FOLHAPRESS
O dólar terminou o dia em queda de 0,81%, cotado a R$ 5,218, depois de forte nervosismo na véspera. Durante o dia, a moeda americana ficou toda no negativo, chegando a R$ 5,192 no começo da tarde. No dia anterior, com o aumento do conflito no Oriente Médio, o dólar subiu de R$ 5,164 para R$ 5,261.
Os investidores estão atentos à situação no Irã, principalmente quanto aos impactos no mercado de energia. Mas hoje o humor é melhor, com mais vontade de investir em ativos de risco, o que também fez a Bolsa de Valores brasileira subir.
O Ibovespa subiu 1,32%, chegando a 185.366 pontos, recuperando-se da queda de mais de 3% de ontem.
Outros mercados globais também mostraram maior disposição para investimentos arriscados. Em Wall Street, o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq avançaram 0,5%, 0,8% e 1,3%, respectivamente. As bolsas europeias, como Euro Stoxx 600, FTSE (Londres), CAC (Paris) e DAX (Frankfurt), subiram cerca de 1% cada.
Por outro lado, as bolsas asiáticas foram as únicas em queda. A Bolsa de Seul caiu 12%, a maior queda diária da sua história, após já ter caído 7% no dia anterior. O Nikkei, do Japão, caiu 3%; o Hang Seng, de Hong Kong, 2%.
O dólar caiu perante várias moedas, inclusive de países emergentes, como o rand da África do Sul, peso chileno, peso mexicano e real. O índice DXY, que compara o dólar a seis moedas fortes, caiu 0,27%.
Além disso, outros ativos como o petróleo tiveram alta de 12% nos últimos dois dias. O barril de Brent, referência internacional, estava perto de US$ 81, uma leve queda de 0,12% em relação a terça-feira, mas ainda um valor alto desde janeiro de 2025.
Por sua vez, as ações da Petrobras caíram 1% na B3.
Bruno Shahini, especialista da Nomad, comenta que o dia foi de ajuste após o nervosismo do dia anterior. A estabilidade do preço do petróleo ajudou a aliviar a pressão sobre o dólar.
Ele destaca que a ideia de que os EUA podem garantir o transporte de petróleo pelo estreito de Hormuz ajudou a diminuir a preocupação geopolítica e a demanda pelo dólar.
Donald Trump mencionou a possibilidade de enviar a Marinha para escoltar os navios petroleiros pelo estreito, por onde passa 20% do petróleo e gás mundial.
Porém, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que controla totalmente a passagem pelo canal e que o estreito está sob seu controle.
O Irã declarou ter fechado o estreito na segunda-feira, e o Qatar suspendeu a produção de gás natural liquefeito, fazendo instalações de petróleo e gás fecharem temporariamente no Oriente Médio. O Qatar responde por cerca de 20% da oferta global.
Lucca Bezzon, analista da Stonex, alerta que apesar do anúncio de Trump, ainda é incerto se a Marinha dos EUA poderá escoltar os navios, e se as empresas enviarão seus navios por ali. Caso haja aumento no trânsito, os riscos podem diminuir e o preço do petróleo pode diminuir.
O maior temor é que a guerra cause interrupções longas no mercado de energia. Se o conflito durar, o preço alto das commodities pode aumentar a inflação, especialmente em países que já estão reduzindo os juros, como os EUA.
Isso desvaloriza mercados emergentes e pode reduzir o investimento estrangeiro, que foi alto no Brasil nos primeiros meses do ano.
João Ferreira, sócio da One Investimentos, diz que os ataques foram inesperados e mudam o cenário para investimentos.
O The New York Times informou que agentes iranianos entraram em contato com a CIA após os ataques, mas os EUA acham difícil que haja uma próxima trégua rápida.
Art Hogan, estrategista da B Riley Wealth, comenta que isso é uma boa notícia, mas não se pode ter certeza, pois os objetivos do governo ainda não foram alcançados.

