JÚLIA GALVÃO
ATUALIZADA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O dólar está praticamente estável nesta segunda-feira (3), enquanto os investidores ficam atentos ao novo boletim Focus e aguardam a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), prevista para quarta-feira (5).
Por volta das 10h46, o dólar caiu 0,02%, sendo negociado a R$ 5,067.
No boletim Focus divulgado hoje, os economistas reduziram pela primeira vez desde março a previsão para a taxa básica de juros para o final deste ano. Agora, esperam que a Selic termine 2026 em 13,75%, 0,25 ponto percentual abaixo do estimado na semana passada.
Sexta-feira (31), o Ibovespa teve alta de 0,47%, fechando em 177.999 pontos, apesar de atrasos de quase três horas no início das negociações devido a problemas na B3. Hoje, por volta das 10h45, o Ibovespa caiu 0,49%, para 177.118 pontos, pressionado principalmente pelas ações da Petrobras, que estão entre as maiores quedas.
Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o desempenho da Bolsa é influenciado pela forte queda do petróleo. Essa queda melhora o ânimo dos mercados globais, ao diminuir os riscos geopolíticos e aliviar pressões da inflação, mas impacta os papéis da Petrobras, impedindo um desempenho melhor do Ibovespa.
Às 10h47, o barril do petróleo Brent era vendido a US$ 83,02, com queda de 7,88%.
No fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o país pausou ataques ao Irã para tentar um acordo rápido que impeça o programa nuclear iraniano e reabra o estreito de Hormuz.
Trump afirmou que o Irã e outros países do Oriente Médio pediram trégua para finalizar um acordo que resultaria na reabertura imediata e total do estreito e no fim da ameaça nuclear do Irã. A declaração foi feita na rede Truth Social após conversa com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, aliado dos EUA.
No Brasil, a reunião do Copom está no centro das atenções esta semana, com o mercado buscando sinais sobre a política monetária, considerando uma inflação ainda sensível, segundo Otávio Araújo.
A temporada de balanços traz volatilidade, com os resultados do Itaú, Bradesco e Petrobras como destaques. Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, o Relatório Focus trouxe revisões importantes das expectativas para a economia brasileira: a inflação prevista para 2026 caiu de 5,12% para 5,03%, e a projeção da Selic para o final do próximo ano foi reduzida de 14% para 13,75%.
“Isso mostra que o processo de queda da inflação continua e abre espaço para uma política monetária menos rígida,” afirma a especialista.
Ela destaca que a estimativa do PIB para 2026 permanece em 1,99%, enquanto para 2027 foi revista de 1,60% para 1,57%.
Com a reunião do Copom nesta quarta-feira, a revisão da Selic indica a possibilidade de corte de 0,25 ponto percentual, mas com discurso cauteloso devido ao cenário fiscal e eleitoral.
No mercado de juros futuros, os contratos abriram em queda, acompanhando a baixa do petróleo. Por volta das 11h, o DI para janeiro de 2028 estava em 13,800%, 0,06 ponto percentual menor. O contrato para janeiro de 2035 era negociado a 14,520%, em queda de 0,12 ponto percentual.
Nos EUA, o rendimento do título do Tesouro de dez anos caiu 0,99%, para 4,68%.
Os investidores também observam a nova pesquisa BTG/Nexus divulgada hoje, que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 41% das intenções de voto para o primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 37%.
A diferença entre eles caiu de 9 para 4 pontos percentuais em comparação com a pesquisa da semana passada, quando Lula tinha 42% e Flávio Bolsonaro 33%.
