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sexta-feira, 06/03/2026




Dólar cai abaixo de R$ 5,25 mas sobe 2,14% na semana

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O dólar terminou o dia em queda, valendo menos que R$ 5,25, após oscilar bastante pela manhã. Isso aconteceu porque a moeda americana caiu frente a outras moedas que estão ligadas ao preço do petróleo, como a coroa norueguesa e o dólar canadense.

O dólar à vista fechou em R$ 5,2438, uma queda de 0,82%. Apesar disso, na primeira semana de março, o dólar subiu 2,14%, depois de ter caído 2,16% em fevereiro. No acumulado do ano, a moeda perdeu 4,47%, depois de uma queda maior antes.

Marcos Weigt, chefe da Tesouraria do Travelex Bank, explicou que mesmo com o aumento no preço do petróleo, a quantidade menor de postos de trabalho criados nos EUA levou a uma queda na taxa de juros, o que enfraqueceu o dólar. Ele também destacou que o Brasil se beneficia do preço alto do petróleo, o que ajuda o real a se valorizar.

A expectativa do mercado é que o Federal Reserve (Fed) dos EUA possa reduzir os juros em julho, com chances acima de 60%. As apostas estão divididas entre uma queda total de 0,25% ou 0,5%.

Os dados de emprego dos EUA mostraram que em fevereiro houve uma perda de 92 mil postos de trabalho, e as revisões anteriores também foram para baixo. A taxa de desemprego aumentou de 4,3% para 4,4%. Uma greve afetou os números, tirando cerca de 31 mil empregos no mês, segundo economistas da Armor Capital. Ainda assim, a taxa de desemprego mais alta indica fraqueza no mercado de trabalho.

André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, afirmou que o Fed enfrenta um dilema porque o aumento do preço do petróleo pode aumentar a inflação, mas o mercado de trabalho fraco sugere cortes nos juros. A decisão do Fed depende de qual fator pesar mais.

Stephen Miran, indicado para a diretoria do Fed, disse que o choque do petróleo pode desacelerar a economia e assim reduzir a inflação, e que o conflito no Irã o faz ser mais favorável a uma política monetária mais branda.

Mercado de ações e bolsa

O Ibovespa, índice da bolsa brasileira, sofreu pressão nesta semana, terminando em queda de 4,99%. O setor de petróleo e energia foi destaque, especialmente a Petrobras, que teve ganhos após divulgar seus resultados. No entanto, setores de metais e bancos tiveram queda.

A alta do petróleo, devido às tensões no Oriente Médio, preocupa investidores quanto à inflação global e à política de juros. O contrato do barril Brent subiu 27% na semana, e o WTI, 35%, ultrapassando US$ 90 por barril.

Outras empresas de energia, como Brava, Prio e Vibra, também tiveram valorização, enquanto empresas como Embraer, Vamos e Raízen caíram. A analista Bruna Sene comentou que o mercado ajusta sua trajetória após um início forte de ano e que notícias ruins têm causado correções mais significativas.

Juros futuros

Os juros futuros na B3 subiram, diferentemente do dólar e das ações. Isso pode ser um ajuste técnico, com investidores saindo de posições para evitar perdas.

O conflito no Oriente Médio e o aumento do preço do petróleo levaram a uma revisão das expectativas para a inflação e a política monetária do Banco Central. Agora, a chance de um corte grande na taxa Selic em março diminuiu, e muitos esperam que os juros fiquem estáveis ou com um corte pequeno.

Os contratos futuros para 2027, 2029 e 2031 tiveram alta, refletindo maior risco causado pelas tensões globais.

Marcelo Fonseca, economista do Grupo CVPAR, observou que o escoamento de petróleo pelo Estreito de Ormuz ainda não voltou ao normal, e que ataques iranianos a refinarias dificultam a oferta global.

Outro economista comentou que o movimento nos juros futuros parece técnico, com investidores protegendo posições devido à volatilidade do mercado.

Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, afirmou que a probabilidade de corte de 0,25% na taxa Selic em março aumentou para 65%, mas que o corte pode ser menor dependendo dos próximos dias, prevendo um corte total de 0,5%.




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