CONSTANÇA REZENDE
FOLHAPRESS
A equipe de defesa de Henrique Vorcaro, pai do proprietário do Banco Master, afirmou que os familiares de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, têm pressionado sua família pedindo pagamentos relacionados a contratos, e não por atividades ilegais.
Essa informação consta em documento enviado pelos advogados de Henrique Vorcaro ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (17).
Os defensores explicam que Henrique e seus parceiros estão sendo cobrados pela família de Mourão para quitar dívidas e antecipar créditos, sob ameaça de prisão, e esclarecem que ele não tentou intimidar essas pessoas para que se calassem.
O documento também relata que Joana Mourão, irmã de Sicário, tem pressionado a família por pagamentos e que os contatos começaram após o suicídio de Sicário na prisão da Polícia Federal de Minas Gerais, em 4 de março, logo após sua detenção em uma fase da Operação Compliance Zero.
Conversas apreendidas pela Polícia Federal mostraram mensagens em que Joana afirma possuir “material para prejudicar toda a família” e menciona uma proposta de delação feita pelo ex-banqueiro às autoridades.
Segundo os advogados Eugênio Pacelli, Frederico Horta e Sérgio Quintão, tais mensagens e chamadas telefônicas indicam um tipo de pressão comum a famílias de presos por parte de credores, algumas vezes agressivos.
O último contato registrado foi por Thiago Assumpção, advogado e sócio de Henrique Vorcaro, que recebeu uma mensagem em 8 de maio de um número ligado a Mourão solicitando uma reunião para tratar de contratos pendentes.
Os advogados pediram ao ministro Mendonça que ouça Joana Mourão para que ela esclareça os fatos e apresente provas que considerar relevantes. Eles afirmam que, ao contrário de tentar silenciá-la, é de interesse que ela seja ouvida no processo.
As investigações da Polícia Federal indicam que Sicário fazia parte de um grupo vinculado a Vorcaro que intimidava adversários do dono do Banco Master, chamado “A Turma”. A defesa nega qualquer ligação dos pagamentos com ações ilegais e afirma que não há provas de pagamentos ilícitos.
Os valores exigidos por Joana Mourão seriam referentes a serviços de segurança realizados por Sicário em um terreno e à sua intervenção na compra de um imóvel em Campo Grande, bairro do Rio de Janeiro.
Segundo os advogados, isso explica as cobranças de parcelas de R$ 200 mil e R$ 400 mil mencionadas pela Polícia Federal, relacionadas a um contrato formalizado no final de 2025 para uma parceria em investimento imobiliário.
O documento esclarece que essas cobranças e pagamentos têm respaldo contratual e são registrados em movimentações bancárias oficiais, todas informadas à Procuradoria-Geral da República.
A defesa também critica a interpretação parcial da Polícia Federal sobre os fatos que levaram à prisão de Henrique Vorcaro e solicita que a medida seja revista ou substituída por uma menos severa.
Adicionalmente, o relatório da PF afirma que Henrique Vorcaro pagava R$ 400 mil mensais ao agente aposentado Marilson Roseno da Silva para obter informações sobre investigações confidenciais. Roseno é investigado por criar vazamentos internos na corporação.
Segundo as apurações, os pagamentos eram feitos via Pix, presentes e um bônus de final de ano, chamado de “oferenda” por Vorcaro, para recrutar servidores ativos da Polícia Federal.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa do policial aposentado, que já atuava em sua própria defesa em processos anteriores.


