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quinta-feira, 05/03/2026

Consumo cresce devagar e sobe 1,3% no PIB de 2025 por causa dos juros altos

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Em Brasília

LEONARDO VIECELI E EDUARDO CUCOLO
RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O consumo das famílias brasileiras cresceu 1,3% em 2025 em relação ao ano anterior, uma desaceleração em comparação com o avanço de 5,1% registrado em 2024, quando foi um dos motores do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Esse é o pior desempenho desde a queda de 4,6% em 2020, causada pela pandemia.

O IBGE divulgou nesta terça-feira (3) os números do PIB para 2025. Segundo o instituto, a desaceleração do consumo mostra o efeito negativo da política de juros altos. Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, explicou que as famílias acumularam um nível recorde de dívidas no ano passado, o que também prejudica o consumo.

Apesar disso, o país segue em recuperação no mercado de trabalho, com desemprego em níveis historicamente baixos e renda em alta. Esses fatores, junto com o aumento do crédito e os programas governamentais de transferência de renda, ajudaram a manter o crescimento do consumo.

No último trimestre de 2025, o consumo das famílias ficou praticamente parado, após ter recuado 0,1% no trimestre anterior.

O custo elevado do crédito, devido à taxa básica de juros (Selic) que está em 15% ao ano desde junho de 2025, dificulta a compra de bens e serviços e reduz os investimentos produtivos.

O investimento também desacelerou, passando de um crescimento de 6,9% em 2024 para 2,9% em 2025. O IBGE aponta que apesar do aumento nas importações de máquinas, no desenvolvimento de softwares e na construção, houve queda na produção interna de máquinas e equipamentos.

A taxa de investimento foi de 16,8% do PIB em 2025, levemente abaixo dos 16,9% de 2024.

O PIB pelo lado da demanda é formado pelo consumo das famílias, investimentos, exportações, importações e consumo do governo.

O consumo do governo cresceu 2,1% em 2025, praticamente igual ao crescimento de 2% registrado em 2024.

As exportações cresceram 6,2% em 2025, acima dos 2,8% de 2024, enquanto as importações aumentaram 4,5%.

Parte das exportações do Brasil foi afetada pelas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, levando os exportadores a buscar novos mercados além dos Estados Unidos.

Além disso, 2025 foi um ano recorde para a safra de grãos. A pauta exportadora brasileira é fortemente baseada em commodities como a soja, principal produto agrícola do país.

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