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terça-feira, 07/04/2026

Dívidas das famílias batem recorde e inadimplência permanece estável

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Em Brasília

Os brasileiros estão mais endividados em março, conforme relatório da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A quantidade de famílias com dívidas subiu para 80,4%, atingindo um novo recorde, em comparação com 80,2% em fevereiro e 77,1% em março do ano anterior. Esses dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

A CNC indica que o aumento do endividamento deve continuar até que a redução da taxa básica de juros, a Selic, tenha efeito direto no consumidor.

José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, comentou que os juros elevados e a alta nos preços dos combustíveis anunciam um cenário de incerteza, diminuindo o poder de compra das famílias e incentivando o uso de crédito para despesas básicas.

A pesquisa inclui como dívidas as contas a pagar em modalidades como cartão de crédito, cheque especial, carnês, crédito consignado, empréstimos pessoais e prestações de veículos e imóveis.

Houve uma leve redução na porcentagem de pessoas que se consideram “muito endividadas”, indo de 16,1% para 16,0%, e a média da renda comprometida com dívidas caiu ligeiramente, de 29,7% para 29,6%. A inadimplência se manteve estável em 29,6% no período analisado.

Além disso, o número de famílias que afirmam não conseguir pagar dívidas atrasadas diminuiu de 12,6% para 12,3%.

Endividamento maior entre as faixas de renda mais altas

O crescimento do endividamento está concentrado nas famílias de maior renda. No grupo com renda até três salários mínimos, o percentual de endividados permaneceu em 82,9%. Na faixa entre três e cinco salários mínimos, houve leve queda para 82,6%. Já entre cinco e dez salários mínimos, o índice subiu para 79,2%, e para quem ganha acima de dez salários mínimos, subiu para 69,9%.

Sobre a inadimplência, no grupo com renda até três salários mínimos, houve leve queda de 38,9% para 38,2%. Na classe média baixa (três a cinco salários mínimos), caiu para 28,7%. Entre cinco e dez salários mínimos, houve um pequeno aumento para 22,1%, e na faixa acima de dez salários mínimos, diminuiu para 14,7%.

Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, destacou que as expectativas de inflação podem pressionar especialmente o orçamento das famílias com renda menor nos próximos meses.

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