Após um início difícil em 2026, marcado por um vazamento na perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas, o governo Lula (PT) trouxe uma notícia positiva na área ambiental: o desmatamento recuou nos dois maiores biomas do país em 2025.
Na Amazônia, a área com alerta de desmatamento foi de 3.817 km², uma queda de 8,7% comparado a 2024. No Cerrado, essa área foi de 5.369 km², representando uma redução de 9%. Esse é o menor índice de desmatamento na Amazônia em oito anos e no Cerrado desde 2021.
Os dados são do sistema Deter do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), divulgados em 9 de maio. O Deter monitora e emite alertas para orientar ações do Ibama e outros órgãos de fiscalização, representando uma indicação preliminar, não os dados oficiais do desmatamento, que são divulgados anualmente pelo Prodes, também do Inpe.
Este é o segundo ano consecutivo de queda no desmatamento em ambos os biomas. Ainda assim, a área total destruída em 2025 foi de 9.186 km², o que equivale a seis vezes a extensão da cidade de São Paulo.
A redução na Amazônia vem diminuindo de ritmo. Depois dos níveis muito altos acima de 10 mil km² em 2022, houve uma queda de 50% em 2023 e de 19% em 2024. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) atribui a desaceleração em parte de 2024 à seca extrema e aos incêndios florestais, mas mantém a tendência de queda em 2025.
Mato Grosso foi responsável por quase metade do desmatamento na Amazônia, com 1.497 km², aumento de 60% em relação a 2024. Já Pará e Amazonas apresentaram quedas significativas de 36% e 9%, respectivamente.
Erika Berenguer, cientista sênior da Universidade de Oxford, destaca que o governo federal tem focado fortemente na fiscalização, refletindo a diminuição do desmatamento, mas questiona o que falta para avançar ainda mais.
O MMA informa que o governo tem implementado diversas ações para atingir a meta de zerar o desmatamento até 2030, incluindo a retomada dos investimentos do Fundo Amazônia, aumento dos recursos para fiscalização e o programa União com Municípios para desenvolvimento sustentável na Amazônia.
No Cerrado, os estados do Maranhão, Tocantins e Piauí lideram o desmatamento, seguidos pela Bahia, formando a região do Matopiba, que tem um delicado equilíbrio entre agronegócio e conservação.
Desmatamento no Cerrado supera a Amazônia pelo terceiro ano seguido e ocorre majoritariamente em propriedades privadas. Conforme o Código Florestal, é permitido desmatar até 80% das propriedades no Cerrado, enquanto na Amazônia o limite é 20%.
O governo federal tem intensificado a cooperação com estados do Matopiba para melhorar o controle e fiscalização, o que já trouxe resultados.
Yuri Salmona, diretor executivo do Instituto Cerrados, atribui a redução no Cerrado à fiscalização reafirmada pelo governo e às restrições para liberação de crédito em áreas desmatadas ilegalmente.
Apesar das melhorias, o desmatamento no Cerrado ainda é elevado, e a expectativa era de uma redução maior devido à diminuição da área disponível para desmate. Ele destaca que parte do desmatamento tem migrado da Amazônia para o Cerrado, onde o governo enfrenta mais dificuldades para atuar, pois a maior parte das terras é privada.
