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Economia

Correios lançam novo plano de demissão voluntária após baixa adesão inicial

Foto: Agência Brasil

DIEGO FELIX
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Os Correios, enfrentando dificuldades financeiras e acumulando um prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre, abriram nesta quinta-feira (20) um novo período para adesão ao plano de demissão voluntária (PDV). Este programa é destinado a funcionários que atuam em unidades incluídas no processo de reestruturação da empresa, que prevê o fechamento de algumas agências.

No primeiro PDV do ano, apenas 3.181 trabalhadores aderiram, o que representa cerca de 32% da meta de 10 mil desligamentos definida pela diretoria, equivalente a 12% do total de funcionários. O prazo para novas inscrições termina em 30 de setembro. Os empregados que optarem pelo desligamento receberão um valor de incentivo financeiro que varia entre R$ 24,4 mil e R$ 459 mil, pago em parcela única no mês seguinte à saída da empresa.

Esses valores não serão tributados pelo Imposto de Renda nem terão descontado o FGTS, sendo calculados de acordo com a situação individual de cada participante.

Podem participar do PDV os funcionários que tenham trabalhado desde janeiro do ano passado em uma unidade afetada pela reestruturação, mesmo que atualmente estejam lotados em outra agência.

Informações detalhadas sobre a elegibilidade para o plano estarão disponíveis para os funcionários por meio do “Simulador Correios”. Nesse sistema, será possível conferir as condições, estimar o valor do incentivo, ler o regulamento e formalizar o pedido de adesão.

Em comunicado, os Correios ressaltaram que o PDV faz parte das estratégias de reestruturação e sustentabilidade da empresa, representando um novo ciclo no programa de desligamento voluntário.

“A medida foi pensada para responder às necessidades e especificidades decorrentes do processo de reestruturação da companhia”, afirmou o serviço postal.

No mês anterior, a direção dos Correios decidiu suspender três ações previstas no plano de reestruturação devido à ameaça de greve dos trabalhadores. Essas ações incluíam o fechamento de agências, a redução dos caixas e a implementação de um sistema para otimizar as rotas de entrega.

Além do PDV, o plano de reestruturação prevê a venda de imóveis e a revisão do plano de saúde dos funcionários.

Esse plano foi essencial para a obtenção de um empréstimo de R$ 12 bilhões, concedido por cinco bancos no final do ano passado, garantido pelo Tesouro Nacional.

Atualmente, a estatal negocia um segundo empréstimo de R$ 7 bilhões para dar continuidade às medidas do plano de recuperação.

O governo estuda incluir no orçamento de 2027 um aporte inferior a R$ 6 bilhões para os Correios. Caso isso ocorra, o valor será menor do que o previsto no contrato com os bancos que liberaram o empréstimo anterior.

Essa quantia poderia ser complementada ao longo de 2027 por meio de cortes em outras áreas, sem violar o contrato, mas essa possibilidade enfrenta resistência dentro do governo devido às cláusulas contratuais.

Na quinta-feira, a federação dos trabalhadores dos Correios, Fentect, promoveu manifestações em frente ao Palácio do Planalto e ao Ministério da Gestão e Inovação, protestando contra a proposta de reajuste salarial de 0,87%.

A categoria se opõe à reestruturação apresentada pelo governo do presidente Lula e informou que, se não houver acordo até 10 de setembro, os funcionários entrarão em greve.

Além disso, os trabalhadores pedem a saída de Emmanoel Schmidt Rondon, presidente da empresa, e de Natália Mota, diretora do departamento de Gestão e Pessoas.

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