A guerra na Ucrânia, que já dura cinco anos, causou um aumento significativo na tensão na Europa, especialmente nas fronteiras dos países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Recentemente, ataques com drones no Mar Negro, perto das costas da Romênia e da Bulgária, resultaram em marinheiros desaparecidos e levaram a Bulgária a reforçar suas defesas aéreas e sistemas contra drones.
Esses eventos aumentam a preocupação dos governos europeus sobre a possibilidade do conflito se expandir para além da Ucrânia, com incidentes militares e violações do espaço aéreo atribuídas à Rússia. Embora os ataques aos navios não sejam considerados uma agressão direta à Otan, a proximidade com territórios aliados exige maior vigilância e medidas de proteção.
A Otan tem reforçado sua presença no flanco leste, que compreende países próximos à Rússia e Belarus, como Bulgária, Estônia, Finlândia, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia, Romênia e Eslováquia. Em 15 de outubro, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, discutiu ajustes nas estratégias defensivas com líderes da Romênia e Bulgária, visando melhorar a capacidade de resposta a ameaças, principalmente ataques aéreos e com drones.
Alexus Grynkewich, comandante supremo aliado na Europa, afirmou que um ataque ao território de um país membro será imediatamente enfrentado, reafirmando o compromisso da aliança com a defesa coletiva, embora não preveja necessariamente um confronto direto com a Rússia.
Além dos combates na Ucrânia, as autoridades europeias observam atividades híbridas atribuídas à Rússia, que incluem sabotagem, espionagem, ataques cibernéticos e desinformação, aumentando os riscos à segurança. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, destacou que essas ações colocam em risco vidas em várias regiões da Europa.
Também há uma preocupação crescente com infraestruturas estratégicas e redes de transporte, que poderiam ser alvo de ataques visando interromper serviços essenciais e testar a capacidade de resposta dos países.
As capacidades militares russas estão sendo monitoradas de perto, com a reorganização de unidades e posicionamento de sistemas de mísseis próximos às fronteiras da Otan, o que reforça os planos de defesa embora não indique iminência de ataque.
A União Europeia decidiu manter até outubro de 2027 as sanções relacionadas às atividades híbridas russas, mantendo as pressões contra ameaças à segurança do continente.
Diante dessas ameaças, a Europa está ampliando seus planos de defesa, que incluem proteção de instalações estratégicas, resposta rápida a drones, mobilização militar e preparação da população para emergências. A Alemanha, por exemplo, criou um plano para coordenar ações civis e militares em crises.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçaram o compromisso de continuar apoiando a Ucrânia com assistência militar e sanções contra a Rússia, até o fim do conflito. Por outro lado, a relação com os Estados Unidos tem se mostrado tensa, especialmente após declarações do ex-presidente Donald Trump que geraram preocupação em Kiev.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou que não vê sinais de disposição para a paz por parte da Rússia e pediu a seus parceiros europeus para manterem o apoio militar e financeiro, além de fortalecerem a defesa aérea diante do inverno, época em que os ataques à infraestrutura energética podem ser mais graves.
