MARCOS HERMANSON
FOLHAPRESS
A consultoria de investimentos Crédito e Mercado, que prestava serviços para o fundo de previdência dos servidores públicos de Maceió, foi acusada pela Polícia Federal de agir para beneficiar a compra de R$ 97 milhões em letras financeiras do Banco Master. A decisão foi assinada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).
O ministro determinou o bloqueio dos bens de Renan Calamia, presidente da empresa, e autorizou uma busca e apreensão na sede da consultoria em São Paulo.
Segundo a decisão, a investigação aprofundada vai esclarecer se a consultoria atuou apenas como assessora independente ou se houve uma ação conjunta para favorecer o Banco Master.
A Crédito e Mercado, em nota, negou ter assumido ou substituído qualquer responsabilidade administrativa do Iprev Maceió, garantindo que não participou do credenciamento do Banco Master, não formalizou documentos das operações, não analisou os investimentos, não emitiu pareceres, nem recomendou as aplicações financeiras, e também não movimentou recursos do fundo.
A operação realizada pela Polícia Federal também incluiu a sede do Iprev e antigos dirigentes do fundo que participaram das decisões de investimento. O trabalho foi feito em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em investigação sobre possível gestão fraudulenta.
A Polícia Federal relatou que a consultoria teria assumido funções do próprio instituto de previdência para viabilizar os investimentos no Banco Master, incluindo condução do credenciamento e análise dos documentos, o que pode indicar uma terceirização indevida das responsabilidades do instituto.
A consultoria já foi investigada na Operação Rebote, que apurou irregularidades no fundo de previdência de Campos dos Goytacazes em 2023, e seu presidente, Renan Calamia, foi condenado por má gestão de investimentos do Iprev de Santo Antônio de Posse (SP).
A Crédito e Mercado reafirmou que não direcionou os investimentos e que se limita a elaborar pareceres técnicos. Sobre a situação jurídica de Renan Calamia, a empresa destacou que vai apresentar a documentação completa para esclarecer os fatos.
Conforme esclarecido pela consultoria, a única participação de Renan Calamia em reunião relacionada ao caso foi remota, para uma apresentação econômica, e que ele se retirou antes das decisões do instituto, fato não registrado claramente na ata da reunião.
Além dos fundos de Maceió e Santo Antônio de Posse, a Crédito e Mercado prestava serviço a outros cinco institutos de previdência que adquiriram letras financeiras do Banco Master sem garantias, somando cerca de R$ 122 milhões em operações.
Em seu pedido ao ministro, a Polícia Federal destacou que a busca nas residências de Renan Calamia e na sede da consultoria pode revelar diversos documentos importantes para a investigação, como relatórios internos, contratos, notas fiscais, critérios de remuneração, bases de clientes, comunicação com representantes do Banco Master, instruções para gestores do Iprev e registros contábeis.
A Crédito e Mercado afirmou que está colaborando totalmente com as investigações e que fornecerá toda documentação necessária para esclarecer as responsabilidades de cada envolvido.
