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quarta-feira, 04/03/2026

Correios procuram empréstimo menor de até 6 bilhões em nova negociação com bancos

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IDIANA TOMAZELLI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Os Correios estão preparando uma nova negociação com os bancos para contratar um segundo empréstimo e financiar seu plano de reestruturação, mas o valor solicitado será menor do que os R$ 8 bilhões previstos inicialmente.

De acordo com membros da empresa, o novo pedido de crédito deve ficar entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões. Essa operação também contará com a garantia da União, que cobrirá os pagamentos caso haja inadimplência.

Fontes próximas afirmam que alguns custos previstos não foram confirmados e que houve melhora no fluxo de caixa esperado para os próximos meses, graças a iniciativas não previstas no planejamento financeiro da estatal.

Por exemplo, a negociação de dívidas com fornecedores foi mais positiva do que o estimado. A direção dos Correios adotou uma regra interna dando prioridade a credores que ofereceram desconto total nos juros e multas. Com isso, 97% dos contratos pendentes foram renegociados, gerando uma economia de R$ 260 milhões em relação ao esperado.

Além disso, a empresa conseguiu parcelar o pagamento de cerca de R$ 700 milhões de sentenças judiciais, com três meses de carência e mais nove meses para o pagamento final, o que ajuda a aliviar o fluxo de caixa.

A companhia entende que essas medidas diminuem a necessidade de um empréstimo maior. Embora a recuperação das receitas ainda não tenha atingido o esperado, há perspectiva de melhoria nos próximos 12 meses com a retomada das rotas de entrega dos parceiros estratégicos.

Por outro lado, técnicos do governo reconhecem que, em conversas recentes, os bancos demonstraram pouco interesse em conceder o valor inicial de R$ 8 bilhões. A redução no valor solicitado também é uma forma de se ajustar ao interesse do mercado.

No final de 2025, um grupo com os cinco maiores bancos do Brasil – Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander – concedeu um primeiro empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios. No entanto, existe a avaliação de que o interesse dessas instituições por uma segunda rodada pode ser menor ou até inexistente.

Por exemplo, a Caixa indicou que só participará da nova rodada se necessário e em conjunto com outros bancos. Outras instituições também esperam ver os resultados do plano de reestruturação antes de decidir sobre a operação.

No ano passado, os Correios discutiram o empréstimo com BTG Pactual, ABC Brasil, Citibank e JP Morgan, mas a operação foi rejeitada pelo Tesouro Nacional devido à alta taxa de juros, considerada elevada para um contrato com garantia soberana, que apresenta risco muito baixo para os bancos.

A consulta que será lançada esta semana busca medir o interesse dos bancos e definir o valor que estão dispostos a emprestar. A empresa planeja revisar sua projeção de fluxo de caixa em maio, o que pode influenciar o montante a ser captado no mercado.

Os Correios voltaram a focar na operação de crédito após o Ministério da Fazenda sinalizar que um aporte financeiro na empresa deve ficar para 2027.

O contrato do primeiro empréstimo de R$ 12 bilhões obrigou a Fazenda a se comprometer com um aporte mínimo de R$ 6 bilhões até o próximo ano. Para os Correios, seria ideal que esse aporte ocorresse ainda este ano, mas o governo pretende postergar para 2027 devido a restrições orçamentárias em ano eleitoral.

A empresa tenta garantir os recursos necessários até junho de 2026 para evitar uma nova crise durante o período eleitoral, que poderia prejudicar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No final do ano passado, com o atraso no empréstimo, os Correios tiveram que realocar recursos internos para pagar o 13º salário dos funcionários em dia. O Ministério da Fazenda precisou intervir e convocar uma reunião com executivos dos bancos privados para pedir que participassem da operação.

A consulta para a nova operação será lançada em meio a uma reestruturação na diretoria executiva dos Correios.

A direção da empresa decidiu substituir dois diretores: o de Operações, Sérgio Kennedy Soares Freitas, e a diretora Econômico-Financeira, Loiane Bezerra de Macedo.

Fontes indicam que os substitutos terão perfil técnico e ainda precisarão ser aprovados em comitês internos da companhia, que é liderada por Emmanoel Rondon.

A indicação de Kennedy estava ligada ao Podemos. A saída dele foi planejada no final do ano passado, mas a troca foi suspensa após críticas dentro do governo do Luiz Inácio Lula da Silva ao nome sugerido para substituí-lo.

O nome cotado era José Marcos Gomes, que havia sido superintendente dos Correios em São Paulo durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), o que foi visto como um vínculo indesejado pelo Executivo.

Loiane Bezerra de Macedo trabalhou por 18 anos na Caixa Econômica Federal antes de assumir a diretoria nos Correios. Foi nomeada pelo antecessor de Rondon, Fabiano Silva dos Santos, e mantida no cargo após a mudança na gestão.

Reconduzidos ao cargo no final do ano passado, Kennedy e Macedo tinham mandato até 6 de agosto de 2027, ou seja, serão afastados antes do fim do período previsto.

No fim de janeiro de 2026, saiu o diretor de Administração, José Rorício Aguiar de Vasconcelos Junior, cuja indicação estava ligada ao deputado Juscelino Filho (União Brasil-MA), ex-ministro das Comunicações, pasta à qual os Correios são vinculados.

A diretoria de Administração é responsável pela gestão de contratos. Até o momento, o cargo de Rorício não foi preenchido. Por enquanto, o diretor de Negócios, Hilton Rogério Maia Cardoso, também ligado ao União Brasil, assumiu suas atribuições.

Fontes dizem que Juscelino Filho tenta manter influência na escolha do novo diretor de Administração. Procurado por meio de sua assessoria, o deputado não respondeu.

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