Cuba anunciou que vai solicitar apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) para combater o que chama de ‘punição coletiva’ imposta pelos Estados Unidos. Desde os anos 1960, o país sofre um embargo econômico e pressões comerciais dos EUA, que aumentaram no último ano com o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos.
O pedido será feito por meio de uma resolução que pede o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro norte-americano contra Cuba. Victor Manuel Cairo Palomo, embaixador cubano no Brasil, informou ao Metrópoles que o texto será apresentado e discutido na Assembleia Geral da ONU nos dias 27 e 28 de outubro.
Desde 1962, Cuba enfrenta essas restrições impostas pelos Estados Unidos, após se aproximar da União Soviética durante a Guerra Fria. O embargo dificultou o acesso da ilha ao mercado internacional, limitando seu desenvolvimento social e econômico. Regras específicas dos EUA também atingem empresas, bancos e pessoas estrangeiras que tenham relações com Havana.
O embargo contribuiu para décadas de dificuldades econômicas, falta de modernização e dependência de combustíveis importados. Com o aumento das sanções na era Trump, Cuba passou a enfrentar apagões prolongados devido ao sistema elétrico antigo.
Esta será a 34ª vez que Cuba apresenta uma resolução na Assembleia Geral da ONU pedindo o fim do embargo, e todas foram aprovadas pela maioria dos países membros, exceto em 2020, quando a pandemia da Covid-19 interrompeu a discussão. Para ser aprovada, a maioria dos países presentes precisa votar a favor. No ano passado, 187 países apoiaram a resolução, enquanto os Estados Unidos e Israel foram contra, e a Ucrânia se absteve.
Embora as resoluções da Assembleia Geral não tenham obrigação legal de serem cumpridas pelos países membros, elas têm grande peso simbólico e político, segundo o embaixador Palomo. Ele destacou que a maioria dos países expressa sua oposição à política norte-americana contra Cuba, e acredita que isso pode influenciar uma mudança de postura dos Estados Unidos.
Victor Manuel Cairo Palomo também comentou sobre a piora da situação econômica após a volta do governo Trump, as medidas adotadas por Cuba para enfrentar a crise, a ajuda internacional recebida, as ameaças militares dos EUA e as eleições brasileiras.
