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segunda-feira, 09/03/2026




Confusão em ato do vereador Lucas Pavanato na USP deixa estudante ferido

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Em Brasília

BRUNO LUCCA
FOLHAPRESS

O vereador de São Paulo, Lucas Pavanato (PL), esteve na Universidade de São Paulo (USP) na tarde desta quarta-feira (4). A visita terminou em um tumulto, com alunos e membros da equipe do político machucados. Um aluno de graduação precisou ser levado ao hospital com suspeita de lesão no tendão de Aquiles.

Pavanato instalou uma barraca na praça do relógio, no centro da Cidade Universitária, no bairro do Butantã, zona oeste. O estande tinha uma placa que dizia ‘aborto é assassinato’. Segundo ele, a intenção era conversar com os estudantes sobre o assunto.

Estudantes reagiram ligando uma caixa de som e começaram a gritar ‘recua fascista, recua’ para o vereador, que estava acompanhado por apoiadores e seguranças armados. Logo, iniciou-se a confusão.

Segundo relatos dos alunos, a equipe de Pavanato os agrediu, usando até spray de pimenta. Os estudantes revidaram, e o vereador entrou em um carro para deixar o campus.

Nesse momento, conforme relatos, um estudante colocou sua bicicleta na frente do veículo. Ele teria sido empurrado e sofreu socos e chutes de um grupo de pelo menos cinco pessoas, precisando ser hospitalizado.

Outros alunos sofreram cortes e hematomas. A Polícia Militar foi chamada e orientou que todos fizessem boletins de ocorrência.

Em entrevista à Folha, Pavanato disse que foi ao campus para dialogar e que sua equipe agiu em legítima defesa, pois foi agredida. Ele afirmou que uma garrafa foi quebrada em sua cabeça e que um líquido foi jogado em sua boca, causando ardor. Relatou ainda que pedras e pedaços de pau foram lançados, seu carro foi danificado e equipamentos foram furtados.

Uma vereadora do interior, que o acompanhava, teria sido agredida por um homem. A ocorrência será registrada, segundo o mandato.

Pavanato justificou a presença dos seguranças armados como necessária, já que recebeu várias ameaças de morte, inclusive no Twitter, algumas vindas de alunos da USP.

A universidade emitiu nota repudiando todo tipo de violência que restrinja o direito à liberdade de opinião dentro dos limites do respeito e da convivência democrática.

A reitoria destacou que a USP é um espaço para debates variados, onde diferentes opiniões podem ser expressas, respeitando princípios de respeito mútuo e democracia.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre da USP declarou compromisso com a defesa da universidade pública e o combate à extrema direita. O DCE classificou Lucas Pavanato como um provocador que usa dinheiro público para atacar estudantes, e afirmou que ele não é bem-vindo na universidade.

Antes de ir ao Butantã, Pavanato esteve na Faculdade de Direito, no centro da cidade, para o mesmo tipo de ato, onde os estudantes optaram por ignorá-lo.

Histórico

Em 2025, militantes do grupo União Conservadora e o vereador Lucas Pavanato visitaram o campus da USP oito vezes. O local mais visado é a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).

De acordo com estudantes, esses eventos costumam ocorrer quando políticos e militantes entram na Cidade Universitária com câmeras e celulares para gravar vídeos e gerar provocações, com o objetivo de criar narrativas contra o ensino público superior.

Na época, a reitoria comandada por Gilberto Carlotti Júnior reforçou a segurança do campus e acionou a Secretaria de Segurança Pública do estado.




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