país lidará com a perda de atividade e renda e da magnitude e eficácia dos estímulos governamentais para fazer à crise”, diz.

 (Exame/Exame)

Cuidado com a zona do euro

Os países da zona do euro lidaram melhor com a crise sanitária do que os EUA, que, há meses, lideram o número de mortes e casos de covid-19 no mundo, e ainda não conseguiram controlar a doença nos estados do Sul.

Enquanto isso, a União Europeia não só já está num processo bem mais avançado de reabertura, como avança na consolidação fiscal, com a aprovação de um pacote de 750 bilhões de euros para recuperar a economia do bloco.

“Eu não me surpreenderia se o bloco do euro saísse da pandemia com algum poder relativo renovado”, diz Fernando Ribeiro Leite, professor do Insper.

Segundo Leite, a Europa se mostrou mais forte do que parece nesta crise, com exemplos como a Alemanha que, além de ter sido bem sucedida no combate ao vírus, prepara para a agenda pós-pandemia uma retomada com base numa indústria sólida e moderna, tecnologia, agenda sustentável, verde e capital humano inigualável, diz.

Para a Kairós, a União Europeia, junto com EUA e China, caminha para a formação de um mundo tripolar. E esse processo levado agora pela consolidação fiscal começou há mais de 20 anos com a criação do euro.

Não é de hoje

Apesar de o coronavírus ter levado os ânimos ao extremo, tirando um pouco do brilho do dólar, a moeda já vem sendo ofuscada há alguns anos.

Um dos movimentos que demonstra que essa preeminência do dólar vem lentamente cedendo, diz a Kairós, refere-se à composição das reservas internacionais mantidas por bancos centrais ao redor do mundo.

Em 1999, quando o euro foi criado, 71% das reservas mundiais eram mantidas em dólares, segundo o FMI. Essa porcentagem estava ao redor de 61% pelo último dado disponível.

O aumento da importância relativa de outras moedas, como o próprio euro e o iene, ajudou nesse processo, mas a tendência se intensifica, segundo a casa de análise, estimulada pelo instinto de proteção de autoridades monetárias contra o uso que os EUA passaram a fazer do dólar como instrumento de pressão:

“Vimos o exercício desse poder para dificultar a participação de economias como Irã e Venezuela no sistema de comércio internacional, assim como vimos a partir de 2014 sanções para instituições bancárias que integram o sistema de pagamentos em dólar e realizam transações com a Rússia”, diz.

Ao longo do tempo, diz a casa, esse uso como fonte de pressão somada à diminuição do tamanho relativo da economia americana tenderá a gerar um aumento na busca de alternativas:

“E num mundo em que há vários atores importantes do ponto de vista econômico como a China e a Zona do Euro, a moeda de uma economia que representa menos de um quarto da economia mundial deverá ter dificuldades crescentes para permanecer como a única moeda de reserva do planeta”, diz.

Não tem para ninguém

Ainda que, num futuro distante, não seja descartada a perda de relevância da moeda americana no mundo, atualmente, o dólar é usado na imensa maioria das transações internacionais. Além disso, essas movimentações são feitas, na maioria das vezes, dentro de um sistema de pagamentos ligado a instituições americanas.

“Os agentes são pragmáticos. Que moeda dá mais acesso a mais mercados? Não parece que o dólar vai perder espaço até onde podemos ver”, diz Maurício Fronzaglia, professor de política internacional do Mackenzie. “Já num futuro mais distante, isso depende do crescimento da Europa e da China”, diz.

A questão, segundo Fronzaglia, é que muito dificilmente um país ou um conjunto de países, no caso da UE, conquistar o poder alcançado pelos EUA nos setores militar, político, econômico e cultural:

“Não têm uma nação que consiga rivalizar com eles nesses quatro aspectos conjuntamente”, diz.

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Economia

Impacto da Covid na economia alemã pode ser menor do que o temido

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Alemanha agiu rapidamente para aumentar os gastos e esse dinheiro, junto com outro impulso do BCE, parece ter amortecido o impacto da pandemia

Terminal portuário em Haburgo, Alemanha (Fabian Bimmer/Files/Reuters).

 

A Alemanha pode resistir à recessão provocada pela pandemia melhor do que o esperado, sugeriram indicadores do setor privado nesta terça-feira, em um sinal de esperança para a economia que tradicionalmente serve como motor de crescimento da Europa.

Com boa parte da atividade econômica ainda restringida pela Covid-19, o governo da Alemanha agiu rapidamente para aumentar os gastos e esse dinheiro, junto com outro impulso do Banco Central Europeu, parece ter amortecido o impacto da pandemia.

A projeção para o Produto Interno Bruto agora é de contração de apenas 5,2% neste ano, disse o instituto Ifo, mais otimista do que sua estimativa anterior de queda de 6,7% e da previsão do banco central de contração de 7,1%.

“O declínio no segundo trimestre e a recuperação estão atualmente se desenvolvendo mais favoravelmente do que esperávamos”, disse o economista-chefe do Ifo, Timo Wollmershaeuser.

Para 2021, o instituto cortou sua previsão de crescimento de 6,4% para 5,1%, mas mesmo isso indica que a economia da Alemanha pode ficar próxima do nível pré-crise ao final do próximo ano. O BCE ainda espera que a zona do euro como um todo precise de mais um ano para compensar o declínio.

Parte da melhoria prevista partiu do consumo inesperadamente resiliente, e a associação de varejo HDE disse que espera que as vendas nominais no varejo cresçam 1,5% este ano, uma revisão para cima acentuada de sua estimativa anterior de queda de 4%.

(Reportagem de Michael Nienaber)

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Precisamos que a dívida seja vista como estável ao longo do tempo. Precisamos de reforma emergencial, no curto prazo, administrativa”, diz ex-chefe do BC

Ex-presidente do Banco Central do Brasil, Ilan Goldfajn: “A taxa de juros não ficará em 2%, mas não voltará mais a dois dígitos” (Adriano Machado/Reuters)

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PIB argentino sofre queda histórica de 19,1% no 2º tri

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Bandeira argentina com a frase: “força, Argentina” em rua com comércio fechado em Buenos Aires. 20 de junho de 2020. (Ricardo Ceppi/Getty Images)

O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina registrou contração de 19,1% no segundo trimestre deste ano, em comparação com igual período de 2019, de acordo com cálculos preliminares do Instituto Nacional de Estatísticas e Censo (Indec), divulgados nesta terça-feira, 22.

Em relação ao primeiro trimestre, a atividade econômica teve retração de 16,2%. No semestre como um todo, a queda foi de 12,6%.

Segundo a instituição, o desempenho negativo foi puxado pelos setores de hotéis e restaurantes, que tiveram tombo anualizado de 73,4%, seguido por atividades de serviços comunitários sociais e pessoais (-67,7%).

“As restrições globais à circulação de pessoas com objetivo de mitigar a pandemia de covid-19 afetam a um conjunto significativo de atividades econômicas em todos os países”, destaca o Indec, em relatório.

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Economia

Proposta de reforma administrativa pode ser ampliada, diz secretário

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Segundo o secretário especial de Desburocratização, o próprio Congresso poderá ampliar o escopo da reforma durante sua tramitação

Secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Caio Paes de Andrade (Leandro Fonseca/Exame)

O secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Caio Paes de Andrade, afirmou nesta terça-feira que o governo optou por não encaminhar uma reforma administrativa que afetasse todos os servidores dos demais Poderes (Legislativo e Judiciário) para evitar o que chamou de “judicialização precoce”, mas ele afirmou que o próprio Congresso poderá ampliar o escopo da reforma durante sua tramitação.

“Não mandamos uma reforma (administrativa) pronta, mandamos um arcabouço para que aconteça o que chamamos de uma reforma da nova administração pública”, afirmou Paes de Andrade em live promovida pela corretora Necton.

A proposta de reforma apresentada pela equipe econômica no início deste mês poupou parlamentares, magistrados e militares de medidas destinadas a restringir uma série de benefícios, como férias de mais de 30 dias e aposentadoria compulsória como punição.

 

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Espanha enfrenta problema incomum: como gastar bilhões contra a crise

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Absorver dinheiro extra repentinamente é um desafio para o país, que não consegue aprovar orçamento anual desde 2016 por causa de uma paralisia política

Madri, Espanha 31/7/2020 (Javier Barbancho/Reuters)

Depois de garantir uma porção generosa dos fundos de recuperação da União Europeia para combate à crise do coronavírus, a Espanha enfrenta um problema inusitado — como fazer uso de todo o dinheiro, disseram fontes do governo à Reuters.

“Esta não é uma crise de dinheiro, é uma crise de ideias”, disse uma das fontes, referindo-se a projetos de investimento concretos para ajudar a economia a sair de uma recessão recorde.

Em um país que não conseguiu aprovar um orçamento anual desde 2016 por causa de uma prolongada paralisia política, a necessidade de absorver dinheiro extra repentinamente é um desafio, disseram as fontes.

A Espanha foi especialmente atingida pela pandemia. O país registrou mais de 640 mil casos de Covid-19, o maior número de infecções na Europa Ocidental, e a doença matou mais de 30 mil vidas espanholas.

A economia espanhola despencou 18,5% no segundo trimestre, contração superada na Europa apenas pelo Reino Unido.

Para ajudar a Espanha a se recuperar, o país receberá cerca de 140 bilhões de euros em subsídios e empréstimos do pacote de recuperação do coronavírus da UE, de 750 bilhões de euros.

Isso inclui 43 bilhões de euros em subsídios apenas nos próximos dois anos — o equivalente a cerca de 8% das despesas anuais.

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domingo, 27 de setembro de 2020

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