O Brasil registrou um déficit de US$ 5,1 bilhões na conta corrente em setembro, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Esse valor é ligeiramente maior que o déficit de US$ 5,055 bilhões registrado em agosto, mas representa o menor resultado negativo para o mês de setembro desde 2023, quando o déficit foi de US$ 1,167 bilhão.
O déficit em setembro ficou abaixo da mediana das expectativas do mercado financeiro, que previa um rombo de US$ 5,3 bilhões, com projeções variando entre US$ 4,4 bilhões e US$ 8,8 bilhões, todas negativas.
No acumulado do ano, o saldo negativo da conta corrente brasileira atingiu US$ 49,273 bilhões. Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o déficit caiu de 2,50% em agosto para 2,33% em setembro, indicando a menor proporção em 12 meses desde setembro de 2024, quando o valor foi de 2,19% do PIB.
A balança comercial apresentou superávit de US$ 6,869 bilhões, enquanto a conta de serviços teve déficit de US$ 5,243 bilhões. A conta de renda primária e a conta financeira registraram déficits de US$ 7,203 bilhões e US$ 7,199 bilhões, respectivamente.
O Banco Central projeta um déficit anual de US$ 60 bilhões nas transações correntes para 2026, equivalente a 2,3% do PIB. A previsão considera um superávit comercial de US$ 75 bilhões, mas déficits de US$ 56 bilhões na conta de serviços e de US$ 85 bilhões na conta de renda primária.
Remessa de lucros e dividendos
Em setembro, as remessas de lucros e dividendos registraram déficit de US$ 5,060 bilhões, conforme divulgado pelo Banco Central. No mesmo mês de 2025, esse valor havia sido de US$ 4,442 bilhões negativos.
As despesas com juros pagos ao exterior totalizaram US$ 2,175 bilhões, valor inferior aos US$ 2,478 bilhões gastos no mesmo período de 2025.
No acumulado até setembro, as remessas de lucros e dividendos apresentaram saldo negativo de US$ 43,132 bilhões, enquanto os gastos com o serviço da dívida chegaram a US$ 21,135 bilhões no vermelho.
Viagens internacionais
A conta destinada às viagens internacionais teve déficit de US$ 1,394 bilhão em setembro. Esse valor reflete a diferença entre os gastos dos brasileiros no exterior e os gastos dos estrangeiros no Brasil. Em setembro de 2025, o déficit foi de US$ 1,091 bilhão.
Os brasileiros consumiram US$ 2,299 bilhões em viagens ao exterior, enquanto os visitantes estrangeiros gastaram US$ 905 milhões em viagens ao Brasil.
No acumulado de 2026, o déficit da conta de viagens internacionais somou US$ 10,900 bilhões, resultado menor que o registrado em 2025, que totalizou US$ 11,536 bilhões.
Dívida externa
Segundo estimativas do Banco Central, a dívida externa do Brasil atingiu US$ 420,261 bilhões em setembro, apresentando leve redução em relação a agosto, quando estava em US$ 420,826 bilhões.
Desse total, US$ 298,182 bilhões referem-se à dívida externa de longo prazo, e US$ 122,079 bilhões correspondem à dívida de curto prazo.


