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quarta-feira, 04/02/2026

Detecção rápida e novos tratamentos aumentam possibilidade de cura do câncer

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O câncer, antes visto como uma doença com alto risco de morte, está passando por uma transformação significativa no mundo. A junção do diagnóstico rápido, tratamentos especiais, imunoterapia e cirurgias feitas por robôs tem melhorado muito a chance de cura tanto no Brasil quanto no resto do mundo. No Dia Mundial do Combate ao Câncer, comemorado em 4 de fevereiro, os médicos oncologistas do Hospital Santa Lúcia destacam que descobrir a doença logo no começo pode trazer até 90% de chance de cura em tipos comuns, como de mama e próstata, além de permitir tratamentos com menos efeitos ruins e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil terá cerca de 704 mil novos casos de câncer anualmente entre 2023 e 2025. Mesmo com números altos, pesquisas mostram que encontrar o câncer cedo pode aumentar as chances de cura para até 90% em tumores frequentes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que a sobrevivência média em cinco anos para a maioria dos cânceres já chega a 70% em países com programas de cheque regular, aumento considerável em relação aos 50% da década de 1970.

Importância do diagnóstico rápido

No câncer de mama, por exemplo, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e o INCA indicam que detectar cedo eleva a chance de cura para 90%. O mesmo acontece com câncer de próstata, em que o tratamento no início é menos agressivo e também eficiente.

A oncologista Dra. Patrícia Schorn, coordenadora do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia Sul, explica que o sucesso do tratamento está ligado ao tempo em que a doença é descoberta. “Tumores pequenos permitem usar terapias mais específicas. Hoje, combinamos exames certos com testes moleculares, aumentando a cura e diminuindo os efeitos colaterais”, diz.

Dra. Patrícia Schorn ainda comenta que os avanços no câncer de mama envolvem imunoterapia e tratamentos focados no tipo específico do tumor. “Falamos em tratamento de precisão, que controla melhor a doença e mantém a qualidade de vida. Cirurgias da mama evoluíram para serem seguras e menos agressivas. Radioterapia agora dá a mesma dose em menos dias”, completa.

Outro avanço importante é a introdução de novos remédios. Protocolos atualizados pelo Ministério da Saúde em 2024 e 2025 incluem medicamentos como durvalumabe e olaparibe para câncer de pulmão, ovário e colo do útero. Essas terapias têm ajudado pacientes com câncer avançado a viverem melhor, um cenário impensado há dez anos.

Prevenção e hábitos saudáveis diminuem riscos

A oncologista Dra. Alessandra Leite do Hospital Santa Lúcia Gama lembra que prevenir e manter hábitos saudáveis são peças-chave no combate ao câncer. “Exercícios físicos regulares diminuem a obesidade e podem reduzir o risco de vários cânceres em 30%. Além disso, o exercício ajuda a aliviar efeitos do tratamento e evita que o câncer volte”, reforça.

Dra. Alessandra Leite recomenda parar de fumar, diminuir álcool e seguir uma dieta rica em grãos, frutas e verduras. Ela explica que o Hospital Santa Lúcia promove um atendimento completo com oncologistas, cirurgiões, radioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e outros, sempre com atenção humanizada e tecnologia avançada.

Exames regulares são essenciais

Para o oncologista Dr. Rafael Amaral do Hospital Santa Lúcia Norte, o diagnóstico precoce continua sendo o fator mais importante para a cura. “Encontrar o câncer no início pode reduzir mortes em até 70% em tumores comuns, como mama e colorretal. Diagnósticos atrasados aumentam custos e mortes, enquanto o precoce melhora a vida”, alerta.

O INCA e o Ministério da Saúde indicam exames de rastreamento conforme idade e risco, como DNA-HPV, mamografia, colonoscopia e avaliação da próstata. Fazer esses exames pode diminuir os casos graves em 20% a 30%.

Após o tratamento, o acompanhamento frequente é fundamental para identificar retornos da doença antes dos sintomas aparecerem, aumentando as chances de sucesso em até 50%. Novas técnicas, como biópsia líquida e inteligência artificial no diagnóstico, permitem encontrar mutações e recidivas mais cedo, possibilitando tratamentos personalizados, segundo Dr. Rafael Amaral.

Dr. Rafael Amaral destaca o uso da biópsia líquida (ctDNA), que detecta mutações no câncer de pulmão em apenas dois dias, e o uso da inteligência artificial que melhorou a precisão diagnóstica para câncer de mama para 90%. Ele reforça a importância de manter as consultas e exames em dia:

  • Mama: Mamografia a cada dois anos para mulheres entre 40 e 69 anos;
  • Colo do útero: Teste DNA-HPV a cada cinco anos;
  • Colorretal: Colonoscopia a partir dos 45 anos;
  • Próstata: PSA e toque retal a partir dos 50 anos (ou aos 45 para grupos de risco).

Cirurgia robótica: tratamento mais preciso

A cirurgia feita com robôs é um dos principais tratamentos modernos para câncer. O Centro de Cirurgia Robótica do Hospital Santa Lúcia é referência na região Centro-Oeste para cirurgias oncológicas em próstata, rim, ginecológicas e colorretais, integrando diferentes especialidades.

Um estudo publicado na revista JAMA em junho de 2025 mostrou que a cirurgia robótica para câncer de reto reduziu pela metade o risco de retorno local do tumor (1,6% contra 4% com métodos tradicionais). No Brasil, já existem mais de 120 plataformas robóticas, com crescimento anual de 12,5%. O Centro do Hospital Santa Lúcia Sul possui o maior número de plataformas em um único local na região Centro-Oeste.

Dra. Patrícia Schorn explica que a cirurgia robótica oferece visão 3D detalhada, alta precisão e causa menos danos, resultando em menos dor, sangramento, riscos de infecção e recuperação mais rápida para o paciente. “Em cirurgias extensas, menos complicações e alta velocidade na recuperação permitem iniciar tratamentos complementares, como quimioterapia ou imunoterapia, mais cedo”, ressalta.

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