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Economia

dólar cai com petróleo, juros altos e tensão no oriente médio

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O dólar fechou em queda, ficando abaixo de R$ 5,09 nesta segunda-feira (20). A moeda americana desvalorizou em relação a moedas de países emergentes, mesmo com declarações mais duras do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã à tarde. A confirmação pelo Irã da proposta de mediadores para diminuir a tensão contribuiu para a expectativa de uma redução do conflito.

O real tem se beneficiado dos juros altos, que atraem operações de carry trade, e da valorização do petróleo, que melhora os termos de troca para o Brasil. O dólar à vista caiu 0,42%, para R$ 5,0896, enquanto o futuro para agosto recuava 0,50%, para R$ 5,1045. No mês, o dólar acumula queda de 1,42% e no ano, de 7,28%.

O gerente da Tesouraria do banco Daycoval, Otávio Oliveira, destacou que após o agravamento do conflito no Oriente Médio na semana anterior, houve um enfraquecimento do dólar contra moedas de emergentes devido à reação à ausência de escalada do conflito.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que a atuação dos mediadores para evitar uma escalada das tensões é real. Ainda assim, o Irã não comentou sobre possível cessar-fogo sugerido pelo Catar. Já Trump endureceu o discurso, afirmando que o Irã pagará caro por soldados americanos mortos.

O especialista entende que o conflito terá ciclos de agravamento e redução de tensões, com possíveis novos episódios de escalada e cessar-fogo.

O preço do petróleo Brent para setembro, referência para a Petrobras, subiu 1,27%, para US$ 89,22. Segundo o sócio da One Investimentos, Matheus Massote, o Brasil como exportador de petróleo é favorecido pelo aumento do preço do petróleo, o que valoriza o real.

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho, com crescimento de 6,7% nas exportações, puxado pela Indústria Extrativa.

O carry trade também é beneficiado pelo diferencial de juros altos no Brasil em relação a outros países. O Boletim Focus indicou que a mediana da inflação (IPCA) para 2028 subiu de 3,70% para 3,78%. O gerente de Tesouraria do Daycoval, Oliveira, ressalta que o Brasil enfrenta desafio fiscal independente do governo.

Bolsa

O Ibovespa encerrou o dia em baixa, com queda pelo quarto dia consecutivo. As perdas da Vale superaram o impacto positivo da Petrobras. O cenário geopolítico e a agenda doméstica fraca limitaram a recuperação do índice, que teve máxima de 174.310,57 pontos e mínima de 173.221,86 pontos, fechando em 173.371,35, recuando 0,20%. O giro financeiro foi de R$ 15,8 bilhões.

O mercado teve cautela após discurso firme de Trump e aguarda dados operacionais da Vale que serão divulgados na terça-feira (21). As maiores quedas foram de Yduqs ON (-5,11%), Assaí ON (-4,24%) e Braskem PNA (-4,04%). Os maiores ganhos ficaram com Brava ON (+2,10%), Embraer ON (+1,88%) e Hapvida ON (+1,49%).

O analista de Ativos da Monte Bravo, Bruno Benassi, resumiu o dia como “pacato, sem muitas emoções”, ressaltando a falta de fluxo local e a dependência do fluxo estrangeiro. A temporada de balanços do segundo trimestre começará na quarta-feira com a divulgação dos números da Weg. O cenário macroeconômico mais desafiador limita maiores avanços do mercado.

Juros

As taxas de juros futuros recuaram levemente até a tarde, influenciadas pela perspectiva de negociações diplomáticas entre EUA e Irã, mas os vencimentos médios e longos fecharam em leve alta devido à pressão da curva dos Treasuries e baixa liquidez.

O contrato DI para janeiro de 2027 caiu para 13,915%, enquanto os contratos para 2029 e 2031 subiram para 14,355% e 14,545%, respectivamente.

O retorno do título T-Note de 10 anos dos EUA subiu para 4,586%, refletindo preocupações com custos elevados de energia que podem dificultar o trabalho do Federal Reserve (Fed).

A estrategista macro do Goldman Sachs, Vickie Chang, comentou que o mercado está dividido entre uma política monetária mais rígida do Fed e a queda dos preços do petróleo, além do avanço da inteligência artificial nos EUA e o alívio para importadores de petróleo.

A economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta, avaliou que o restabelecimento diplomático trouxe alívio momentâneo para o mercado de renda fixa local, mas a prevalência de um cenário externo adverso limitou o movimento. O mercado brasileiro de juros seguiu sem grandes novidades, com a semana prevista para ser tranquila em termos de dados econômicos.

O boletim Focus trouxe revisões marginais nas estimativas para a inflação, com expectativa para o IPCA 2026 levemente reduzida para 5,15% e aumento para 3,78% em 2028, refletindo a proximidade da próxima reunião do Copom. A economista-chefe da BuysideBrazil, Andrea Bastos Damico, destacou que as mudanças foram limitadas em relação à semana anterior.

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