O dólar iniciou o dia com alta de mais de 8%, ultrapassando os R$ 5, após o presidente Lula vencer o segundo turno das eleições presidenciais contra o senador Flávio Bolsonaro.
Lula venceu com 51,79% dos votos válidos em comparação a 48,21% do adversário, no último domingo.
Às 9h10, o dólar valorizava 8,71%, cotado a R$ 5,424, com um movimento mais intenso que nos mercados externos, onde o índice que avalia o desempenho do dólar apresentava alta de 0,12%.
Os juros futuros também reagiram, com a taxa DI para janeiro de 2027 subindo para 13,983%, alta de 52 pontos-base, e a taxa DI para janeiro de 2031 avançando 182 pontos-base, chegando a 14,460%.
Especialistas antecipam queda na Bolsa de Valores nesta segunda-feira, com possibilidade do circuito breaker ser acionado, um mecanismo que suspende temporariamente as negociações quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento do pregão anterior.
A valorização do dólar e a queda do Ibovespa podem reverter os ganhos observados após o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro liderava com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula tinha 45,16%.
Após a primeira rodada, a Bolsa subiu 7,70%, atingindo 206.911 pontos, enquanto o dólar caiu 4,11%, fechando a R$ 5,001, seu maior recuo desde 2018.
Desde a confirmação das candidaturas em agosto, o dólar recuou cerca de 2%, e a Bolsa brasileira teve alta de 15,3%.
O bom desempenho dos ativos após o primeiro turno refletia a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de um ajuste fiscal mais rigoroso. A continuidade de Lula no governo gera preocupações sobre a insuficiência de medidas para equilibrar as contas públicas.
Essa expectativa de menor controle fiscal tende a elevar o risco percebido pelos investidores, o que eleva a taxa de juros e pode aumentar o custo do crédito para as empresas, afetando negativamente os lucros e o mercado acionário.
Pesquisas indicam que a maioria dos gestores de fundos esperava uma queda no Ibovespa superior a 5% e uma desvalorização do real acima de 5% após a vitória de Lula.
No mercado internacional, contratos futuros do real e ações brasileiras negociadas em Nova York apresentavam fortes queda na manhã desta segunda-feira.
O fundo de índice que representa ações brasileiras nos EUA caiu mais de 26% no pré-mercado, enquanto contratos futuros do real para novembro e dezembro caíam cerca de 10% cada.
Dentre as ações brasileiras em Nova York, Itaú e Bradesco recuavam 28% e 25%, respectivamente, e Petrobras diminuía 23%. As quedas foram menores para Vale e Embraer, com 3,31% e 3,77% de baixa.
As ações da XP registraram a queda mais forte, superior a 45%, seguidas das da Nubank com 20% de queda, e da JBS, que caiu cerca de 2%.
No último pregão antes do resultado, o dólar fechou em queda de 0,96%, cotado a R$ 4,989, e o Ibovespa subiu 0,47%, refletindo a expectativa pela possível vitória de Flávio Bolsonaro.


