O dólar iniciou o dia com uma leve queda nesta quarta-feira, diferente do que ocorreu em outros mercados emergentes onde as moedas se desvalorizaram frente ao dólar.
Os investidores estão atentos à divulgação dos dados de emprego e economia dos Estados Unidos, além dos avanços nas investigações envolvendo o Banco Master no Brasil.
Por volta das 9h12, o dólar caiu 0,29%, sendo negociado a R$ 5,233. Na terça-feira, a Bolsa de Valores subiu 1,57%, fechando em um recorde de 185.674 pontos. Essa alta da Bolsa e a queda do dólar refletem uma valorização do real durante o pregão.
Esse movimento foi impulsionado pelo aumento do interesse em ativos de maior risco e pela maior entrada de capital estrangeiro no país.
O mercado reagiu positivamente com a publicação da ata da última reunião do Copom, que indicou a intenção do Banco Central de cortar a taxa básica de juros na próxima reunião em março.
O índice Ibovespa, principal referência do mercado acionário brasileiro, alcançou pela primeira vez a marca histórica de 185 mil pontos, chegando no pico do dia a 187.333 pontos.
A ata destacou que a possível redução na taxa Selic em março é consequência da melhora no controle da inflação e da aproximação das expectativas em relação à meta de 3% de inflação.
O Copom enfatizou a importância de manter os juros em níveis elevados até que se confirme a desaceleração da inflação e a convergência das expectativas ao ponto central da meta.
Segundo Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, o ritmo e a magnitude dos cortes de juros ainda são incertos, embora os dados possam acelerar essa redução ao longo do ciclo.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, concorda que a tendência é de queda nos juros, o que favorece o mercado acionário brasileiro, especialmente enquanto o diferencial de juros com os EUA permanecer alto.
Ela explica que o carry trade continua atraente, onde investidores tomam dinheiro emprestado a juros menores, como nos EUA, para investir em ativos com rendimento maior no Brasil.
De acordo com Davi Lelis, especialista da Valor Investimentos, a alta do Ibovespa coincide com o aumento do fluxo de investidores estrangeiros que buscam alternativas fora dos mercados norte-americanos.
Um relatório da consultoria Elos Ayta indicou que o volume de investimentos estrangeiros na B3 em janeiro superou o total de todo o ano anterior.
Kevin Warsh foi indicado para o Federal Reserve pelo presidente Donald Trump e deverá assumir o cargo em maio, substituindo Jerome Powell. Sua indicação ainda precisa ser aprovada pelo Senado.
Warsh é conhecido por adotar uma postura mais rigorosa no combate à inflação, o que contrasta com o desejo de Trump de redução dos juros para 1%, atualmente entre 3,5% e 3,75%.
Apesar disso, especialistas como Gabriel Cecco afirmam que Warsh pode ser mais flexível em relação ao crescimento econômico e menos inclinado a manter juros elevados por muito tempo.
No cenário interno brasileiro, a possível indicação de Guilherme Melo, secretário de política econômica da Fazenda, para o Banco Central, tem causado cautela no mercado, refletida em juros futuros mais altos.
Guilherme Melo tem ligação com o PT e sua nomeação pode indicar maior influência do governo no Banco Central.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou já ter indicado o nome de Melo para uma diretoria do Banco Central.
