O dólar fechou a sexta-feira, 27, em queda de 0,10%, cotado a R$ 5,1340, atingindo o menor valor desde maio de 2024. O mês de fevereiro termina com a moeda americana desvalorizada em 2,16% frente ao real, que mostra um dos melhores desempenhos entre moedas de países emergentes.
O movimento de baixa do dólar foi influenciado por fatores técnicos típicos do fim do mês, como ajustes na taxa ptax e a rolagem de contratos futuros. No cenário internacional, a moeda americana caiu contra outras moedas fortes, enquanto apresentou variações diversas frente a moedas emergentes.
O preço do petróleo subiu mais de 2%, devido à falta de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano. O real tem sido favorecido pelo fluxo estrangeiro e pela expectativa de continuidade na queda da taxa de câmbio, mesmo diante de ruídos políticos internos.
Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, destacou que, apesar das oscilações, o dólar se manteve abaixo do nível de R$ 5,15, com pouca pressão para valorização. Ele ressaltou que o ambiente político atual não teve impacto significativo nos ativos financeiros, com a expectativa de que as questões políticas sejam precificadas após abril.
O índice de preços ao consumidor (IPCA-15) de fevereiro veio acima das expectativas, aumentando ligeiramente a cautela quanto a cortes agressivos na taxa Selic pelo Banco Central. Ainda assim, analistas aguardam um corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Na bolsa, o Ibovespa recuou 1,16% na sexta-feira, acumulando alta de 4,09% em fevereiro e 17,17% no primeiro bimestre, seu melhor desempenho inicial de ano desde 1999. A volatilidade foi influenciada por fatores como tensões geopolíticas, preocupações com a política comercial dos EUA e o impacto da inteligência artificial em setores tradicionais.
Bruna Centeno, economista da Blue3 Investimentos, e Bruna Sene, analista da Rico, comentaram sobre a pressão sobre o Ibovespa causada pela surpresa do IPCA-15 e pelos ruídos no cenário internacional, apesar do suporte das ações de empresas ligadas a commodities como Vale e Petrobras.
O cenário político e econômico ligado à corrida eleitoral deve provocar mais volatilidade no segundo semestre, mas, por enquanto, a redução da exposição a ativos dolarizados e o interesse em moedas fortes beneficiam o real. A expectativa é que o dólar possa recuar ainda mais, aproximando-se de R$ 5,00 nos próximos meses.
Contexto do Mercado
Apesar das turbulências, o mercado brasileiro demonstra resiliência, com o real e o Ibovespa destacando-se entre seus pares. A incerteza internacional e a política doméstica continuam a ser fatores de atenção, mas não alteram a perspectiva de queda gradual do dólar e ajustes moderados na bolsa.
Otávio Oliveira, gerente de tesouraria do banco Daycoval, confirmou que os efeitos da corrida presidencial sobre a taxa de câmbio devem ser mais sentidos a partir do meio do ano, enquanto agora o ambiente global exerce maior influência.
Perspectivas para a Política Monetária
O IPCA-15 acima do esperado levou a revisões nas estimativas de inflação para fevereiro, mas não muda a expectativa predominante de corte moderado da Selic em março. Analistas apontam que a inflação de serviços e demais núcleos pressionados sugerem cuidado nos cortes futuros.
Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, explica que a surpresa inflacionária afastou as apostas em cortes maiores na taxa básica de juros, com algumas instituições considerando inclusive cortes menores.
Em resumo, o mercado segue adaptando suas estratégias diante das informações econômicas, com o dólar e a bolsa refletindo as expectativas de estabilidade e ajustes graduais nos próximos meses.

