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Economia

Dólar cai e fecha abaixo de 5 reais pela primeira vez desde maio

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

São Paulo, 06 – Depois de cair mais de 4% na segunda-feira, o dólar continuou sua queda, fechando abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez desde maio. O motivo é a expectativa de que a oposição se saia bem nas eleições presidenciais, o que reduz os riscos para a economia brasileira.

O real também se beneficiou da melhora das moedas de países em desenvolvimento, com a queda dos juros nos Estados Unidos e a baixa nos preços do petróleo. Embora o real tenha caído menos que outras moedas, especialistas acreditam que a valorização ainda deve continuar, porém de forma mais lenta.

Pela manhã, o dólar chegou a atingir R$ 4,9456, e fechou o dia valendo R$ 4,9756, a menor cotação desde 12 de maio. Nos últimos dois dias, o dólar caiu 4,62%, e no ano já acumula perda superior a 9%, ficando atrás apenas do peso colombiano entre as moedas que mais se valorizaram.

O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, diz que essa valorização é causada pela expectativa de uma reforma fiscal em um governo liderado por Flávio Bolsonaro. Alguns líderes regionais já declararam apoio ao candidato, que busca também o apoio de partidos do Centrão.

Galhardo explica que, mesmo com a queda forte do dólar, a moeda deve continuar valorizando de forma mais moderada, pois a aprovação de uma reforma fiscal ampla precisará de muita negociação política.

O analista de câmbio Norman Liebke, do banco alemão Commerzbank, alerta para o otimismo cauteloso, já que o parlamento continua fragmentado e pode haver dificuldades para aprovar medidas pró-mercado.

No cenário internacional, o índice DXY, que mede a força do dólar em relação a outras moedas importantes, caiu 0,31%. A alta das taxas de juros nos Estados Unidos limita a força do real, apesar da queda na taxa de risco do Brasil.

Na bolsa de valores, houve uma leve queda de 0,52%, mas o índice Ibovespa permanece acima dos 200 mil pontos, mostrando que o mercado financeiro continua otimista com a possibilidade de mudança no governo e de juros menores, favorecendo as empresas nacionais.

Apesar do otimismo, investidores começam a aproveitar os lucros, reduzindo um pouco os ganhos recentes. O mercado está atento às decisões do candidato vencedor, especialmente para reformas fiscais mais claras e concretas.

Juros

Os juros futuros reagiram positivamente à liderança inesperada de Flávio Bolsonaro, mas ainda há insegurança sobre a economia brasileira. As taxas de juros para prazos mais longos apresentaram variações pequenas, refletindo dúvidas sobre o caminho da política fiscal.

A redução das incertezas políticas pode levar a uma queda maior nas taxas de juros, mas investidores ainda mantêm cautela diante da falta de medidas claras. A expectativa é que o Banco Central mantenha a Selic estável ou, no máximo, reduza ligeiramente a taxa no fim do ano.

Especialistas ressaltam que o cenário pode mudar dependendo dos próximos resultados das pesquisas eleitorais e das decisões políticas relacionadas à economia e à inflação.

Em resumo, a queda do dólar abaixo dos cinco reais indica confiança do mercado na possibilidade de mudanças políticas positivas, mas ainda há muita cautela quanto à efetividade das reformas e à estabilidade econômica futura.

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