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Economia

Dólar cai para R$ 5,21 e Bolsa atinge nova alta histórica

Foto: Reprodução

TAMARA NASSIF
FOLHAPRESS

O dólar caiu bastante nesta terça-feira (27), chegando a R$ 5,2067, o menor valor desde maio de 2024, quando estava em R$ 5,16. Esse movimento ocorreu devido a vários fatores que aumentaram o interesse dos investidores em ativos brasileiros.

Durante o dia, o dólar chegou a valer R$ 5,198. Essa queda também aconteceu em outras moedas fortes, com o índice DXY caindo 0,86%, atingindo seu menor nível desde 2022.

Ao mesmo tempo, a Bolsa de Valores brasileira subiu 1,79%, chegando a 181.919 pontos. Esse foi um recorde histórico para o índice Ibovespa, que ultrapassou 181 mil, 182 mil e 183 mil pontos pela primeira vez, atingindo no pico do dia 183.359 pontos.

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Investidores estrangeiros têm aportado mais de R$ 17,7 bilhões no Brasil desde o início de janeiro até o dia 23, o que representa mais de 60% do total investido por essa categoria no ano passado, segundo a B3.

O principal motivo para essa valorização do real e da Bolsa foi o IPCA-15 (um índice que serve como prévia da inflação) de janeiro, que subiu 0,2%, um pouco abaixo do esperado, mostrando um controle maior da inflação.

Por outro lado, o índice acumulado em 12 meses subiu para 4,5%, exatamente o limite da meta de inflação definida pelo Banco Central.

Essa divulgação veio um dia antes da decisão sobre os juros do Copom em 2026, que também coincide com a decisão do Fed, o banco central dos EUA.

Especialistas acreditam que a taxa de juros deve ser mantida em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. Porém, o resultado do IPCA-15 sugere que pode haver uma mudança no discurso para indicar a possibilidade de cortes nos juros já na próxima reunião, em março.

André Valério, economista do Inter, disse que embora o resultado seja pouco relevante para a decisão imediata, ele espera ajustes no comunicado para refletir a possibilidade de início de corte nos juros.

O índice também mostra uma tendência de queda da inflação a longo prazo, graças à valorização do real e à queda dos preços dos alimentos. A redução no preço da gasolina pela Petrobras também deve ajudar a baixar a inflação neste trimestre.

Segundo o boletim Focus, especialistas preveem um corte de 0,5 ponto percentual nos juros em março, com a Selic chegando a 12,25% no final do ano e a inflação a 4%.

João Abdouni, analista da Levante Inside Corp, destacou que a política monetária está começando a controlar os preços, aumentando a expectativa de cortes nos juros ou pelo menos um discurso mais moderado do Banco Central.

Para a Bolsa, juros mais baixos são positivos, pois fazem os investidores buscarem melhores retornos em ativos mais arriscados. A XP informa que, historicamente, ciclos de redução de juros levaram o Ibovespa a subir em média 39,2%.

O mercado espera que a Bolsa continue subindo ao longo do ano, apesar da volatilidade devido às eleições presidenciais em outubro.

Essa situação também atrai investidores para mercados menos impactados por tensões geopolíticas e econômicas, e isso ajudou tanto o índice Ibovespa a subir quanto o dólar a cair contra o real.

João Duarte, especialista da One Investimentos, explicou que a queda do dólar é resultado de um maior apetite por risco no exterior e da rotação de capital para fora dos EUA. Ele afirmou que a alta do Ibovespa indica um forte ingresso de dinheiro no Brasil.

A decisão do Fed na mesma data é observada com atenção. O mercado espera que a taxa de juros dos EUA seja mantida entre 3,5% e 3,75%, mas os ataques do ex-presidente Donald Trump ao banco central geram preocupação.

Trump defende uma redução drástica da taxa de juros para 1,5%, o que contrasta com a expectativa do Fed.

O presidente do Fed, Jerome Powell, está sob investigação federal relacionada a uma reforma da sede da instituição, o que ele classificou como uma tentativa de pressioná-lo a reduzir os juros.

Matthew Ryan, chefe de estratégia da Ebury, acredita que, apesar do resultado esperado da reunião, a retórica pode ser agressiva devido aos bons dados econômicos e à pressão de Trump contra a independência do Fed.

Com a proximidade da escolha do novo presidente do Fed, após o mandato de Powell terminar em maio, o mercado teme que seja escolhido um presidente que atenda mais as demandas políticas do que os dados econômicos.

Boletim Imprensa Pública

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