O dólar caiu e a Bolsa de Valores ficou praticamente estável nesta sexta-feira (20), depois que a Suprema Corte dos EUA decidiu acabar com as tarifas impostas por Donald Trump.
O índice que mede a força do dólar em relação a outras moedas fortes começou a cair após essa decisão. Às 13h18, o dólar estava 0,86% mais baixo, sendo cotado a R$ 5,18, próximo da menor cotação dos últimos dois anos. A Bolsa teve uma leve queda de 0,05%, ficando quase estável.
A decisão da Suprema Corte, por seis votos a três, declarou ilegal as tarifas que Trump havia colocado contra vários países. Essas tarifas foram aplicadas com base numa lei de 1977, feita para situações de emergência. A Corte questionou se o presidente tinha o direito legal para aplicar essas tarifas sozinho.
Esse resultado representa um golpe para Trump, que perde apoio político, e pode ser obrigado a devolver cerca de US$ 175 bilhões em tarifas arrecadadas. Otávio Araújo, consultor da ZERO Markets Brasil, disse que esta decisão diminui o risco para países emergentes e melhora o interesse por investimentos nessas economias.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, comentou que o mercado reagiu bem, pois a retirada das tarifas reduz incertezas e os custos para empresas, podendo aumentar a produtividade.
Nos Estados Unidos, o Produto Interno Bruto cresceu 1,4% no último trimestre, menos do que os 3% esperados. A inflação básica, medida por um índice favorito do Banco Central dos EUA, subiu 0,4% em dezembro, mais do que o esperado.
Rodrigo Marcatti, economista, afirmou que esses dados indicam uma economia americana mais fraca, o que ajuda o dólar a enfraquecer e traz mais investimentos para os países emergentes.
Nickolas Lobo, especialista da Nomad, alertou que a inflação persistente acima da meta dificulta o Banco Central dos EUA em baixar os juros para estimular a economia.
A tensão entre EUA e Irã também está em foco. Mesmo com negociações para evitar guerra, os EUA aumentaram a mobilização militar, o que elevou o preço do petróleo.
No Brasil, a agenda econômica está tranquila. O Banco Central fará leilões para vender dólares e controlar a moeda, oferecendo US$ 2 bilhões no total. Esses leilões ajudam a aumentar a oferta de dólares e assim, diminuir o preço da moeda.
Segundo o Boletim Focus, economistas esperam que o dólar termine 2026 valendo R$ 5,50. Marcio Riauba, da StoneX, comentou que a moeda pode variar no curto prazo devido a indicadores externos e ao cenário político no Brasil.
Nos últimos meses, o Brasil tem atraído investimentos estrangeiros, por causa das incertezas políticas nos EUA e dos altos juros no país, que chegam a 15% ao ano, o mais alto em quase 20 anos.
Essa diferença nos juros entre Brasil e EUA torna mais atrativa a estratégia conhecida como carry trade, onde investidores pegam dinheiro emprestado em países com juros baixos e aplicam onde os juros são maiores, como no Brasil, ganhando com essa diferença.
Assim, quanto maior essa diferença de juros, maior o fluxo de dólares para o Brasil, ajudando a valorizar o real.

