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domingo, 15/03/2026




Conflito no Oriente Médio eleva renda fixa e afeta bolsas

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MATHEUS DOS SANTOS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A crise no Oriente Médio tem gerado mudanças no comportamento dos investidores em todo o mundo. Com o aumento da insegurança, as Bolsas e investimentos em renda variável têm sofrido quedas, enquanto aplicações consideradas mais seguras ganham preferência.

Títulos públicos do Brasil e dos Estados Unidos estão mais valorizados devido ao receio de que o conflito cause alta da inflação global. O dólar voltou a ser buscado como moeda refugio pelos investidores.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes, subiu 2,55% desde o início do conflito, enquanto acumulava queda de 0,72% em 2026 antes da crise.

Guilherme Almeida, líder de renda fixa da Suno Research, explica que em momentos de dúvida os investidores preferem aplicar em ativos mais seguros, como os títulos do governo americano, as Treasuries, e no Brasil, títulos de renda fixa de alta liquidez e baixo risco. As ações, por sua vez, tendem a cair nesses períodos.

A recomendação é investir em títulos que acompanham a inflação, como os indexados ao IPCA, que pagam juros prefixados ou pós-fixados, como Tesouro Selic e CDBs.

Esses títulos vinculados ao IPCA ajudam a manter o poder de compra do investidor quando a inflação sobe, mas os vencimentos mais longos podem sofrer perdas se vendidos antes do prazo devido à variação de preço do mercado.

Guilherme Almeida destaca que, numa visão de médio a longo prazo, títulos atrelados à inflação são interessantes, pois protegem contra aumento nos preços e oferecem juros reais elevados.

Também há benefícios nos títulos pós-fixados, que seguem índices como CDI ou Selic e apresentam menos variação de preço, ajudando a guiar a volatilidade da carteira.

A valorização da renda fixa está ligada à alta do petróleo, que subiu depois do bloqueio do estreito de Hormuz, perto do Irã, por onde passa uma parte significativa da produção mundial do combustível.

Se o preço do petróleo continuar alto por causa do conflito, a inflação global pode subir, obrigando os bancos centrais a manter as taxas de juros elevadas, o que favorece a renda fixa.

No Brasil, economistas já consideram que o Banco Central pode manter a taxa básica de juros em 15% em pelo menos mais uma reunião. O último Boletim Focus já indicou uma previsão maior para a Selic, subindo para 12,13% ante 12% previsto antes.

Nos Estados Unidos, as projeções indicam que o Federal Reserve deve manter os juros entre 3,5% e 3,75% na próxima reunião, com alta chance de estabilidade em reuniões futuras até junho. A partir de julho, há alguma chance de redução.

Luan Aral, especialista em câmbio e analista CNPI-P da Genial Investimentos, comenta que o cenário deverá manter altos os rendimentos dos títulos americanos, atraindo recursos para os EUA, o que pode pressionar a moeda brasileira e os juros domésticos.

BOLSAS CAEM NO MUNDO, MAS SETOR DE ENERGIA SE DESTACA

A guerra no Irã também tem impactado as bolsas de valores globalmente. No Brasil, o Ibovespa acumulava alta de 11% no ano, mas perdeu cerca de 5% depois dos ataques ao Irã, com queda de 16% antes do conflito.

Nos Estados Unidos, bolsas como Nasdaq e S&P 500 caíram 2,99% e 1,53%, respectivamente, desde o início da crise. Na Europa, o Euro Stoxx 600 caiu 5,58% e na Ásia, a bolsa de Seul teve uma queda histórica de 12%.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirma que em guerras, especialmente no Oriente Médio, as bolsas tendem a cair e o dólar a subir, pois investidores buscam segurança.

Os setores de energia e defesa são exceções. Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, setores defensivos como saúde, consumo básico e infraestrutura podem se beneficiar em tempos de incerteza.

No setor de energia, ações ligadas ao petróleo, como as da Petrobras, têm valorizado. A ação preferencial da companhia acumula alta de 12,6% impulsionada pelo preço do petróleo.

Luan Aral alerta para a volatilidade do setor, pois mudanças no conflito ou declarações importantes podem inverter a tendência.

Ele aconselha cautela, recomendando que investidores protejam seu capital antes de aumentar exposição ao setor de energia em momentos tensos.




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