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Economia

Cresce mercado de marmitas adaptadas para quem usa canetas para emagrecer

Foto: Gabriel Souza

TAMARA NASSIF
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O setor de alimentos e bebidas percebeu um novo perfil de consumidor: pessoas que utilizam canetas emagrecedoras. Desde cervejas proteicas até opções especiais chamadas “rodízio Mounjaro”, o mercado tem incluído essas preferências no cardápio, e o segmento de marmitas congeladas acompanha essa tendência.

Após a pandemia, a retomada do trabalho presencial e o aumento dos custos de comer fora impulsionaram essa categoria, que agora cresce ainda mais por oferecer refeições saudáveis e personalizadas.

Pequenos empreendedores oferecem nas redes sociais “kits de marmitas Mounjaro” com até 250 gramas e com alto teor de proteína.

A empresa Liv Up registrou que as vendas de suas linhas focadas em emagrecimento e performance esportiva, lançadas recentemente, já dobraram.

A Vapza, que trabalha com alimentos embalados a vácuo, passou a comercializar refeições prontas com indicação da quantidade de proteína em cada embalagem, o que também aumentou suas vendas.

Parte desse movimento acompanha a onda do bem-estar e cuidados com o corpo, que se transformou em uma grande indústria. Outra parte vem do aumento do uso dos medicamentos GLP-1 após a patente do Ozempic e Wegovy ser liberada.

Esses pacientes estão mais atentos à alimentação saudável tanto para potencializar os efeitos do tratamento quanto pela diminuição do apetite causada pelos remédios.

O percentual de clientes da Liv Up que utilizam esses medicamentos aumenta em 2,5 pontos percentuais a cada semestre.

Victor Santos, CEO da Liv Up, explica: “Há um ano, só 5% dos clientes usavam as canetas. Em dezembro, esse número subiu para 7,5%, e em junho, para 10%. Esperamos que daqui a um ano passe de 20%, refletindo a quebra da patente”.

Ele informa que as linhas de emagrecimento e performance devem alcançar R$ 150 milhões em vendas no segundo ano.

“Essas linhas estão crescendo mais rápido que a empresa como um todo, com previsão de crescimento superior a 50% em 2026 comparado a 2025”, diz Santos.

A demanda pelo segmento superou as expectativas, e a empresa aumentou a produção para acompanhar.

O setor de alimentos congelados também tem crescido, segundo o grupo Imarc, com previsão de passar de US$ 5,9 bilhões em 2025 para US$ 7,8 bilhões em 2034, impulsionado pelas refeições prontas.

O aumento no consumo de frutas e legumes congelados e a expansão dos supermercados e lojas de varejo também contribuem para o crescimento.

No iFood, os pedidos de marmitas congeladas cresceram 13% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. São Paulo lidera esse crescimento, com 24%, seguido por outros estados como Ceará (136%), Espírito Santo (81%) e Rio de Janeiro (25,7%).

A Vapza, que já trabalha com feijão e grão-de-bico cozidos e sem tempero, entrou nas refeições prontas em 2025 para atender à demanda crescente.

Enrico Milani, CEO da Vapza, afirma: “Essa tendência é irreversível”.

Investiram em equipamentos importados para lançar pratos como feijoada, estrogonofe, canja de galinha e lentilha com bacon.

“Em 2026, crescemos cerca de 15% em faturamento e 12% em volume de vendas, graças a essa nova linha”, destaca Milani.

Ele também enfatiza a estratégia de comunicar melhor com os usuários das canetas emagrecedoras.

“As pessoas não vão deixar de comer, apenas vão consumir menos e com qualidade. Já lançamos porções menores e destacamos a quantidade de proteína em cada prato, ampliando a venda em supermercados, padarias e lojas de conveniência”, comenta.

A Seara, parte da JBS, lançou uma linha de refeições prontas chamadas “clean label”, com ingredientes simples e transparentes no rótulo, oferecendo pratos como feijoada e carne com legumes.

A JBS está entre as empresas que mais se beneficiam das mudanças provocadas pelo uso das canetas emagrecedoras.

Um relatório da XP indica que companhias focadas em proteína, como MBRF e Minerva, terão vantagens com o crescimento do uso do GLP-1, enquanto outras, como Camil, M. Dias Branco e AmBev, podem sofrer impactos negativos.

Os analistas da XP explicam: “O uso do GLP-1 deve reduzir o consumo de álcool, alimentos ultraprocessados e açucarados, afetando algumas categorias, mas aumentará a disposição de pagar por proteínas, favorecendo empresas premium”.

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