O dólar teve forte alta no mercado interno nesta sexta-feira, acompanhando o movimento global da moeda diante do aumento dos temores relacionados à guerra no Oriente Médio. As declarações firmes do presidente Donald Trump e a intensificação dos ataques entre Israel e Irã elevaram os preços do petróleo e fizeram os investidores buscarem segurança na moeda americana antes do fim de semana.
O dólar à vista chegou a atingir R$ 5,3253 e fechou em R$ 5,3163, o maior valor de fechamento desde 21 de janeiro. Durante a semana, a moeda americana subiu 1,38%, contribuindo para um avanço de 3,55% em março, após queda em fevereiro. No acumulado do ano, a valorização do dólar contra o real caiu para 3,15%, após quedas anteriores maiores.
Em entrevista à FoxNews Radio, Trump prometeu ataques fortes contra o Irã já na próxima semana, aumentando a apreensão quanto a um conflito maior e seus efeitos sobre os preços da energia. O petróleo Brent para maio fechou em alta de 2,67%, cotado a US$ 103,14 por barril, acumulando uma valorização superior a 40% neste mês e quase 70% no ano.
O real teve o pior desempenho entre as moedas emergentes mais negociadas, rompendo uma tendência positiva recente que beneficiava o país por ser exportador de petróleo. Operadores atribuem esse movimento a vendas maiores no mercado ou à realização de lucros após ganhos expressivos no começo do ano.
Marcos Weigt, chefe da Tesouraria do Travelex Bank, explicou que as moedas brasileira e australiana têm apresentado desempenho parecido, sendo as maiores altas entre as moedas emergentes e de países exportadores de commodities. Ele também mencionou leilões realizados pelo Banco Central para conter a volatilidade e a pressão nas taxas de juros atreladas ao dólar.
O índice que mede o dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, o DXY, ultrapassou a marca de 100 pontos pela primeira vez desde novembro de 2025, reforçando a tendência de valorização da moeda americana. Essa alta reflete tanto busca por segurança quanto uma revisão nas expectativas para a política de juros dos Estados Unidos, que podem se manter elevados por mais tempo devido à inflação causada pelo aumento do petróleo, segundo o especialista Bruno Shahini, da Nomad.
Mercado de ações
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,91% fechando próximo dos 177 mil pontos, marcando o menor nível desde o final de janeiro. A queda foi acentuada na segunda metade do dia, influenciada pela piora do cenário de risco com a escalada da guerra e as ameaças de Trump. A queda da bolsa reflete a saída de investidores estrangeiros e o temor frente ao fim de semana sem negociações.
Na semana, o índice recuou 0,95%, e mesmo com as perdas recentes mantém alta acumulada de 10,26% no ano. Entre as ações, 20 de 85 fecharam em alta, com destaque para SLC Agrícola, BB Seguridade e TIM, enquanto Braskem, CSN e Hapvida tiveram as maiores quedas.
Juros futuros
Os juros futuros negociados na B3 também subiram significativamente na sexta-feira, influenciados pelo aumento dos preços do petróleo e pela incerteza no cenário internacional. Os contratos de curto prazo abriram mais de 40 pontos-base, enquanto os longos também tiveram alta, refletindo o nervosismo dos investidores antes das decisões do Copom e do Federal Reserve.
O presidente Donald Trump afirmou que o conflito com o Irã só terminará quando ele decidir e que os EUA têm “munição ilimitada” para atacar. No Estreito de Ormuz, foi informado que o Irã permitiu a passagem de navios-tanque para a Índia, o que traz preocupação sobre possíveis interrupções no fluxo de petróleo.
A economista-chefe Marianna Costa, da Mirae Asset, destacou que a volatilidade nos preços do petróleo e os riscos geopolíticos têm aumentado a cautela dos investidores, dificultando a exposição a ativos de risco e influenciando a curva de juros no Brasil.
A Petrobras anunciou na sexta-feira um reajuste no preço do diesel de 11,6%, elevando o preço para R$ 3,65 por litro nas refinarias a partir do sábado. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a decisão segue a estratégia da empresa e não teve interferência do governo federal.
O cenário atual combina preocupações internacionais com tensões domésticas, como o impacto do reajuste no combustível sobre a inflação e o risco fiscal elevado, em momento delicado para as decisões dos bancos centrais brasileiros e americano.
