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quarta-feira, 14/01/2026

Dólar cai um pouco enquanto investidores esperam nova pesquisa eleitoral

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O dólar começou o dia com uma leve queda, com os investidores aguardando os resultados de uma nova pesquisa eleitoral para a Presidência da República, feita pela Genial/Quaest.

Além disso, os analistas acompanham os desdobramentos de uma nova operação contra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e pessoas ligadas a ele, como seu cunhado Fabiano Zettel, que foi preso, e o empresário Nelson Tanure.

No cenário internacional, o mercado espera a divulgação de dados econômicos dos Estados Unidos e monitora recentes tensões geopolíticas.

Às 9h10, o dólar estava com queda de 0,13%, cotado a R$ 5,3688. No dia anterior, fechou com variação positiva de 0,05%, cotado a R$ 5,374, e a Bolsa caiu 0,72%, chegando a 161.973 pontos.

Os investidores ajustaram suas expectativas sobre as taxas de juros nos Estados Unidos depois que os dados de inflação ficaram dentro do esperado.

Segundo o relatório CPI (Índice de Preços ao Consumidor), a inflação subiu 0,3% em dezembro, após a eliminação de distorções causadas pela paralisação do governo federal. No acumulado do ano, o índice cresceu 2,7%.

O aumento da inflação veio após a notícia de que a taxa de desemprego caiu em dezembro, mesmo com crescimento moderado do emprego.

Esses resultados reforçam a previsão de que o Fed manterá as taxas de juros estáveis na reunião deste mês: 95% dos operadores, segundo a ferramenta CME FedWatch, acreditam que as taxas ficarão entre 3,5% e 3,75%. Apenas 5% esperam um corte de 0,25 ponto percentual.

A possibilidade de pausa nos cortes já havia sido mencionada por Jerome Powell no último encontro de 2025.

O banco central dos EUA atua com o objetivo de garantir pleno emprego e controlar a estabilidade dos preços ao consumidor. Com esses indicadores relativamente estáveis, o mercado entende que o Fed está bem posicionado para observar o andamento da economia antes de decidir por mais mudanças nas taxas.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, afirma que “depois dos três cortes desde setembro, os juros estão próximos do nível neutro, o que permite ao Fed esperar e analisar os dados antes de tomar novas decisões”.

Taxas de juros altas nos EUA costumam atrair investidores de todo o mundo. Como a economia americana é vista como estável, os investimentos em renda fixa lá são considerados seguros, tornando outros ativos menos atraentes.

No Brasil, prevalece a estratégia conhecida como carry-trade, que consiste em tomar empréstimos nos EUA para investir em ativos brasileiros, aproveitando a diferença das taxas de juros. A Selic está em 15% ao ano desde junho do ano passado.

Esse movimento faz com que investidores comprem reais, desvalorizando o dólar.

O Fed também está no foco dos investidores devido a uma investigação criminal aberta por procuradores federais contra Powell sobre a reforma do edifício do banco central em Washington. A investigação busca apurar se ele omitiu informações ao Congresso sobre a obra.

Os mercados interpretaram essa investigação como uma pressão do governo por cortes nos juros, gerando preocupações sobre a independência do Fed.

Em comunicado, Powell afirmou que a investigação “deve ser vista no contexto das pressões contínuas do governo”.

Ele ressaltou que a ameaça de acusações criminais decorre do fato de o Fed definir as taxas com base em análises para o benefício público, não seguindo as preferências do presidente Donald Trump. Powell destacou a importância da autoridade monetária atuar de forma independente, sem sofrer pressões políticas.

Trump pediu repetidamente a renúncia de Powell e pressionou por cortes nos juros. Em novembro de 2025, afirmou que gostaria de demiti-lo por não baixar as taxas mais rapidamente.

Em entrevista à NBC News, Trump negou envolvimento na investigação e criticou o presidente do Fed: “Eu não sei nada sobre isso, mas ele certamente não é muito bom no Fed, nem em construir prédios”.

Segundo Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, os mercados valorizam a independência dos bancos centrais. “O Fed é a principal instituição financeira mundial e, diante dessas turbulências, investidores estão vendendo dólares e aumentando a busca por ativos seguros, como ouro e prata, que têm batido recordes”.

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