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Dieta para quê? Dieta para quem?

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Afora a correta eliminação de alimentos prejudiciais à saúde, o que se vê são elucubrações sugerindo o emagrecimento por rearranjos alimentares

“Afora a correta eliminação de carboidratos refinados, gorduras sem qualidade e alimentos processados (com todos os seus aditivos) das dietas, o que temos visto são elucubrações sugerindo o emagrecimento por rearranjos alimentares”.

Há mais de duas décadas minha rotina diária contempla o tratamento de obesidade e sobrepeso, estudos sobre estas questões e as circunstâncias que se relacionam com este universo. Do alto deste simbólico belvedere me sinto à vontade para discorrer nesta coluna parte do que vejo neste cenário, especialmente no que tange aos malabarismos dietéticos visando o emagrecimento, que percorrem uma estrada do sensato ao inconsequente.

Estabelecer uma dieta como padrão de referência universal é ao menos discutível. Sempre haverá algum desrespeito cultural, geo-topográfico ou mesmo na individualidade das decisões de gestão de vida. Partamos então para uma correspondência histórica e estatística.

A dieta mediterrânica, única associada estatisticamente com maior longevidade, não suprime ou prepondera qualquer grupo alimentar. Em uma lógica absolutamente simples, sem alimentos processados e privilegiando gorduras insaturadas, grãos sem refino, verduras, legumes, frutas secas, castanhas e carnes brancas, seus adeptos angariam maior expectativa de vida, sendo ainda autorizados a adicionar uma taça de vinho às refeições. Se consumida desde a mais tenra idade provavelmente proteja do ganho ponderal, mas, se iniciada por ocidentalizados glutões a perda de peso não ocorrerá.

Dietas cartesianas para emagrecimento

Se descartarmos a coerência do escrito no parágrafo anterior e o óbvio prejuízo gerado pelo consumo de carboidratos refinados, gorduras sem qualidade e alimentos processados (com todos os seus aditivos), o que temos visto são elucubrações sugerindo o emagrecimento por rearranjos alimentares.

Ok, divagações bem intencionadas, que sobrevivem ao curto prazo, porém, capitulam ao crivo do tempo. Foram então criadas: dieta sem carboidrato, com pouco carboidrato (para essa utiliza-se o nome em inglês: Low Carb), jejum prolongado (também chamada de jejum intermitente), de alimentos inteligentes, apenas alimentos crus, dietas sem glúten, sem lactose e muitas outras. Em algumas destas versões a divisão das porções a cada três horas é imposição quase militar.

Engenharia alimentar esperançando o obeso

Sob a luz dos mesmos princípios citados acima são fabricados inúmeros itens: barras de cereais com fibras, castanhas e frutas secas; leites e derivados sem gordura e mesmo sem lactose; refrigerantes e outros itens sem açúcar. Envelopes supostamente contendo todos os itens fundamentais para suas necessidades nutricionais diárias, com substâncias sacietógenas para abstrair sua fome.

Um mar de recursos para driblar desejos e alcançar a tão esperada perda de peso são prescritos ou comprados voluntariamente pelo postulante à boa forma. Ótimo, para aqueles que o comercializam, eventualmente, bons para doenças específicas (diabetes e algumas intolerâncias) e temos dúvidas se além de inócuos no tratamento da obesidade possam também não ser inofensivos.

Algumas insuportáveis, outras insustentáveis. E as necessárias.

É inegável que a utilização das dietas sem carboidratos ou low carb são fisiologicamente alicerçadas. Esses conceitos mostram-se úteis em alguns contextos patológicos, incluindo o emagrecimento, contudo, a primeira se mostra intolerável quanto à palatabilidade à curto prazo, enquanto a low carb é enfadonha o suficiente para afastar a maior parte de seus necessitados adeptos em alguns meses.

Se o jejum prolongado (jejum intermitente) traz benefícios em algumas doenças, especialmente as de ordem inflamatória, tais como as enfermidades reumáticas, o faz provavelmente pelo período de silêncio ou abrandamento metabólico gerado pelo jejum, mas, seguramente não provoca perda de peso sustentada.

Portadores de doença celíaca, menos em algumas outras formas de intolerância ao glúten, carecem da retirada deste item da dieta. É imperativo. Porém, se a pretensão ao abstrair essa proteína da dieta é abandonar o alto peso, não o faça. Não emagrece. Raciocínio semelhante seja feito para os intolerantes à lactose, se a dieta for adotada com intenções adelgaçadoras, esqueça.

Onde erramos?

O problema é o de sempre, o irritante tempo revelando a falibilidade humana. Os centros da fome e saciedade “definitivamente modificados” por disruptores endócrinos (substâncias ingeridas ou inaladas) é uma causa provável. Equívocos dietéticos e comportamentais a caminho da vida adulta gerando novo status no famigerado termostato é outra explicação.

O açúcar é acusado de induzir maior número de células gordurosas (provavelmente apenas na primeira infância), assim como incitar estas células a uma maior produção de gorduras. De outra forma, o mesmo é capaz de gerar respostas em nosso cérebro relacionadas ao prazer, o que talvez mesmo com os centros de saciedade e fome ainda sem mudanças, nos faça dependentes do doce recurso para alcançarmos a sensação de bem estar.

O fato é que a dieta como recurso único para o tratamento da obesidade se aproxima do completamente (para não desprezar os 5 a 10% de abnegados vencedores) falível, o que lamentavelmente nos faz refém da aceitação do peso, de remédios ou de cirurgias.

Tais paradigmas não estão sendo quebrados por este colunista, estão sendo expostos pela ciência e com atraso indesculpável. Há algumas semanas uma minuciosa revisão sobre obesidade, elaborada pela Endocrine Society, foi disponibilizada e em um dos trechos dessa publicação lê-se: “A falta de opções efetivas para a redução do peso em longo prazo amplia a enormidade desse problema (obesidade). Os indivíduos que completaram com sucesso os programas comportamentais e dietéticos de perda de peso recuperaram a maior parte do peso perdido”

É preciso que haja o entendimento de que a melhor maneira de emagrecer é sempre não engordar. Precisamos buscar trajetórias para essa conquista, talvez agora de pouca valia para nós, mas, crucial para nossos descendentes.

Ou pior ainda: o psiquiatra

Contudo, a maior sequela dos geniais arranjos alimentares que prometem, mas, não entregam perda de peso mantida, ou, que não se sustentam em sua exequibilidade, é a descrença desenvolvida pelos pacientes para uma boa rotina alimentar. Ou pior ainda, a auto culpabilização do fracasso.

Orientações conscienciosas sempre serão de grande valia para a saúde de todos nós. Adicionalmente, se iniciadas bem cedo na vida, podem ainda nos proteger da obesidade ou em qualquer momento não permitir ganho ponderal maior.

Alguns pacientes assumem a autoria do naufrágio de seus tratamentos com graves relatos, tais como: “não encontrei tempo para fazer exercícios”, “ viajei e não resisti aos restaurantes”, “o trabalho me consumiu e não consegui pensar em dieta”, ou, confissões ainda piores, do tipo “eu não consegui fazer a dieta a cada três horas”.

Ora, por favor, não existe um só estudo científico de “longo prazo” demonstrando perda ponderal induzida ou melhorada pela divisão de determinado número de calorias em 3 ou 30 vezes ao dia, nem tão pouco com exercícios isoladamente gerando magreza. Adicionalmente, ceder ao fascínio da esperada viagem e seus restaurantes é humano e necessário, do contrário, a melhor opção seria o seguimento psiquiátrico.

 

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Saúde

É possível que vacinas para dengue tenham protegido população contra covid

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Pesquisa brasileira aponta correlação inversa entre casos de dengue e covid-19; movimento não é o mesmo em regiões com alta densidade demográfica

Mosquito da dengue (dimarik/Getty Images)

Lugares em que grande parte da população contraiu dengue no ano passado e no começo deste ano demoraram mais tempo para ter transmissão comunitária exponencial da Covid-19 e registraram números menores de casos e de mortes causadas pelo novo coronavírus, indicando uma possível interação imunológica entre os dois vírus, segundo estudo liderado pelo cientista brasileiro Miguel Nicolelis.

De acordo com Nicolelis, professor catedrático da Universidade Duke, na Carolina do Norte, que desde o início da pandemia se dedica a estudar o comportamento do coronavírus no Brasil, há, inclusive, a possibilidade de que vacinas aprovadas ou em desenvolvimento para a dengue possam provocar alguma forma de proteção contra o novo coronavírus.

“Essa descoberta surpreendente levanta a intrigante possibilidade de uma reação cruzada entre o vírus da dengue e o SARS-CoV-2. Se comprovada correta em futuros estudos, esta hipótese pode significar que a infecção pela dengue ou uma eventual imunização com uma vacina eficaz e segura para dengue poderia produzir algum tipo de proteção imunológica para SARS-CoV-2, antes de uma vacina para SARS-CoV-2 se tornar disponível”, diz o estudo, visto com exclusividade pela Reuters, que foi enviado a um repositório de pesquisas a serem publicadas em revistas científicas.

O pesquisador ressaltou, em entrevista exclusiva à Reuters, que já existem trabalhos mostrando que pessoas que têm sorologia positiva para dengue testam positivo para coronavírus sem ter coronavírus, sugerindo que essas pessoas produzem um anticorpo que age nas duas doenças.

“Isso indica que existe uma interação imunológica entre os dois vírus que ninguém poderia esperar, porque os dois vírus são de famílias completamente diferentes”, afirmou.

Comparação entre distribuição geográfica de casos de Covid-19 e sua incidência até 30 de junho de 2020 e de casos de dengue e incidência no Brasil até 31 de maio de 2020; e soma de todos os casos de dengue e incidência de 2019 até 31 de maio de 2020

Comparação entre distribuição geográfica de casos de Covid-19 e sua incidência até 30 de junho de 2020 e de casos de dengue e incidência no Brasil até 31 de maio de 2020; e soma de todos os casos de dengue e incidência de 2019 até 31 de maio de 2020. UFPB/via REUTERS (Reuters/Reuters)

O estudo aponta uma significativa correlação negativa entre incidência, mortalidade e taxa de crescimento da Covid-19 e o percentual da população com níveis de anticorpos IgM para dengue nos Estados do Brasil, país que tem o terceiro maior surto de Covid-19 no mundo, com mais de 4,5 milhões, e o segundo maior número de mortes causadas pela doença, com quase 137 mil.

A observação foi feita por Nicolelis e sua equipe ao elaborarem um estudo sobre a disseminação geográfica da Covid-19 no Brasil e o papel das rodovias como fator de distribuição de casos. O cientista percebeu vazios de casos no mapa em determinadas regiões do país sem explicação aparente, e partiu em busca de possíveis explicações.

A resposta, segundo Nicolelis, apareceu ao analisar a distribuição geográfica dos casos de dengue no Brasil em 2019 e 2020, que ocupavam exatamente os buracos no mapa de casos da Covid-19. As curvas de casos das duas doenças reforçaram a descoberta, uma vez que o surto de dengue entrou em declive acentuado no país no mesmo momento da disparada do novo coronavírus.

“Foi um choque, foi um acidente total. Em ciência isso acontece, você está atirando para um lado e acerta no alvo que você nunca imaginou que iria atirar”, disse o pesquisador sobre a descoberta.

“Fui olhar no Ministério da Saúde se tinha alguma explicação para essas coisas estranhas, se tinham outros indicadores de doenças que eu não estava percebendo, e de repente encontro o mapa de dengue de 2020 do Brasil. Eu peguei o mapa de casos de coronavírus e coloquei lado a lado com o mapa de dengue, e encontrei o que a gente chama de distribuição complementar: regiões com pouco coronavírus estão cheias de dengue.”

Estados como Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, que tiveram alta incidência de dengue no ano passado e no começo deste ano, levaram muito mais tempo para atingir um patamar de elevada transmissão comunitária de Covid-19 do que Estados como Amapá, Maranhão e Pará, por exemplo, que tiveram poucos registros de dengue no mesmo período, de acordo com o estudo.

Enquanto o Amapá levou cerca de 60 dias para chegar a 500 casos de Covid-19 por 100 mil habitantes, o Paraná levou mais de 120 dias. Em comparação, o Amapá tem incidência de 5,4 casos de dengue por 100 mil habitantes este ano, enquanto o Paraná tem a maior incidência do país, com 2.295,8 casos por 100 mil.

O estudo pondera, no entanto, que em regiões com alta densidade demográfica há uma prevalência da Covid-19 mesmo quando há uma alta incidência de dengue.

“Os nossos resultados epidemiológicos sugerem a hipótese, que ainda precisa ser testada amplamente, que o SARS-CoV-2 compete com o vírus da dengue pelas mesmas pessoas, pelo mesmo pool de suscetíveis. Como o SARS-CoV-2 é transmitido homem-homem, ele teria uma grande vantagem para ganhar esta competição, em relação à dengue, que depende de um mosquito”, disse Nicolelis, lembrando que a pesquisa se trata de um estudo epidemiológico, sem ter sido realizado qualquer estudo sorológico.

A pesquisa aponta dados do Ministério da Saúde que mostram que os casos de dengue no Brasil, que começaram o ano em um ritmo muito mais acelerado do que em 2019, tiveram uma queda brusca a partir da semana epidemiológica de número 11 (encerrada em 13 de março), no mesmo momento em que houve uma aceleração dos casos de Covid-19. Mais do que isso, o surto de dengue se encerrou no país semanas antes do que no ano anterior, enquanto a Covid-19 avançava.

“Ainda de acordo com a nossa hipótese, à medida que o coronavírus se espalhou mais rapidamente e infectou mais gente, sobrariam menos pessoas para serem contaminadas pelo vírus da dengue, e isso poderia explicar a queda repentina da curva de dengue este ano que ocorreu em todo o mundo”, disse, minimizando a posição oficial das autoridades de saúde que apontam para possível subnotificação de dengue devido à pandemia.

Para validar a observação feita no Brasil, Nicolelis expandiu a análise da correlação entre dengue e coronavírus para outros 15 países da América Latina, África e Ásia, e o comportamento se repetiu, segundo ele.

Como exemplo, o pesquisador cita cidades a mais de 2.000 metros de altitude –onde não há dengue, uma vez que o mosquito transmissor não atinge esta altitude– como locais com grande incidência de casos de Covid-19.

“Quando a incidência de Covid-19 versus a incidência de dengue em 2019-2020 foi plotada para esses países, nós novamente obtivemos uma significativa correlação inversa exponencial. Em outras palavras, quanto mais casos de dengue um país teve durante a epidemia mundial de dengue em 2019 e nos primeiros meses de 2020, menos casos de Covid-19 o país registrou até julho de 2020. Basicamente, isso foi muito similar aos resultado obtidos usando dados para os Estados brasileiros”, afirma o estudo.

Como outra forma de controle do estudo, a equipe de Nicolelis também comparou as estatísticas de Covid-19 com os dados de chikungunya –doença também transmitida pelo mosquito Aedes aegypty– no Brasil, e não houve qualquer correlação, segundo ele.

Uma vez que ainda não há tratamento ou vacina disponíveis para Covid-19, Nicolelis defende que seu estudo pode abrir as portas para uma possível forma de combater a pandemia.

“Evidentemente que este é um estudo preliminar do ponto de vista do que fazer, mas ele abre uma porta que pode ser rapidamente explorada, e se ela for verdadeira, você pode ter um grau de proteção para coronavírus se você teve dengue ou se você é imunizado para dengue. Eu não sei dizer qual é a porcentagem, mas ela é suficiente para aparecer nesses gráficos. Alguma coisa existe”, afirmou.

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Número de mortes por covid para de cair no estado de SP após 5 semanas

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Membros do Centro de Contingência afirmam que ainda é cedo para relacionar o aumento de mortes com as aglomerações vistas no último feriado

Covid-19: mesmo diante desses números, o governo destacou que o estado tem nesta segunda-feira, 21, a taxa mais baixa de ocupação de leitos de UTI (Getty/Getty Images)

Após cinco semanas de queda consecutiva na média diária de mortes por covid-19, o Estado de São Paulo viu esse cenário ser interrompido. De acordo com dados apurados pelo Estadão, a média diária de mortes na última semana epidemiológica no Estado de São Paulo, encerrada no dia 19, foi de 194, alta de 8% em relação à semana anterior. No entanto, na comparação com os últimos 14 dias, ainda há ligeira queda, de 1%.

Nas últimas semanas, o governo do Estado vinha divulgando os dados e o cenário mostrava uma redução ao longo do tempo na média diária de mortes nas semanas epidemiológicas: 252 óbitos na semana 33, depois 230 (semana 34), 222 (semana 35), 196 (semana 36) e 179 (semana 37). O dado da semana 38 não foi divulgado na entrevista coletiva que aconteceu no Palácio dos Bandeirantes.

Membros do Centro de Contingência Contra a Covid-19 demonstraram preocupação com a interrupção dessa queda, mas afirmaram que ainda estão avaliando se ela teria relação com aglomerações vistas no último feriado, de 7 de setembro, em que praias do litoral paulista ficaram cheias.

“É claro que preocupa. Mas ainda não há possibilidade de fazer relação direta dessa aglomeração com a piora que ocorreu. Temos que olhar com mais tempo. Nessa próxima semana ficaremos atentos ao monitoramento dos dados pra ver se há causa e efeito”, afirmou João Gabbardo dos Reis, que é membro do Centro de Contingência.

No total, o Estado de São Paulo contabiliza nesta segunda-feira, 21, 937.332 casos confirmados da doença e 33.984 óbitos.

Taxa de ocupação de leitos de UTI

Mesmo diante desses números, o governo destacou que o Estado tem nesta segunda-feira, 21, a taxa mais baixa de ocupação de leitos de UTI. O índice é de 47,7% no Estado e de 47% na Grande São Paulo. De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, estão internados nesses leitos 3.945 pacientes, entre casos confirmados e suspeitos. Em enfermaria, são 5.127 pessoas. Já se recuperaram da covid-19, segundo o balanço, 803.994 e foram 103.141 altas hospitalares.

“Essa é a nona semana consecutiva de queda em internações, com índices similares a maio. Mas ainda não podemos esquecer que estamos em quarentena. A vigilância nas regras deve ser mantida e devemos evitar aglomerações e respeitar o distanciamento social”, afirmou o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn.

Todo o Estado de São Paulo está na fase amarela da quarentena desde o dia 11 de setembro. Na ocasião, foram alteradas as regras de classificação pelo Plano São Paulo. Com isso, as regiões só devem ser reclassificadas mensalmente. A próxima reclassificação se dará no dia 9 de outubro mas, caso algum lugar apresente piora, pode ser rebaixado excepcionalmente para a fase vermelha, a mais restritiva da quarentena.

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Remédio de anticorpos reduz hospitalização de pacientes com covid-19

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A farmacêutica Eli Lilly and Co. anunciou que o remédio melhorou o quadro dos pacientes com covid-19 moderada

O estudo de estágio intermediário da farmacêutica testou três doses diferentes do LY-CoV555 (dowell/Getty Images

A Eli Lilly and Co. disse nesta quarta-feira que dados provisórios de testes mostraram que seu tratamento experimental de anticorpos diminuiu a necessidade de hospitalização e de visitas ao pronto-socorro de pacientes com covid-19 moderada

O estudo de estágio intermediário da farmacêutica testou três doses diferentes do LY-CoV555, um tratamento de anticorpos concebido para reconhecer e se atrelar ao novo coronavírus, com isso impedindo que a infecção se espalhe.

Analistas acreditam que os tratamentos de anticorpos podem ajudar alguns pacientes, já que a distribuição ampla de candidatas a vacina contra o coronavírus deve ser demorada.

Muitas empresas, como Regeneron Pharmaceuticals Inc. e Vir Biotechnology, também estão testando tratamentos de anticorpos contra a covid-19. Tais remédios são os primeiros a ser criados especificamente para combater a doença causada pelo coronavírus.

Do total de 302 pacientes tratados com três doses diferentes do LY-CoV555, cinco deles, ou 1,7%, tiveram de ser internados ou visitar um pronto-socorro — com o placebo, foram nove de 150, ou 6%, disse a Lilly.

Só a segunda dose de 2.800 miligramas atingiu o principal objetivo do teste, que era reduzir a carga viral detectada em pacientes na comparação com um placebo 11 dias após o tratamento, informou a Lilly.

Não se relatou nenhum efeito colateral grave nem mortes no teste.

A Lilly disse que espera publicar os resultados da análise preliminar em um periódico submetido ao crivo da comunidade científica e debater os próximos passos apropriados com agências reguladoras globais.

A farmacêutica disse que o teste em andamento já recrutou 800 pacientes com casos de covid-19 entre branda e moderada. O estudo também está testando o LY-CoV555 combinada com outro tratamento de anticorpos, o LY-CoV016.

Os anticorpos, administrados por infusão intravenosa, também estão sendo testados para evitar a covid-19 em moradores e funcionários de instalações de cuidados de saúde de longo prazo e para tratar pacientes já hospitalizados por causa da covid-19.

As ações da Lilly subiram 1,3% e chegaram a 152 dólares antes mesmo da abertura do pregão.

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Cientistas questionam vacina da Rússia contra covid-19: “dados estranhos”

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Carta aberta escrita por 27 cientistas aponta inconsistências nos dados apresentados sobre a vacina “Sputnik V”

Cientistas questionam vacina da Rússia contra covid-19: “dados estranhos” (Bloomberg / Colaborador/Getty Images)

Há um mês, o maior problema da vacina da Rússia contra o novo coronavírus era a falta de estudos sobre ela, o que aumentava a desconfiança da comunidade científica. Os resultados preliminares divulgados na última sexta-feira, entretanto, continuam a causar estranheza e desconforto em diversos cientistas.

Em uma carta aberta ao editor da prestigiada revista científica The Lancet, onde os resultados foram publicados, 27 cientistas afirmaram que os dados são incompletos e que a pesquisa tinha alguns “padrões improváveis”. “Enquanto a pesquisa descrita no estudo é potencialmente significativa, a apresentação dos dados levanta várias preocupações que necessitam que consigamos todos os dados para investigar”, explicam os autores da carta.

Os cientistas também afirmam que faltam dados númericos originais na publicação e que “não se pode tirar conclusões em relação à confiabilidade dos dados apresentados, especificamente sobre as aparentes duplicidades detectadas”.

Um dos exemplos das duplicidades encontradas pelos cientistas é que 9 de 9 voluntários parecem ter anticorpos idênticos nos dias 21 e 28 da primeira vacina do Instituto Gamaleya administrada nos voluntários. Na segunda versão testada, os anticorpos de 7 de 9 voluntários também é igual.

A vacina teve duas fases pequenas de 42 dias — uma delas estudou uma formulação congelada e a outra uma versão desidratada da vacina. O que foi descoberto, segundo o estudo, é que a vacina congelada é melhor para ser produzida em larga escala e preencher os estoques globais, enquanto a segunda opção é melhor para regiões de difícil alcance.

A vacina russa é baseada no adenovírus humano fundido com a espícula de proteína em formato de coroa que dá nome ao coronavírus.

É por meio dessa espícula de proteína que o vírus se prende às células humanas e injeta seu material genético para se replicar até causar a apoptose, a morte celular, e, então, partir para a próxima vítima.

Segundo a agência de notícias Reuters, um diretor do instituto que está desenvolvendo a “Sputnik V” afirmou que “os resultados publicados são autênticos e precisos e foram examinados por cinco revisores na The Lancet“.

O grupo de cientistas também escreveram na carta que os autores do estudo “não especificaram características suficientes sobre os pacientes convalescentes usados como um controle para a avaliação da resposta humoral” (resposta do sistema imune mediada por anticorpos). “Como eles foram iguais em diferentes grupos de voluntários? Desde que existem vários pacientes convalescentes no grupo de controle que aparentemente também não possuem anticorpos neutralizantes, é crucial saber quando o plasma foi coletado — para cada paciente, quanto tempo passou para que os sintomas e a negativação do teste acontecesse?”, questionam os autores da carta.

Em entrevista à emissora americana CNBC, o professor e um dos cientistas que assinaram a carta, Enrico Bucci, da Universidade Temple, nos Estados Unidos, afirmou que a falta de dados completos no estudo se deu pela “pressa de publicar coisas importantes” e que “no mundo todo existe uma pressão para que cientistas falem o que estão fazendo antes de estarem prontos”.

Bucci também fez uma comparação entre os resultados preliminares divulgados pela universidade de Oxford e a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca em relação a sua vacina. “Nesse caso os autores disponibilizaram 128 páginas de materiais sumplementares para os pares revisarem. Se você compara os dois estudos, você vê que algo está faltando no russo”, explicou.

No mês passado a Rússia foi o primeiro país a registrar uma vacina contra o coronavírus no mundo, apesar da desconfiança global causada pela falta de estudos que comprovassem a eficácia da proteção.  Também em agosto, o país informou que promoverá uma vacinação em massa já em outubro deste ano. No ínicio desta semana, a vacina russa começou a ser distribuída mesmo sem passar por todos os testes clínicos necessários para a sua aprovação.

Mais de 20 países já fizeram pedidos de mais de 1 bilhão de doses da vacina russa, mesmo com a preocupação da comunidade científica. Segundo o presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), Jorge Callado, a “Sputnik V” deve chegar ao Brasil em 2021.

Um movimento parecido está sendo ensaiado pelo presidente americano Donald Trump, que afirmou recentemente que uma vacina contra o vírus pode estar disponível já em outubro. “Teremos em breve essa incrível vacina, com velocidade nunca vista antes”, disse ele. “A vacina será muito segura, muito efetiva, e as pessoas do mundo estarão felizes e voltaremos à prosperidade sem precedentes”, continuou.

Uma possível vacinação já em outubro ou no começo de novembro também foi ventilada em documentos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) americano. Segundo reportou a imprensa americana, o órgão enviou aos estados uma ordem para que “preparem locais e equipamentos para uma vacinação em massa já no mês que vem”. Se confirmada, a data pode ser antes das eleições presidenciais americanas, em 3 de novembro.

Quais são as fases de uma vacina?

Para uma vacina ou medicação ser aprovada e distribuída, ela precisa passar por três fases de testes. A fase 1 é a inicial, quando as empresas tentam comprovar a segurança de seus medicamentos em seres humanos; a segunda é a fase que tenta estabelecer que a vacina ou o remédio produz, sim, imunidade contra um vírus, já a fase 3 é a última fase do estudo e tenta demonstrar a eficácia da droga.

Uma vacina é finalmente disponibilizada para a população quando essa fase é finalizada e a proteção recebe um registro sanitário. Por fim, na fase 4, a vacina ou o remédio é disponibilizado para a população.

Com isso, as medidas de proteção, como o uso de máscaras, e o distanciamento social ainda precisam ser mantidas. A verdadeira comemoração sobre a criação de uma vacina deve ficar para o futuro, quando soubermos que a imunidade protetora realmente é desenvolvida após a aplicação de uma vacina. Até o momento, nenhuma situação do tipo aconteceu.

 

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Saúde

Até a vacina ficar pronta, os anticorpos da covid-19 serão o suficiente?

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Diferença entre uma vacina e um eventual tratamento com base em anticorpos é grande — e ambos têm papel essencial para estancar pandemia

Coronavírus: anticorpos podem proteger contra a doença? (KATERYNA KON/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)

Uma vacina pode demorar cerca de 10,7 anos para passar por todos os testes clínicos necessários até a sua aprovação e distribuição a uma determinada população. Há nove meses o mundo enfrenta a pandemia do novo coronavírus, que já deixou quase 900 mil mortos segundo o monitoramento em tempo real da universidade americana Johns Hopkins — e a perspectiva de esperar mais tempo do que isso parece ser pedir demais para a saúde pública e as economias no mundo todo, mas, ainda mais prejudicial do que a espera, pode ser a pressa para uma vacina que não tenha sua eficácia e segurança comprovadas. Até lá, tratamentos com base em anticorpos e plasma serão capazes de frear a situação?

São vários os estudos que procuram entender melhor como funciona a criação de anticorpos da covid-19, por quanto tempo eles duram e se é possível (realmente) criar uma imunidade à doença sem uma vacina.

Nos Estados Unidos, o Food and Drug Administration (FDA), espécie de Anvisa americana, aprovou o uso emergencial de plasma no tratamento do coronavírus. Até o dia 24 de agosto, cerca de 70 mil pessoas foram tratadas com os anticorpos encontrados em amostras sanguíneas de pessoas que se recuperaram da doença — tanto em testes quanto em indivíduos com quadros graves. Segundo o órgão, o tratamento demonstrou bons resultados em testes iniciais — apesar disso, novos testes precisam ser feitos para confirmar a eficácia dele.

Para o doutor Celso Granato, infectologista e diretor clínico do grupo Fleury, os dados em relação ao tratamento por plasma são controversos. “Isso está relacionado que você só utilizar anticorpos de uma forma muito aleatória ainda é muito pouco. Não existe uma unidade internacional para avaliar a concentração desses anticorpos e nem contra quais pedaços do vírus eles são produzidos”, conta.

Granato explica que os anticorpos por si só não o suficiente para impedir uma infecção. Isso porque, além deles, é preciso que o corpo tenha uma resposta imune ao vírus. “Sabemos que os anticorpos têm uma curva, alguns são produzidos logo no ínicio da doença, enquanto outros são produzidos mais posteriormente, mas teve gente que teve a doença em fevereiro e março que ainda os tem. Mas eles são apenas uma parte da proteção. Nossa resposta imune é muito mais complexa. Quando você tem uma infecção, você os produz, mas também tem uma resposta imunológica que costuma ser muito mais eficiente na defesa do que a resposta dos anticorpos — e é um trabalho conjunto, um ajuda o outro. Mas sempre fazemos as duas respostas”, afirma.

E a diferença entre uma vacina e um eventual tratamento com base em anticorpos é grande. “A vacina será usada para induzir a formação de anticorpos e uma resposta imune celular no indivíduo. Já os anticorpos serão dados para quem já está infectado a fim de tentar minimizar os efeitos da doença”, diz. Granato também acredita que as chances de as duas coisas (um tratamento para os doentes e uma vacina) serem aprovadas para o uso ao mesmo tempo são altas.

Uma pesquisa sobre a resposta do sistema imune em relação à covid-19 aponta que, mesmo sem a produção de anticorpos contra o vírus, um indivíduo pode produzir células capazes de destruir a doença em casos de reinfecção — os chamados linfócitos T, células reativas que ajudam o organismo na defesa de infecções.

O estudo encontrou linfócitos T “robustos” em casos de pessoas que tiveram quadros leves, graves ou assintomáticos da covid-19. Segundo os pesquisadores suecos, a memória das células do corpo humano são prováveis de “desenvolver uma proteção imune duradoura ao vírus”, mesmo quando as pessoas não produzem anticorpos contra a doença. Para chegar a essa conclusão, foram analisados os casos e amostras sanguíneas de 206 moradores da Suécia.

Outra pesquisa, feita com base em um vírus semelhante por pesquisadores de Singapura, informa que a proteção contra o vírus podem ser “lembrada” por anos pelo organismo humano. As células T, por exemplo, ainda estão ativas contra o vírus Sars (também da família coronavírus) 17 anos depois da infecção.

Do outro lado, cientistas também tentam encontrar formas de transformar nanocorpos em tratamentos viáveis contra o SARS-CoV-2.

Recentemente, pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, encontraram um nanocorpo em alpacas que pode prevenir infecções do vírus em humanos. Segundo os pesquisadores, o nanocorpo tem o “potencial de ser desenvolvido como um tratamento antiviral” para a doença e apresenta vantagens sobre os anticorpos considerados convencionais, como o fato de ser 10 vezes menor e mais fácil de produzir em larga escala.

O que se pode concluir é que até termos uma vacina não existe uma proteção capaz de evitar o contágio pelo vírus — mas usar máscaras podem ajudar a evitar o espalhamento da doença. O caminho, ainda, é longo.

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Vacina da tuberculose será testada contra covid-19 no Brasil

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Teste será comandado pela Fiocruz e recrutará 3 mil pessoas. Estudo pretende entender se a BCG é eficaz na prevenção do novo coronavírus

Vacina: BCG será testada no Brasil contra o novo coronavírus (SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)

Em mais uma tentativa para frear a pandemia, a vacina da tuberculose (BCG) será testada no Brasil contra o novo coronavírus. Os testes de fase 3 (a última parte dos testes clínicos) serão realizados em 3 mil voluntários brasileiros da área da saúde, comandados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o instituto australiano Murdoch Children’s Research Institute.

A hipótese que os cientistas pretendem provar tem como base estudos científicos prévios que mostraram que a BCG foi capaz de induzir uma resposta imune viral nos participantes (crianças e idosos) que a utilizaram. Nas crianças, por exemplo, a vacina contra a turbeculose foi capaz de prevenir infecções virais de um ano a um ano e seis meses. Vale lembrar que as pesquisas citadas não foram testadas na covid-19.

Os testes no Brasil estão previstos para começar em outubro e devem durar por até um ano. O acompanhamento dos voluntários será feito semanalmente pelo período de duração dos testes. Todos os voluntários envolvidos também serão testados com frequência para saber se contraíram ou não o SARS-CoV-2. Os dados iniciais do estudo devem ser divulgados no primeiro trimestre de 2021.

“Em relação às novas vacinas de covid que estão em desenvolvimento, temos mais segurança por usarmos uma vacina que já é amplamente conhecida e difundida no mundo”, explica Julio Croda, um dos coordenadores dos testes no Brasil. Croda também afirma que os testes serão realizados em idosos acima de 70 anos, visando a segurança da BCG.

A BCG será testada como forma de proteção contra o vírus em 10 mil pessoas no total. Outos três mil voluntários foram recrutadas na Austrália e o restante será dividido entre o Reino Unido, a Espanha e a Holanda. “O que buscamos é ter uma alternativa e avaliar uma vacina que é conhecida. Sabemos que existem vacinas específicas para a covid-19, mas não sabemos em quanto tempo elas serão fornecidas para a população”, diz. “É uma alternativa que será testada e que se, no momento da finalização do estudo, não tivermos outra opção, ela pode ser uma proposta de proteção por algum tempo.”

Visto que a vacina tem uma duração de pouco mais de um ano contra alguns tipos de vírus, não significa que porque um indivíduo já foi vacinado com a BCG que ele não será infectado nunca mais por doenças virais — uma vez que a proteção é normalmente dada durante a infância. A vacina da BCG é inespecífica no caso da covid-19, mas ainda assim eficaz contra a tuberculose.

Croda faz um alerta e lembra que não existe recomendação para que a população se vacine com a BCG imediatamente. “É importante ressaltar que é um estudo que, ainda, não tem nenhuma evidência científica de que realmente funciona contra o vírus que estamos enfrentando atualmente”, diz.

O estudo tem apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e é financiado pela a Fundação Bill & Melinda Gates.

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domingo, 27 de setembro de 2020

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