GUILHERME MATOS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) vai decidir às 13h30 desta segunda-feira (21) sobre a greve nacional dos trabalhadores dos Correios, que começou no dia 10. A empresa pediu na Justiça, logo após o início da paralisação, que a greve seja considerada abusiva e que os serviços continuem funcionando normalmente. Agora, o tribunal vai analisar se a greve é legal e as demandas dos trabalhadores. O ponto principal de discordância é sobre o plano de saúde dos funcionários, aposentados e seus dependentes.
A Justiça já exigiu, em decisão provisória, que 80% dos trabalhadores devam estar presentes em cada unidade dos Correios durante a greve. Mesmo assim, há reclamações de consumidores e pequenos comerciantes que tiveram suas encomendas atrasadas, sem atualizações nos sistemas de rastreamento e pedidos de reembolso do frete.
Douglas Melo, diretor do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo e região e da Federação dos Trabalhadores dos Correios, diz que o sindicato continua aberto para negociar, mas que a empresa optou pela via judicial desde o começo. “Solicitamos a retomada das negociações, mas a empresa não quer dialogar”, afirmou.
Os Correios não responderam aos pedidos de entrevista nesta sexta (18). A empresa afirmou que as agências seguem abertas e operando normalmente, com o apoio de servidores administrativos e mutirões de entrega para manter o fluxo e minimizar impactos aos clientes. Em comunicado divulgado na semana passada, a empresa respeita o direito à greve, mas considera o momento delicado.
Douglas Melo explica que a única reivindicação da categoria é manter o modelo atual do plano de saúde. “Não temos divergências nas outras cláusulas”, garantiu.
A reforma no plano de saúde faz parte de uma reestruturação dos Correios: atualmente, a empresa é responsável principal pelo financiamento do plano de saúde dos trabalhadores, assumindo os riscos financeiros. A proposta da empresa é mudar para um modelo de patrocinador, que não assume esses riscos, o que implicaria em aumento dos descontos no salário dos funcionários.
O plano de saúde já foi motivo de conflito na greve do final de 2025, quando o TST manteve os direitos dos trabalhadores. No entanto, a direção dos Correios recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), que em janeiro suspendeu quatro cláusulas do acordo, incluindo a do plano de saúde. Nesta sexta-feira, o STF começa a julgar o mérito dessas cláusulas, com decisão até o dia 25.
A greve ocorre em meio à grave crise financeira dos Correios. A empresa teve prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre e solicitou garantia do Tesouro Nacional para obter um empréstimo de R$ 7 bilhões com bancos privados, como parte de seu plano de recuperação financeira.
Conforme publicado pela Folha, os Correios pediram essa garantia para o Tesouro a fim de conseguir o crédito. A empresa já tomou um empréstimo de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025 e espera receber mais R$ 6 bilhões da União em 2027.
Com baixa adesão na rodada anterior, os Correios abriram no final de agosto um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV) para trabalhadores das unidades afetadas pela reestruturação, que prevê fechamento de algumas lojas.
