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quinta-feira, 29/01/2026

Dólar cai e bolsa sobe com sinal de corte de juros pelo Copom

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O dólar apresentou queda nesta quinta-feira (29), depois que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano pela quinta vez seguida, mas indicou que poderá reduzir os juros já na próxima reunião, em março.

Os investidores também estão atentos aos dados de emprego de dezembro e à entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concedida ao jornal Metrópoles hoje pela manhã.

Por volta das 11h30, o dólar caía 0,58%, cotado a R$ 5,177, enquanto a Bolsa de Valores subia 0,63%, alcançando 185.859 pontos, caminhando para um novo recorde histórico.

O Copom informou que, se o cenário esperado se confirmar, iniciará o ciclo de cortes na taxa básica de juros a partir da próxima reunião, mas continuará controlando as medidas necessárias para garantir que a inflação volte à meta.

A decisão de manter a taxa de juros foi unânime, e o comitê preferiu não detalhar a intensidade dos próximos cortes, afirmando que a condução da política monetária será feita com cautela para assegurar o alcance da meta de inflação.

Essa definição dependerá de fatores futuros que aumentem a confiança de que a inflação estará dentro da meta, cujo objetivo é 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Com juros elevados desde junho de 2024, a inflação diminuiu em 2025, fechando o ano em 4,26%, menor índice desde 2018. Segundo a equipe econômica do banco Itaú, o comunicado do Copom mostra a necessidade de cautela e que o primeiro corte da Selic deve ser suave, de 0,25 ponto percentual, podendo chegar a 12,75% ao ano até o final do ano.

Adriana Dupita, economista da Bloomberg, acredita que o corte inicial pode ser de 0,5 ponto, especialmente se as expectativas de inflação continuarem caindo. Isso também pode estar relacionado à queda no dólar, que atingiu o menor valor em quase dois anos recentemente e tende a colaborar para a redução da inflação.

Para a bolsa, juros mais baixos são positivos, pois incentivam investidores a buscarem melhores retornos além da renda fixa. Historicamente, os ciclos de redução de juros têm impulsionado o índice Ibovespa em cerca de 39,2%.

No mercado de câmbio, contudo, o corte da Selic pode tornar o Brasil um investimento menos atrativo para capital estrangeiro, apesar do país continuar interessante para operações de carry trade, devido ao diferencial entre as taxas internas e externas.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) manteve as taxas de juros entre 3,50% e 3,75%, sem previsão para cortes futuros, justificando que a inflação permanece alta e o crescimento econômico é sólido. O presidente Donald Trump tem pressionado por reduções maiores nos juros, mas a autoridade monetária permanece firme na decisão.

O mercado também observa com preocupação a escolha do novo presidente do Fed, cujo mandato de Jerome Powell termina em maio, temendo que a decisão seja influenciada por interesses políticos, especialmente devido aos embates recentes com Trump.

Apesar dos desafios, o Brasil tem atraído capital estrangeiro para mercados emergentes, o que tem contribuído para recordes na Bolsa e a queda do dólar para patamares abaixo de R$ 5,30.

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