MATHEUS DOS SANTOS
FOLHAPRESS
O dólar teve uma forte queda nesta quarta-feira (19), após o Tesouro dos Estados Unidos anunciar o aumento do volume de recompra de títulos públicos de prazo longo.
Os investidores também esperam a divulgação da ata da última reunião do Fed (Banco Central dos EUA), prevista para a tarde.
Às 12h50, o dólar era cotado a R$ 5,167, caindo 1,02%, acompanhando a tendência no mercado internacional. O índice DXY, que mede o dólar frente a seis moedas principais, caiu 0,77%.
A Bolsa de Valores subiu, com o Ibovespa avançando 1,24%, alcançando 168.407 pontos, impulsionado pelas ações da Vale e Petrobras, além de ajustes após quedas recentes. No pico, o índice chegou a subir 2,41%, a 170.340 pontos.
O Departamento do Tesouro americano declarou que dobrará o valor das recompras de títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos, passando de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões. Esta medida visa aumentar a liquidez do mercado, que possui um volume de dívida pública avaliado em US$ 30 trilhões.
Essa ação afeta diretamente o mercado, já que a alta nos juros dos títulos americanos torna-os mais atrativos, valorizando o dólar e afetando negativamente ativos de mercados emergentes, como o real e a Bolsa brasileira.
Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, explica que a recompra gera um aumento na demanda pelos títulos, elevando seu preço e consequentemente reduzindo as taxas de juros.
Segundo Leonel Oliveira Mattos, analista da StoneX, a alta dos rendimentos dos títulos de longo prazo indica uma menor demanda, pois investidores exigem juros maiores para investir.
Essa movimentação reflete preocupações fiscais dos EUA, com déficits elevados e falta de uma consolidação fiscal clara, o que levanta dúvidas sobre a capacidade de pagamento futura do país.
Após o anúncio, o rendimento dos títulos de 30 anos diminuiu para 5,2%, após atingir um pico recentemente.
No Brasil, os juros futuros recuaram na mesma linha, com a taxa DI de 2028 caindo para 13,86% e a de 2035 para 14,625%, indicando expectativas mais moderadas para a Selic.
O mercado também aguarda a ata do Fed, que pode dar sinais sobre a futura política de juros. Na última reunião, a taxa básica foi mantida entre 3,5% e 3,75%.
Leonel Oliveira Mattos destaca que a ata tradicionalmente não provoca grandes mudanças, por ser divulgada semanas após a decisão, mas o estilo do Fed sob Kevin Warsh dá mais atenção ao documento.
Além disso, há incertezas devido aos conflitos no Oriente Médio. Na terça-feira, os mercados de renda fixa sofreram, com rendimentos dos títulos em alta, enquanto o petróleo foi pressionado por disputas geopolíticas no estreito de Hormuz.
O presidente dos EUA, Donald Trump, postou uma imagem chamando o estreito de Hormuz de “novo território americano”, em meio à estagnação de negociações diplomáticas com o Irã.
Trump afirmou que o bloqueio naval americano aos portos iranianos continua e que não há negociações em curso.
O principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, condicionou a reabertura do estreito ao cumprimento dos termos de um acordo provisório, incluindo o fim do bloqueio americano, suspensão de sanções ao petróleo, liberação de ativos iranianos e cessação de ameaças militares.
O estreito de Hormuz é uma rota crucial para o comércio global, responsável por cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito comercializados mundialmente antes da guerra.
