A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2024 avaliou a saúde de alunos entre 13 e 17 anos de escolas públicas e privadas no Brasil. No Distrito Federal, 12,2% dos estudantes declararam ter usado drogas ilícitas alguma vez na vida, o maior índice do país, embora haja uma redução de 8,8 pontos percentuais desde 2019.
Além disso, 4,1% dos estudantes começaram a usar drogas ilícitas antes dos 14 anos. Entre os tipos de droga, 4,5% consumiram maconha recentemente e 1,6% usaram outras drogas nos 30 dias anteriores à pesquisa. A PeNSE é realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde.
O Distrito Federal também tem o maior índice de adolescentes que já experimentaram cigarros eletrônicos, com 43,7%, aumento de 12,9 pontos desde 2019. O uso é mais comum entre meninas (44,5%) do que meninos (43,0%) e é maior em escolas públicas (48,5%) em comparação com privadas (29,7%).
Dr. Fábio Leite, psiquiatra do Hospital Anchieta, alerta que o uso de drogas pode prejudicar o desenvolvimento cerebral dos jovens, podendo causar até quadros psicóticos e esquizofrenia em casos vulneráveis. Ele também destaca que outras drogas como ecstasy, cocaína, crack e psicodélicos também são perigosas e podem agravar quadros de saúde mental, especialmente quando usadas por pessoas com predisposição genética.
O especialista menciona ainda que o consumo dessas substâncias compromete o desempenho escolar, causando prejuízos cognitivos que se acumulam com o tempo.
Cigarros eletrônicos
O uso de cigarros eletrônicos, conhecidos como vape, é expressivo entre adolescentes no Distrito Federal. Apesar da crença de que sejam menos nocivos que os cigarros tradicionais, eles contêm nicotina, uma substância altamente viciante, e outras químicas tóxicas.
Dr. Márcio Almeida, oncologista, reforça que a nicotina afeta áreas do cérebro responsáveis pela memória, atenção e controle dos impulsos, sendo particularmente perigosa para adolescentes cujo cérebro ainda está em desenvolvimento. O uso pode causar dependência rápida e aumentar o risco de uso de outras drogas, além de prejudicar o desempenho escolar.
Embora os efeitos a longo prazo do vape ainda estejam sendo estudados, já se sabe que o vapor pode conter agentes carcinogênicos como formaldeído e metais pesados, além de promover inflamação nas vias respiratórias, associada ao surgimento de câncer de pulmão.
Dr. Márcio alerta que o crescimento do consumo do vape entre jovens representa um sério problema para a saúde pública, abrindo um caminho para a dependência de nicotina e seus riscos.
Outras drogas
Além das drogas ilícitas e do cigarro eletrônico, 24,1% dos estudantes do Distrito Federal já experimentaram o cigarro tradicional. Quanto ao álcool, 54,7% consumiram bebidas alcoólicas, sendo que 30,6% começaram a beber antes dos 14 anos.
A Secretaria de Saúde do DF destaca que a prevenção do uso de álcool, tabaco e outras drogas entre estudantes é uma prioridade. No biênio 2025-2026, já foram realizadas 102 ações educativas em escolas públicas, incluindo rodas de conversa, oficinas e campanhas para alertar os jovens sobre os riscos do consumo dessas substâncias e incentivar o cuidado com a saúde individual e coletiva.

