O dólar fechou em queda pelo quinto dia seguido nesta quarta-feira (25), com recuo de 0,57%, chegando a R$ 5,124. Durante o dia, o que mais chamou atenção dos investidores foi a situação política do país e o ambiente internacional.
O mercado mostrou mais interesse em investimentos de risco, com expectativas positivas para o setor tecnológico nos Estados Unidos, principalmente com a divulgação esperada dos resultados da Nvidia após o fechamento da bolsa no Brasil.
Esse fechamento do dólar é o mais baixo desde 21 de maio de 2024, quando ele estava a R$ 5,123. No momento mais baixo do dia, a moeda americana chegou a R$ 5,118.
A bolsa de valores caiu 0,12%, terminando aos 191.247 pontos, pressionada pelas ações dos bancos brasileiros, mesmo com o índice atingindo um recorde intradiário de 192.623 pontos durante o pregão.
Bruno Shahini, especialista da Nomad, disse que a queda do dólar reflete uma melhora no cenário internacional, onde aumentou o apetite por risco, com valorização dos maiores índices globais de ações. Também ressaltou que a percepção de uma disputa eleitoral mais equilibrada ajudou a reduzir os riscos e atrair investimentos para o Brasil.
Uma pesquisa divulgada mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em simulações de segundo turno da eleição presidencial.
No segundo turno, Flávio Bolsonaro tem 46,3% contra 46,2% de Lula, enquanto Tarcísio aparece com 47,1% contra 45,4% do presidente atual. A margem de erro é de um ponto percentual.
Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, comentou que o mercado tende a reagir melhor a candidatos com propostas mais liberais, focados em privatizações e temas pró-mercado.
No cenário internacional, o discurso do ex-presidente Donald Trump ao Congresso dos EUA não alterou a política econômica do país, embora tenha indicado que as tensões podem aumentar caso autoridades iranianas não aceitem negociar sobre o programa nuclear.
Esse possível conflito pressiona o preço do petróleo, pois cerca de 20% da produção mundial passa pelo estreito de Hormuz, uma região fundamental para o transporte da commodity. Qualquer ameaça à navegação na área afeta a oferta esperada.
Porém, os preços do petróleo perderam força após a notícia de que a Opep+ planeja aumentar a produção em 137 mil barris por dia a partir de abril.
Nos Estados Unidos, o otimismo com a Nvidia elevou os índices Dow Jones (0,59%), S&P 500 (0,81%) e Nasdaq Composite (1,30%). Investidores buscam sinais de crescimento nos lucros da empresa, impulsionados pelos bilhões em investimentos previstos para o setor tecnológico até 2026. As ações da Nvidia subiram 1,6%.
Recentemente, o governo dos EUA anunciou redução da tarifa sobre alguns produtos de 15% para 10%, o que valorizou moedas e ações em mercados emergentes como o Brasil.
Lucca Bezzon, analista da StoneX, explicou que essa redução favorece economias com juros mais altos e retornos atrativos, como o Brasil.
A nova tarifa foi adotada após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal a tarifa anterior, que havia sido baseada numa lei de emergência. Agora, a tarifa se baseia em um dispositivo de 1974 que permite ao presidente aplicar taxas temporárias em casos de déficits na balança comercial.
No Brasil, a expectativa é que essas novas tarifas sejam benéficas, pois são menores que as anteriores, aumentando o interesse no mercado nacional, que já é atrativo devido à entrada de investidores estrangeiros.
O fluxo desses investidores é resultado da busca por diversificação global, motivada por incertezas políticas no governo Trump e pelos juros elevados no Brasil, que estão em 15%, o maior em quase 20 anos.
Esse cenário favorece operações de carry trade, em que investidores captam recursos em países com juros baixos, como os EUA, para aplicar em ativos brasileiros com juros altos e ganhar com o diferencial, fortalecendo o real.

