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sábado, 10/01/2026

Dólar cai para R$ 5,36 e Bolsa sobe com foco em inflação do Brasil e emprego nos EUA

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O dólar está caindo nesta sexta-feira (9), enquanto os investidores analisam dados do Brasil e dos Estados Unidos para entender as próximas decisões sobre juros em ambos os países.

No Brasil, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mostrou que a inflação de 2025 ficou abaixo do limite estipulado pelo Banco Central (BC). Nos EUA, o relatório payroll indicou que o mercado de trabalho desacelerou mais do que o esperado em dezembro.

Às 12h15, o dólar estava em queda de 0,43%, cotado a R$ 5,366. Já a Bolsa de Valores subiu 0,59%, alcançando 163.910 pontos.

O IPCA, que é o índice oficial da inflação no Brasil, fechou 2025 com uma alta acumulada de 4,26%, abaixo do teto de 4,5% definido pelo BC, mas acima da meta de 3%. Em dezembro, a inflação mensal foi de 0,33%, maior que os 0,18% registrados em novembro.

Esses números estão alinhados com as projeções dos analistas consultados pela Bloomberg, que esperavam uma alta de 4,26% no ano e de 0,33% em dezembro.

Embora a inflação esteja dentro da faixa tolerada pelo BC, especialistas acreditam que ainda há pressão nos preços ao consumidor, o que deve impedir cortes na taxa Selic no curto prazo. A Selic está em 15% ao ano desde junho de 2025.

André Valério, economista sênior do Inter, destaca que o dado de dezembro deixa uma sensação negativa qualitativamente falando, especialmente por ser um período com inflação sazonal. Segundo ele, isso elimina a possibilidade de corte de juros na reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), mas o início do ciclo de redução pode ocorrer em março.

Valério também ressalta que a expectativa é que o índice acumulado de inflação em 12 meses caia para abaixo de 4% rapidamente, o que poderia permitir cortes na taxa de juros nos primeiros meses de 2026.

Essa perspectiva fortalece o real em relação ao dólar, já que o diferencial das taxas de juros entre Brasil e EUA deve continuar elevado. Essa situação incentiva uma estratégia conhecida como carry trade, em que investidores tomam empréstimos a juros baixos nos EUA e investem em mercados com juros mais altos, como o Brasil, valorizando o real.

Nos EUA, o relatório payroll, indicador preferido do Federal Reserve (Fed) para o mercado de trabalho, mostrou que a criação de empregos desacelerou mais do que o esperado em dezembro, com 50 mil vagas abertas contra a expectativa de 60 mil. Contudo, a taxa de desemprego caiu para 4,4%. Isso sugere que o mercado está em um estágio de cautela, com poucos contratações e demissões.

Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, comentou que o cenário indica uma moderação gradual que reduz o risco de recessão iminente, mas também diminui a urgência para cortes expressivos nas taxas de juros nos EUA, atualmente entre 3,50% e 3,75%. Espera-se que os juros americanos caiam lentamente ao longo de 2026.

O banco central dos EUA reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual em dezembro, mas sinalizou uma pausa para avaliar melhor a direção da economia. A maior parte dos investidores (95%) acredita que a taxa será mantida na reunião de janeiro, enquanto 5% esperam um novo corte.

Ricardo Trevisan também destacou que a divulgação conjunta dos dados do payroll e do IPCA mostra a assimetria dos mercados globais em 2026. Enquanto o mercado de trabalho dos EUA desacelera, o Brasil conclui 2025 com inflação controlada, o que pode permitir um afrouxamento na política monetária.

Ele reforça que os investidores devem focar em empresas sólidas e com boa capacidade de gerar valor independentemente das condições econômicas, pois a volatilidade nos mercados será alta, porém cheia de oportunidades.

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