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Democratas abrem convenção tentando mostrar uma frente unida anti-Trump

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Joe Biden fez uma aparição rápida, mas o tom geral da 1ª noite da convenção democrata foi mostrar os riscos de outros quatro anos de Trump na Casa Branca

Joe Biden: início da convenção democrata serviu para dar um gás em sua candidatura (Morry Gash/AP Photo/Bloomberg via Getty Images/Getty Images)

Na noite de estreia da convenção menos convencional da história americana, realizada com depoimentos em vídeo e sem a pompa tradicional, a única certeza era a enxurrada de críticas contra Donald Trump.

Joe Biden, que será formalmente indicado como candidato do Partido Democrata na quinta-feira, foi lembrado e fez uma aparição surpresa. Mas o tom geral da primeira noite – e provavelmente das três próximas – foi mostrar os riscos de outros quatro anos de Trump na Casa Branca.

As menções diretas ao presidente foram poucas, mas ao ponto. Mesmo assim, o espectro de Trump esteve no ar durante todas as duas horas da transmissão pela TV: da divisão que ele semeou durante a convulsão racial de dois meses atrás aos tropeços no combate à pandemia do coronavírus.

A estrela da noite foi Michelle Obama, a última a discursar. Em depoimento gravado, a ex-primeira-dama levantou dúvidas sobre o caráter e a competência de Trump.

“O trabalho [do presidente] é difícil. Exige clareza para julgar, lidar com opiniões conflitantes e capacidade de ouvir. E a crença de que cada uma das 328 milhões de vidas deste país têm significado e valor”, disse Michelle Obama. “Não tem como enganar. [A presidência] revela quem você é.”

Michelle Obama mencionou a aparente falta de empatia de Trump, lembrando dos pais separados por filhos na fronteira com o México e a repressão violenta aos protestos na frente da Casa Branca. “Se você acha que as coisas não podem piorar, é o que vai acontecer se não elegermos Joe Biden.”

Outro discurso muito aguardado foi o do senador Bernie Sanders, líder da ala esquerdista democrata e maior rival de Biden na disputa pela candidatura.

Há quatro anos, Sanders levou sua campanha das primárias até o último momento possível, mesmo sabendo que não tinha chances de derrotar Hillary Clinton. Na convenção, seus apoiadores vaiaram a ex-primeira-dama – e essa divisão interna, na opinião de Hillary, ajudou a eleger Trump.

Desta vez, Sanders está inteiramente dedicado à chapa Biden-Harris – por causa de Donald Trump. Um autodeclarado socialista democrático, o senador anunciou há meses que será presença constante na campanha e conclamou seus apoiadores a fazer o mesmo.

“Vou falar para os milhões que me apoiaram. Obrigado pelo apoio. Movemos o país num direção nova e corajosa. Nossa campanha terminou há meses, mas nosso movimento continua. Mas sejamos claros: se Trump for reeleito, todo esse avanço estará em risco.”

A eleição de 3 de novembro será “a mais importante da história moderna” dos Estados Unidos, afirmou Sanders. Ele notou as diferenças entre seu programa de governo e o de Biden, mas na sua opinião o que está em jogo é algo maior: a própria democracia.

Sanders lembrou um tuíte recente de Trump aventando um adiamento da eleição por causa do coronavírus. Ontem, horas antes do início da convenção, Trump voltou a afirmar que a única explicação para uma derrota nas urnas seria uma eleição “fraudada”. “Nero tocou violino enquanto Roma pegava fogo. Trump joga golfe”, disse Sanders.

As críticas mais diretas à atuação do governo federal diante da pandemia do coronavírus – que deve ser o tema central da eleição – ficaram por conta de dois governadores.

Gretchen Whitmer, a quem Trump se referiu durante a pandemia como “aquela mulher de Michigan”, disse que o presidente “luta contra os americanos, em vez de lutar contra o vírus que está no matando e à economia”.

Andrew Cuomo, governador de Nova York e uma das lideranças regionais a ganhar projeção nacional no início da pandemia, disse que a Covid-19 é um sintoma de uma doença maior. “O vírus ataca quando o corpo está fraco”, afirmou Cuomo.

“Trump não criou a divisão inicial. A divisão criou Trump; ele só a agravou. Nossa força coletiva se exercita no governo e ela de fato é nosso sistema imunológico. O governo atual é disfuncional e incompetente e não teria como combater o vírus. Hoje, seis meses depois, continuamos despreparados”, disse o governador.

Discurso de Michelle Obama: coronavírus obrigou a convenção democrata a ser virtual pela primeira vez (Daniel Acker/Bloomberg via Getty Images/Getty Images)

Republicanos anti-Trump

Republicanos de destaque também apareceram no vídeo para declarar apoio ao candidato democrata: Christine Whitman, ex-governadora de Nova Jersey, Meg Whitman, ex-presidente do eBay e da HP, e John Kasich, ex-governador de Ohio e pré-candidato republicano na eleição de quatro anos atrás.

“Sou republicano minha vida toda, mas essa associação fica em segundo lugar diante da minha responsabilidade perante meu país. Foi por isso que decidi aparecer nesta convenção”, afirmou Kasich. “Em tempos normais, algo assim provavelmente nunca aconteceria. Mas estes não são tempos normais.”

Horas antes do início da programação oficial, Miles Taylor, que foi chefe de gabinete do ministério da Segurança Nacional (Homeland Security), tornou-se o mais alto ex-integrante do governo Trump a apoiar Biden.

Num vídeo publicado pelo grupo Eleitores Republicanos Contra Trump, Taylor se disse “aterrorizado” com a incapacidade do presidente. Trump “queria explorar o ministério para seus objetivos políticos pessoais, para levar adiante sua agenda”.

Um formato inusitado

O evento foi apresentado de um estúdio em Los Angeles pela atriz Eva Longoria, famosa por sua participação na série “Desperate Housewives”.

Depois de uma introdução com montagens de crianças cantando o hino nacional e uma prece liderada por um pastor latino da Flórida, Longoria disse que “a esperança é que estivéssemos todos juntos” em Milwaukee, mas não seria possível fazê-lo com segurança. Longoria então entrevistou via videoconferência quadro cidadãos de diferentes partes do país falando de suas experiências com a pandemia.

A primeira hora da transmissão (que não foi exibida na TV aberta) teve menos nomes de peso. Sem a animação e os milhares de pessoas lotando um ginásio, os produtores tiveram de encontrar maneiras de preencher o tempo sem enfileirar um discurso depois do outro.

Philonise Floyd, irmão de George Floyd, cujo assassinato pela polícia de Minneapolis desencadeou uma onda de protestos raciais em junho, lembrou o irmão e outros negros vítimas de violência policial e pediu um minuto de silêncio – durante o qual a TV mostrou pessoas comuns de olhos fechados em suas casas.

Na sequência, o próprio Biden apareceu entrevistando, também via vídeo, ativistas negros e Gwen Carr, mãe de Eric Garner, também assassinado por policiais que o sufocaram em Nova York, em 2014. A aparição do candidato logo no começo dos trabalhos foi uma surpresa – normalmente eles só aparecem no momento de discursar.

Um dos ataques mais ferinos contra Trump foi o de Kristin Urquiza. Seu pai morreu aos 65 anos por complicações de Covid-19, e ela culpou diretamente Trump pela tragédia familiar. Urquiza afirmou que seu pai acreditou nas palavras do presidente quando ele disse que era hora de reabrir a economia. Em meados de maio, ele foi a um bar com amigos no Arizona (um dos primeiros estados a reabrir), onde contraiu o coronavírus.

“Basta. Trump pode não ter causado o coronavírus, mas sua desonestidade e suas ações irresponsáveis pioraram muito as coisas.” Momentos depois, uma montagem mostrou fotos de algumas das mais de 170 000 vítimas de Covid-19 nos Estados Unidos até aqui.

Para um formato completamente novo, a primeira impressão foi positiva. Em alguns momentos, a programação parecia mais um longo comercial de político, como observou um comentarista do New York Times. Mas, num ano como 2020, o simples fato de a transmissão ter corrido sem maiores problemas técnicos pode ser considerado uma vitória.

Na noite de hoje, aparecem diante das câmeras a deputada de Nova York e estrela ascendente da esquerda americana Alexandria Ocasio-Cortez, o ex-presidente Bill Clinton e a mulher de Joe Biden, Jill Biden.

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O púlpito virtual da ONU como palanque eleitoral

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Trump responsabiliza China pela pandemia, deprecia multilateralismo e esnoba acordos assinados por Obama. “Vocês também deveriam colocar seus países em primeiro lugar”, aconselha presidente americano a líderes mundiais.

Trump em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro de 2020 — Foto: Reprodução

O presidente Donald Trump usou o púlpito virtual da Assembleia Geral da ONU para atacar a China, depreciar o multilateralismo e esnobar os acordos internacionais assinados pelo antecessor Barack Obama. Mostrou que estava ali especialmente para desempenhar um papel: o de agradar ao público interno, a 41 dias de receber o veredito das urnas.

O recado do presidente americano aos demais líderes mundiais — este ano todos no modo digital — poderia ser resumido na máxima “cada um por si”. Ou seja, no seu mantra preferido, o America First.

“Estou orgulhosamente colocando os EUA em primeiro lugar, assim como vocês deveriam colocar seus países em primeiro lugar. Somente quando vocês cuidarem de seus próprios cidadãos, poderão encontrar uma base verdadeira para a cooperação.”

Trump bateu forte na China, responsabilizando o país pela disseminação do novo coronavírus, por controlar a Organização Mundial de Saúde, e pela poluição atmosférica. Pequim repudiou as acusações como “sem fundamento”.

Na última aparição de seu mandato na assembleia da ONU, Trump usou menos da metade do tempo estipulado a cada chefe de Estado. Desdenhou os acordos do Clima e do Irã, firmados durante o governo Obama, que ele abandonou assim que foi eleito.

Xi Jiping na Assembleia Geral da ONU — Foto: Reprodução

Xi Jiping na Assembleia Geral da ONU — Foto: Reprodução

Dedicou-se a exaltar o nacionalismo, gabou-se da forma como seu governo conduziu a pandemia. Sequer mencionou a cifra de 200 mil mortos nos EUA, mas citou as vidas salvas pelos atos de sua administração.

A mensagem um tanto confusa se assemelhou à de seus comícios eleitorais. Talvez por prever o conteúdo do discurso que seria proferido pelo presidente americano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, se antecipou, na abertura da Assembleia Geral, e condenou de antemão os países que agiram de forma egoísta durante a pandemia.

Em referência ao governo americano, Guterres cunhou o termo “vacinacionalismo” para repreender os que fazem acordos paralelos para garantir a imunização de suas populações. Os EUA ficaram de fora da coalizão de 170 países liderada pela OMS para distribuir de forma igualitária as vacinas contra a Covid-19.

“Esse ‘vacinacionalismo’ não é apenas injusto, é contraproducente. Nenhum de nós está seguro até que todos nós estejamos seguros.”
Guterres foi adiante. Destacou a grande lição da pandemia para o mundo: a importância das eleições. “Ao olharmos para o futuro, vamos nos certificar de que escolhemos com sabedoria.” Mais um recado provavelmente direcionado aos americanos.

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Putin exalta vacina, Macron fala em ‘nova realidade’ com vírus, e Rohani cita violência nos EUA; veja destaques dos discursos na ONU

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Primeiro dia de debates de líderes mundiais na Assembleia Geral das Nações Unidas teve a pandemia do novo coronavírus e a crise entre potências globais como temas.

Auditório da ONU para Assembleia Geral — Foto: GloboNews/Reprodução

Começaram nesta terça-feira (22) os debates dos chefes de estado e governo na Assembleia Geral das Nações Unidas, evento que marca os 75 anos da ONU. Em discursos transmitidos ou pré-gravados de cada país por causa da pandemia do novo coronavírus, os líderes comentaram os esforços para debelar a Covid-19 e trocaram críticas sobre sanções, armamentos químicos e nucleares e ações militares.

Como ocorre tradicionalmente, o Brasil abriu os debates, com o discurso do presidente Jair Bolsonaro. Na declaração, também gravada, o brasileiro disse que o Brasil é ‘vítima’ de ‘brutal campanha de desinformação’ sobre Amazônia e Pantanal (veja a íntegra do discurso AQUI).

Em seguida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teceu duras críticas à ação da China e da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a condução da crise sanitária. O presidente chinês, Xi Jinping, que discursou logo depois, condenou o que chamou de “politização da pandemia” e disse que não quer “guerra quente ou fria” com nenhum país.

Lideranças de outros países considerados chave no jogo geopolítico mundial, como Rússia, Irã e França, também discursaram nesta tarde. Veja mais detalhes abaixo.

Putin oferece vacina a funcionários da ONU

Vladimir Putin, presidente dos EUA, durante discurso gravado para a Assembleia Geral da ONU nesta terça (22) — Foto: UNTV via AP

Vladimir Putin, presidente dos EUA, durante discurso gravado para a Assembleia Geral da ONU nesta terça (22) — Foto: UNTV via AP

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, exaltou a Sputnik V como a “primeira vacina registrada” contra a Covid-19 no mundo — embora o projeto tenha recebido críticas pela falta de transparência na publicação dos dados das pesquisas e pela velocidade do resultado considerada incompatível.

“Nós estamos prontos para compartilhar nossa experiência e a continuar interagindo com todos os países e estruturas internacionais, incluindo preocupações com o fornecimento a outros países da vacina russa — que provou sua confiabilidade, segurança e eficiência”, disse.

Putin ainda ofereceu vacinar, sem custos, os funcionários das Nações Unidas e de departamentos filiados à organização. “Pedidos como esse de colegas vieram da ONU até nós, e não ficaremos indiferentes a eles”, afirmou o presidente russo.

Funcionário mostra frascos com potencial vacina russa contra Covid-19 perto de Moscou — Foto: Andrey Rudakov/Divulgação via REUTERS

Funcionário mostra frascos com potencial vacina russa contra Covid-19 perto de Moscou — Foto: Andrey Rudakov/Divulgação via REUTERS

No discurso, o chefe do Kremlin pediu também que “sanções ilegítimas” fossem retiradas para permitir a recuperação econômica global após as crises geradas pela pandemia — ele não mencionou quais sanções seriam essas. Para Putin, será preciso construir “corredores verdes” para passagem de insumos entre os países.

“Eu gostaria mais uma vez de chamar atenção à proposta de introduzir os chamados corredores verdes livres de guerras comerciais e sanções, especialmente para produtos essenciais, alimentos, medicamentos, equipamentos de proteção aos profissionais para a luta contra a pandemia.”

Rohani sobe o tom com os EUA

Hassan Rohani, presidente do Irã, discursa em vídeo pré-gravado para a Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22) — Foto: UNTV via AP

Hassan Rohani, presidente do Irã, discursa em vídeo pré-gravado para a Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22) — Foto: UNTV via AP

Em discurso politicamente duro, o presidente do Irã, Hassan Rohani, criticou em vários momentos a política interna e externa dos Estados Unidos, principal inimigo de Teerã. O iraniano inclusive mencionou indiretamente a morte de George Floyd durante ação policial em maio.

“As imagens transmitidas ao mundo sobre o tratamento dado a um afro-americano pela polícia dos EUA são um remanescente de nossa própria experiência”, disse Rohani, sem dizer o nome do americano morto em Minnesota após ter o pescoço prensado pelos joelhos de um policial.

“Nós instantaneamente reconhecemos os pés sobre o pescoço como os pés da arrogância sobre os pescoços das nações independentes”, acrescentou.

Iranianos destroem uma bandeira americana durante protesto em Teerã no dia 3 de janeiro pela morte do general Qassem Soleimani. — Foto: Atta Kenare / AFP

Iranianos destroem uma bandeira americana durante protesto em Teerã no dia 3 de janeiro pela morte do general Qassem Soleimani. — Foto: Atta Kenare / AFP

No primeiro discurso na Assembleia Geral após a morte do general Qassem Soleimani em ação coordenada pelos EUA em janeiro, Rohani se referiu ao militar morto como “herói assassinado” e “líder da luta contra o extremismo violento no Oriente Médio que lutou para proteger os cidadãos da região contra reacionários medievais”.

“Os Estados Unidos não podem impor nem negociações nem guerras a nós. A vida é dura com as sanções, mas é mais dura ainda sem independência”, disse o presidente do Irã.

Rohani disse também que o Irã “não é um pedaço para barganha nas eleições dos Estados Unidos” e alertou:

“Qualquer que seja o governo dos EUA depois das próximas eleições não terá outra escolha senão se render à resiliência da nação iraniana”.

Macron cita ‘nova realidade’ da Covid-19

Emmanuel Macron, presidente da França, durante pronunciamento enviado à Assembleia Geral da ONU nesta terça (22) — Foto: UNTV via AP

Emmanuel Macron, presidente da França, durante pronunciamento enviado à Assembleia Geral da ONU nesta terça (22) — Foto: UNTV via AP

Em longo pronunciamento, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse que acredita em um remédio contra a pandemia da Covid-19. Entretanto, ele disse que, durante a espera “que ninguém sabe quanto vai durar”, o mundo deverá viver em uma “nova realidade”.

“Esta nova realidade é clara, brutal, certamente vertiginosa, e nós a devemos observar sem nos deixar cair em desespero ou no desencorajamento, mas com lucidez”, discursou o francês.

Assim, Macron alertou sobre as “fraturas nos meios de ação coletiva” do planeta durante a pandemia da Covid-19 e insistiu na confiança nas instituições nacionais e mundiais durante a crise sanitária.

“As entidades de confiança científica e jornalistas, tão essenciais para compreender e agir com eficácia diante da crise, foram questionados por propaganda de Estados e pela epidemia da desinformação”, disse Macron.

O presidente da França, Emmanuel Macron, durante teleconferência com outros líderes mundiais sobre a situação no Líbano — Foto: Christophe Simon/Pool via Reuters

O presidente da França, Emmanuel Macron, durante teleconferência com outros líderes mundiais sobre a situação no Líbano — Foto: Christophe Simon/Pool via Reuters

O presidente francês também afirmou, em tom semelhante a discursos anteriores, que o mundo deve lutar contra as mudanças climáticas e cobrou ação dos países. “Proteger nossos bens comuns não é contraditório com o exercício de nossa soberania”, disse Macron.

“Os oceanos, os polos, as florestas tropicais pertencem ao patrimônio comum da humanidade”, enumerou o presidente da França.

No fim, Macron pressionou pela desnuclearização da Coreia do Norte “em apoio aos esforços concentrados pelos Estados Unidos” e disse que “não aceita as violações cometidas pelo Irã” ao acordo nuclear — do qual os EUA se retiraram, algo que o governo francês foi e ainda é contra.

“A França, com seus aliados alemães e britânicos, manterá sua demanda pela implementação total e plena do acordo de Viena de 2015” sobre o dossiê nuclear iraniano, declarou Macron.

O presidente da França também criticou a Rússia pelo envenenamento de Alexei Navalny, principal opositor de Putin. “Da mesma maneira, nós não toleraremos que armas químicas sejam usadas na Europa, na Rússia ou na Síria”, disse.

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Mortes por covid-19 podem disparar no Reino Unido, alertam médicos

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As internações por covid-19 estão dobrando a cada oito dias e o sistema de exames do Reino Unido não dá conta da procura

Mortes por covid-19 podem disparar no Reino Unido, alertam médicos (Hannah McKay/Reuters)

O Reino Unido enfrentará um crescimento exponencial da taxa de mortalidade decorrente da Covid-19 dentro de semanas a menos que o governo do primeiro-ministro, Boris Johnson, reaja com urgência para deter uma segunda onda do surto que se dissemina rapidamente, alertaram os médicos mais graduados do país nesta segunda-feira.

O Reino Unido já tem o maior número oficial de mortes de Covid-19 da Europa –e o quinto maior do mundo– enquanto faz empréstimos recordes na tentativa de injetar fundos de emergência na economia combalida.

Mas os casos novos da doença estão aumentando em ao menos seis mil por dia no país, de acordo com dados de uma semana, as internações estão dobrando a cada oito dias e o sistema de exames não dá conta da procura.

Chris Whitty, a principal autoridade médica do governo, e Patrick Vallance, seu principal conselheiro científico, alertaram que, se não for contida, a epidemia britânica chegará a 50 mil casos novos por dia até meados de outubro.

“Se isto continuar por esse rumo… o número de mortes diretas da Covid … continuará a aumentar, possivelmente em uma curva exponencial, que significa dobrar e dobrar e dobrar novamente, e se pode ir rapidamente de números realmente bem pequenos para números realmente muito grandes”, disse Whitty.

“Se não fizermos o suficiente, o vírus decolará, e neste momento está claro que é este o rumo no qual estamos, e se não mudarmos de direção nos veremos com um problema muito difícil.”

O vírus está se disseminando em todas as áreas do país, e menos de 8% da população têm anticorpos para o vírus, embora em Londres cerca de 17% da população possa ter anticorpos, disse Vallance.

Velocidade e ação são necessárias com urgência, disseram Vallance e Whitty, acrescentando que, como o inverno se aproxima, o problema da Covid assombrará o Reino Unido durante ao menos mais seis meses.

Johnson deve se pronunciar na terça-feira.

O secretário da Saúde, Matt Hancock, disse que as restrições serão diferentes em relação à última vez. O governo quer reprimir a socialização, mas as escolas e muitos locais de trabalho permanecerão abertos.

“Se realmente temos que agir, será diferente da última vez, e aprendemos muita coisa sobre como combater o vírus”, disse ele à ITV.

Indagado sobre o Natal e se as pessoas poderão abraçar seus familiares, ele disse que quer que a ocasião seja a mais normal possível.

“Se isto sair de controle agora, teremos que adotar medidas mais duras no futuro.”

O número oficial de mortes do Reino Unido está em 41.777 pessoas.

 

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Ausência de líderes globais agrava impasse e frustrações na ONU

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Biodiversidade sendo destruída, mudança climática se acelera, guerra e fome criam mais refugiados do que nunca, alerta a ONU, cuja assembleia será

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso na ONU em 2018 (Carlos Barria/Reuters)

Ao completar 75 anos neste ano, as Nações Unidas continuam com a produção de relatórios cada vez mais sombrios sobre ameaças globais que deveriam ser atenuadas após sua criação.

A biodiversidade tem sido destruída, a mudança climática se acelera, e a guerra e a fome criam mais refugiados do que nunca na história da humanidade, alerta o organismo mundial. E agora a pandemia de Covid-19 fez com que centenas de milhões voltassem à pobreza, enquanto novas paralisações da atividade econômica se aproximam.

Aprofundando a escuridão que envolve a organização mundial, a Assembleia Geral da ONU, que geralmente traz cerca de 10 mil diplomatas todos os anos a Manhattan, está sendo realizada virtualmente nesta semana, o que impede encontros pessoais entre líderes mundiais que às vezes oferecem vislumbres de progresso para crises aparentemente sem solução.

“É um dos períodos mais desafiadores que a ONU já viu, seja pela mudança climática, colapso socioeconômico devido à pandemia ou conflitos globais”, disse Jan Egeland, ex-chefe de assuntos humanitários da ONU que agora dirige o Conselho Norueguês para Refugiados. “Mas presenciamos um choque gigantesco entre os ideais que a ONU defende e o nacionalismo que se espalha como fogo em muitos de seus estados membros.”

Todos os anos, a Assembleia Geral se torna o palco central para que opiniões de líderes possam ser ouvidas no mundo todo. Os discursos variam de críticas veementes contra o colonialismo – Fidel Castro detém o recorde da ONU com um discurso de quatro horas em 1960 – ao uso de adereços que chamam a atenção, como o desenho de uma bomba com um fusível aceso que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mostrou em 2012 para alertar contra as ambições nucleares do Irã.

Nesta semana, os líderes enviarão vídeos para uma sala vazia. Para o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, que organiza uma mesa-redonda virtual com líderes climáticos de governos, empresas e sociedade civil na quinta-feira, será uma oportunidade perdida.

“A diplomacia, para ser eficaz, requer contato pessoal”, disse em conferência de imprensa. “Lamento não ter a oportunidade de reunir líderes de países envolvidos em conflitos como o da Líbia ou do Iêmen ou qualquer outro, ou líderes que tenham uma iniciativa importante em áreas-chave, seja em relação às mudança climática, combate ao racismo, igualdade de gênero, que não possamos aproximá-los.”

Um bônus do formato virtual: funcionários da ONU esperam líderes que geralmente enviam subordinados à Assembleia Geral, incluindo os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, para participar com comentários por vídeo.

Cooperação, nacionalismo
Os discursos provavelmente destacam um contraste cada vez mais profundo de opiniões. Líderes como o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, devem pedir ação conjunta para resolver problemas globais urgentes.

“A semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU será uma oportunidade para refletir sobre a atual crise da Covid-19 e reafirmar o papel crucial das Nações Unidas e da cooperação multilateral, que são extremamente necessárias nestes tempos”, disse o embaixador da França, Nicolas de Riviere, a repórteres.

Mas os dois primeiros palestrantes agendados para terça-feira, os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump, provavelmente usarão a plataforma para destacar suas abordagens nacionalistas. Para Trump, a oportunidade surge exatamente seis semanas antes das eleições nos Estados Unidos, onde perde nas pesquisas para o democrata Joe Biden.

“Líderes sábios sempre colocam o bem de seu próprio povo e seu próprio país em primeiro lugar”, disse Trump à Assembleia Geral no ano passado. “O futuro não pertence aos globalistas. O futuro pertence aos patriotas.”

 

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Corrida pela vaga de Ginsburg abre novo embate entre Trump e Biden

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Além da corrida pela vacina, da responsabilidade pelas queimadas e da pressão sobre a China, é mais um tema que deve escancarar as diferenças na campanha

Segundo o jornal The New York Times, o presidente pretende fazer a nomeação já nesta terça-feira (Kevin Lamarque//BIDEN CAMPAIGN/Reuters)

A eleição americana que já estava quente ficou ainda mais neste início de semana. A morte da juíza Ruth Baber Ginsburg, aos 87 anos, dará a Donald Trump a chance de nomear um juiz conservador para a Suprema Corte, o que pode consolidar uma maioria de 6 a 3 no colegiado. Seria o suficiente para moldar a pauta de costumes no país por décadas.

A nomeação de um juiz à Suprema Corte é um evento dos mais importantes nos Estados Unidos. Ginsburg foi nomeada em 1993 pelo então presidente Bill Clinton após uma longa série de entrevistas com candidatos. No documentário A Juíza ela brinca que teve ter sido a vigésima segunda ou vigésima terceira opção.

Agora, Trump deve ter apenas algumas horas para fechar seu nome, uma vez que as eleições de 3 de novembro se aproximam. Segundo o jornal The New York Times, o presidente pretende fazer a nomeação já nesta terça-feira, pressionando o Senado a ratificar a escolha. Além da corrida pela vacina, da responsabilidade pelas queimadas, da influência russa e da pressão sobre a China, é mais um tema que deve escancarar as diferenças entre os candidatos.

Apesar da maioria republicana na Casa (53 a 47), há questionamentos sobre se a pressa é o melhor caminho neste caso. Um grupo de apoiadores de Trump defende até que a escolha fique para depois das eleições e que a campanha republicana jogue com isso para convencer os eleitores a sair de casa para votar. Uma pesquisa feita pela Reuters e pela Ipsos mostra que 62% dos americanos acreditam que a vaga para a Suprema Corte deve ser preenhcida pelo vencedor de novembro.

Oito em cada dez democratas preferem esperar e o candidato Joe Biden afirmou ontem que, caso vença as eleições, a nomeação de Trump deve ser cancelada. Ele já havia prometido nomear uma mulher negra para o cargo. Biden, curiosamente, era o líder do Senado na época da nomeação de Ginsburg, e testemunhou a chegou da segunda mulher à corte à época, uma forte defensora da igualdade entre os sexos que virou ícone pop nos últimos anos por seus votos dissidentes contra uma corte já majoritariamente conservadora.

“Dois terços dos eleitores americanos acreditam que uma das responsabilidades mais importantes do presidente é escolher os membros da Suprema Corte. Em um ambiente super polarizado isso ganha um degrau ainda maior de relevância”, diz Maurício Moura, fundador do instituto de pesquisas IDEIA, que tem feito pesquisas sobre a eleição americana para a EXAME. “Com um enorme contingente de votos pelo Correio sendo aguardados, o resultado final da eleição pode acabar na Suprema Corte, assim como aconteceu em 2000. É mais uma peça num xadrez complexo para a campanha”.

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Governo britânico considera volta do lockdown em toda Inglaterra

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Índices de contágio disparam em Londres e no noroeste da Inglaterra, e número de hospitalizados duplica a cada oito dias

(Hannah McKa/Reuters)

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sexta-feira, 25 de setembro de 2020

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