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quarta-feira, 04/03/2026

Conflito no Irã divide Brics e países árabes sofrem retaliação

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Em Brasília

O grupo Brics, formado por países do Sul Global, está dividido e sem um posicionamento conjunto sobre o ataque ao Irã e a retaliação que atingiu países árabes no Oriente Médio.

Entre os afetados estão os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, que fazem parte da expansão do Brics, além de outros países que mantêm relações com o grupo, como o Catar. Assim, o conflito regional iniciado por ataques dos Estados Unidos e Israel continua sem uma resposta unificada do Brics.

Essa divisão é diferente do que aconteceu em junho de 2025, quando todos os 11 países do Brics demonstraram apoio conjunto após o ataque combinado de Israel e Estados Unidos contra instalações nucleares no Irã. Naquele momento, o Irã respondeu ao ataque, e o conflito durou 12 dias, mas não houve ataques em outros países do Golfo.

Hoje, o Brics não se reuniu para discutir ou emitir um comunicado conjunto, devido às tensões entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, o que torna difícil alcançar um consenso. Um encontro emergencial sequer foi considerado.

Como os países árabes foram atacados e o Brics decide por consenso, os ataques iranianos impedem uma declaração ou reunião unificada.

O Irã afirma que seus ataques se dirigem apenas a bases militares e locais com presença de forças americanas e seus aliados, alegando legítima defesa. Os Estados Unidos, por sua vez, estão retirando pessoal de embaixadas nos países afetados. Drones já atingiram a embaixada americana em Riade e o consulado em Dubai.

O Irã também atacou instalações de aliados israelenses em vários países da região.

Na época do conflito de 12 dias, sob presidência brasileira do Brics, foi emitido um comunicado conjunto expressando preocupação com os ataques militares ao Irã e condenando a destruição das instalações nucleares, em um gesto de apoio político ao Irã.

Durante a cúpula do Brics realizada no Rio de Janeiro, o Irã pediu que o documento mencionasse explicitamente Israel e Estados Unidos como responsáveis pelos ataques, além de termos mais duros contra Israel. No entanto, países com relações próximas a Israel e EUA, incluindo Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, impediram um tom mais agressivo.

Reunião adiada

Atualmente presidido pela Índia, o Brics não convocou uma reunião emergencial para tratar do conflito. Na verdade, a Índia cancelou um encontro financeiro programado para março, devido às tensões e riscos de segurança na região.

Um diplomata brasileiro sofreu com a falta de unidade política no grupo, um problema antecipado com a expansão do bloco em 2023, pressionada por países como China e Rússia. O Brasil tentou conter essa ampliação, mas acabou isolado.

Agora, é ainda mais difícil obter uma posição comum, diante dos interesses conflitantes no grupo.

O presidente Lula e seus interlocutores ressaltam que o Brasil mantém uma posição única de condenação clara dos ataques e que a divisão interna do Brics é evidente, dificultando qualquer articulação conjunta.

Posições de Pequim, Moscou e Pretória

China e Rússia apoiam politicamente o Irã e condenaram o assassinato de líderes iranianos, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, mas não prometeram apoio militar. Moscou descarta envolvimento militar fora de seu país, focando na campanha na Ucrânia e buscando proteger seus interesses em relação aos EUA.

O porta-voz de Vladimir Putin, Dmitri Peskov, afirmou que o Brics não tem obrigações de assistência mútua em caso de agressão armada e que não há contatos dentro do grupo sobre o Irã.

A África do Sul, chocada com os EUA e Israel, expressou profunda preocupação com a escalada no Oriente Médio. O presidente Cyril Ramaphosa destacou os riscos à paz e segurança globais, criticando a ação militar preventiva e reforçando que a legítima defesa só é válida diante de invasão armada real, segundo o direito internacional.

Posição da Índia

A Índia, atual líder do Brics, tem uma posição complexa. Dialogou apenas com os países árabes mais próximos, que foram alvo dos ataques iranianos. Condenou firmemente os ataques a Dubai, mas não comentou o assassinato do líder supremo Khamenei.

O primeiro-ministro Narendra Modi visitou Israel antes dos ataques e ligou para o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu pedindo cessar imediata das hostilidades. Depois conversou por telefone com líderes do Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã, Jordânia, Arábia Saudita e Bahrein.

Periasamy Kumaran, secretário de Ásia do Ministério das Relações Exteriores da Índia, disse que Modi defende diálogo e diplomacia e pediu que civis não sejam alvo dos ataques.

Segundo ele, a Índia pediu contenção, evitamento da escalada e proteção aos civis, além de respeitar soberania e integridade territorial dos países.

O contato político com Teerã ficou restrito a um telefonema entre os chanceleres S. Jaishankar e Seyed Abbas Araghchi.

O Ministério das Relações Exteriores da Índia também informou que está preocupado com os cerca de 10 milhões de indianos na região do Golfo, muitos dos quais foram afetados pelos ataques recentes.

A Índia destacou sua oposição a ataques à frota comercial e manifestou contato com governos da região e outros parceiros, ressaltando que perdas já foram registradas entre cidadãos indianos.

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