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Brasília

DF tem maior renda por pessoa, mas 51% das famílias não conseguem pagar as contas

Foto: Agência Brasil

O Distrito Federal possui a maior renda por pessoa no Brasil, porém, muitas famílias não conseguem quitar suas dívidas em dia. Em julho, 51,2% das famílias estavam com contas atrasadas, índice que supera em muito a média nacional, que é de 29,8%. Essa situação é preocupante se comparada com outras capitais, como Natal, Salvador, Cuiabá e São Paulo, que apresentam índices bem menores de inadimplência.

Ter dívida não significa estar inadimplente. Uma dívida pode ser, por exemplo, uma compra parcelada no cartão de crédito que está sendo paga regularmente. A inadimplência ocorre quando essas parcelas não são pagas no prazo.

No Distrito Federal, 79,9% das famílias estavam endividadas em julho, abaixo da média nacional de 82%. Mas a proporção de famílias inadimplentes é muito maior no DF, 51,2%, enquanto no Brasil é 29,8%. Isso mostra que, embora os brasilienses não se endividem mais do que a média, eles têm mais dificuldade para pagar suas dívidas.

O problema está piorando. Um ano atrás, 41,8% das famílias do DF estavam inadimplentes e, agora, esse número subiu para 51,2%. No Brasil, o índice permaneceu praticamente estável no mesmo período.

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Comparação com outras capitais

Em Natal, 34,1% das famílias tinham contas atrasadas em julho, bem abaixo do Distrito Federal. Em Salvador, o índice foi de 24,1%, o que significa que a inadimplência no DF é mais do que o dobro da capital baiana.

Em Cuiabá, 16,3% das famílias estavam inadimplentes, quase um terço do índice do DF. São Paulo, com alta dívida das famílias, apresentou 20,7% de inadimplência, menos da metade do registrado no DF.

Esses dados indicam que o DF tem um índice de inadimplência muito alto em relação à média do país e às capitais analisadas.

Renda alta, mas orçamento apertado

O rendimento por pessoa no Distrito Federal foi de R$ 4.538 por mês em 2025, quase o dobro da média nacional de R$ 2.316. Segundo o economista César Bergo, da Universidade de Brasília, o custo de vida elevado, com gastos altos em moradia, alimentação e transporte, reduz o dinheiro disponível para pagar dívidas.

César Bergo destaca ainda que o uso frequente do cartão de crédito como complemento da renda pode aumentar as dívidas, especialmente quando o consumidor entra no crédito rotativo, que tem juros altos.

O cartão de crédito é a dívida mais comum, presente em 86,6% das famílias endividadas do DF. Outras dívidas frequentes são carnês (14,6%), financiamento de carro (13,2%), crédito pessoal (12,4%) e financiamento imobiliário (9,6%).

Dívidas duradouras

No DF, as famílias comprometem uma parte menor da renda com dívidas do que a média nacional (23,9% contra 29,5%), mas as dívidas permanecem por mais tempo, em média 7,8 meses, contra 7,2 meses no Brasil.

Além disso, 40,8% das famílias têm dívidas por mais de um ano, acima da média nacional de 33,1%. E 20,8% das famílias do DF não veem possibilidade de pagar as contas atrasadas no mês seguinte, o que representa cerca de 219,5 mil famílias, enquanto no país esse percentual é de 12,3%.

Impacto na vida das famílias

A assistente administrativa Jaysla Kelly, 31 anos, relata que a dificuldade financeira já dura cerca de sete anos, iniciando após o casamento quando as despesas aumentaram e precisaram usar o cartão de crédito para itens da casa. Para o casal, as dívidas limitaram as saídas, compras e até o consumo de água e energia.

César Bergo explica que famílias com dívidas atrasadas têm menos dinheiro para consumir, o que afeta o comércio, reduz faturamento e pode impactar emprego e investimentos.

O índice de inadimplência no Distrito Federal é um sinal importante. Apesar da renda elevada por pessoa, mais da metade das famílias não consegue manter suas contas em dia. O problema não é só quanto dinheiro entra, mas quanto sobra depois das despesas fixas do dia a dia.

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