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segunda-feira, 15/06/2026

Delegada denuncia inexperiência de equipe em morte de jovem no salto sem cordas em São Paulo

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FOLHAPRESS

A delegada Andrea Dantas Levy, responsável pela investigação da morte da jovem que caiu de uma ponte em Limeira, interior de São Paulo, enquanto praticava “rope jump” sem equipamentos de segurança, afirmou nesta segunda-feira (15) que o acidente demonstra falta de experiência e preparo da equipe envolvida.

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, sofreu múltiplos ferimentos graves ao atingir o chão no sábado (13) e morreu no local, embora ainda apresentasse sinais vitais quando foi socorrida por uma enfermeira presente no momento.

A jovem deveria estar presa a duas cordas, mas nenhuma foi fixada em seu corpo. Vídeos do salto mostram que ela foi levantada e lançada da ponte por instrutores a cerca de 40 metros de altura, sem qualquer equipamento de proteção.

De acordo com a delegada, os responsáveis não formavam uma empresa formal e atuavam de forma irregular, praticando esse esporte há cerca de cinco anos, mas sem o preparo adequado para um esporte de alto risco. “A corda é o principal equipamento. Como isso pôde acontecer?”, questionou.

A equipe de reportagem tentou contato com a empresa “Entre Cordas”, que oferecia os saltos, por telefone, e-mails, redes sociais e WhatsApp desde domingo (14), sem sucesso, recebendo apenas mensagens automáticas.

Antes da tragédia com Maria Eduarda, pelo menos dez saltos tinham sido realizados. Ela foi a primeira a participar da modalidade chamada “aviãozinho”, em que um grupo arremessa a pessoa da ponte, conforme a delegada.

A jovem segurava uma câmera acoplada ao pulso para registrar o salto, mas até o momento o equipamento não foi encontrado. A delegada suspeita que a câmera tenha sido descartada após o acidente.

O vídeo do salto não estava incluso no pacote básico, que custava cerca de R$ 180; quem desejasse gravar precisaria pagar um valor extra, explicou Andrea.

Seis pessoas foram detidas após o acidente, três delas permanecem presas. Luis Felipe Feliciano Egoroff, 32 anos, Vitor de Freitas Gonçalves, 27, e Maicon Fernandes Cintra, 42, tiveram a prisão convertida em preventiva e responderão por homicídio com dolo eventual, acusado de assumirem o risco de causar a morte ao não prenderem a jovem às cordas.

A delegada informou que a polícia ainda pode solicitar a prisão dos demais envolvidos caso surjam novas evidências. Uma das pessoas que divulgaram os saltos nas redes sociais apagou a conta por medo de represálias e comunicou a mãe sobre o ocorrido.

A investigação busca testemunhas e obteve os extratos de pagamentos usados pelos organizadores, o que pode trazer novas informações para o inquérito.

O salto aconteceu na ponte do Esqueleto, antiga estrutura da Rede Ferroviária Federal que já registrou outros acidentes com saltos. No ano anterior, duas pessoas ficaram feridas e a ponte chegou a ser bloqueada em 2024 após a morte de uma ciclista, mas a interdição não foi mantida.

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