Em janeiro de 2026, a Dívida Pública Federal (DPF) do Brasil atingiu o valor de R$ 8,641 trilhões, um aumento pequeno de 0,07% em comparação com dezembro de 2025, quando estava em R$ 8,635 trilhões. Esse crescimento foi causado por juros positivos de R$ 74,79 bilhões, compensados parcialmente por resgates líquidos de R$ 68,76 bilhões, conforme o Relatório Mensal da Dívida da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).
A parte interna da dívida, chamada Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), cresceu 0,26%, passando de R$ 8,309 trilhões para R$ 8,330 trilhões, motivado por juros de R$ 88,53 bilhões e resgates de R$ 67,02 bilhões. Já a dívida externa (DPFe) caiu 4,75%, terminando o mês em R$ 310,59 bilhões, dividida entre dívida mobiliária e contratual.
Durante o mês, foram emitidos R$ 147,17 bilhões em dívidas, enquanto os resgates somaram R$ 215,93 bilhões, o que resultou no resgate líquido mencionado. Para a dívida interna, as emissões foram compostas por títulos prefixados, taxa flutuante e indexados a preços, em valores variados.
Globalmente, instabilidades políticas em países como Estados Unidos, Venezuela, Irã e Groenlândia causaram maior aversão ao risco, levando investidores a diversificar em mercados emergentes. Isso afetou a curva de juros tanto nos EUA quanto no Brasil. O CDS Brasil a cinco anos caiu quase 6%, indicando melhora na percepção do risco, e comentários do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre possível flexibilização estimularam o mercado, segundo Helano Borges Dias, coordenador-geral de Operações da Dívida Pública.
Sobre os detentores da dívida interna, instituições financeiras lideram com quase 32%, seguidas por fundos de previdência e fundos de investimento. Investidores estrangeiros aumentaram sua participação, mostrando confiança ao realocar seus investimentos, enquanto instituições financeiras e previdência reduziram levemente suas fatias.
O custo médio anual da dívida pública subiu para cerca de 12%, e o prazo médio da dívida também teve leve aumento. A parte interna teve custo aproximado de 12,76% ao ano, e a parte externa teve custo negativo devido à valorização do real frente ao dólar.
O colchão de liquidez, uma reserva para garantir pagamentos futuros, diminuiu 8,59%, ficando em R$ 1,085 trilhão, o que corresponde a quase sete meses de compromissos, acima do recomendado. Helano Borges Dias destacou que esse nível é seguro para possíveis oscilações futuras.
No Tesouro Direto, as vendas atingiram recorde de R$ 12,02 bilhões, com resgates de R$ 7,14 bilhões, resultando em emissão líquida positiva. O estoque total cresceu 3,28%, com títulos atrelados à inflação correspondendo a mais da metade das compras. O Tesouro Selic liderou a procura. O número de investidores ativos está em 3,45 milhões, com muitos investidores iniciantes no mês. A OLITEF 2026 está aberta para inscrições após ter mobilizado milhares de escolas e alunos no ano anterior.
Em fevereiro, o Tesouro lançou US$ 4,5 bilhões em bônus no mercado dos EUA, criando novos títulos de referência para 10 e 30 anos. A demanda foi alta, com forte participação da Europa e América do Norte, indicando confiança no Brasil e ajudando a alongar o prazo da dívida pública.

