Eleito para seu quarto mandato como presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará um cenário complicado no Congresso a partir de fevereiro do próximo ano.
“A oposição controlará a agenda do Legislativo e tem votos suficientes para rejeitar eventuais vetos do presidente eleito”, comenta a professora Mariana Chaise, do Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O cientista político Ismael Almeida destaca a importância da eleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. “Esses cargos são fundamentais, pois determinam quais projetos avançam, quais ficam parados e influenciam a relação entre os Poderes”, explica. “Se a oposição garantir a maioria para eleger esses presidentes, Lula poderá encontrar mais dificuldades para aprovar sua agenda.”
Além disso, o cientista político Antônio Flávio Testa acredita que Lula terá que fazer acordos com um Congresso potencialmente resistente às suas ideias para cumprir as promessas de campanha.
Estratégias de Diálogo
Mariana Chaise acredita que Lula tentará formar uma base de apoio ao governo, conquistando adesões dos parlamentares tema a tema. “A pauta será mais enxuta, focada em assuntos populares”, avalia.
Ela ressalta que a negociação deverá envolver várias siglas partidárias que tendem a colaborar independentemente do governo, mas aponta que o PL deve continuar com uma postura mais polarizada até a próxima eleição presidencial.
Outro desafio é que, neste mandato, Lula não contará com os recursos e mecanismos que teve em seus governos anteriores nos anos 2000. Por exemplo, as emendas parlamentares agora são impositivas, obrigando o governo a cumprir os gastos indicados no orçamento, reduzindo o poder de barganha do presidente.


