O desejo de ter uma casa própria está crescendo entre os brasileiros em 2026. Um estudo da Brain Inteligência Estratégica mostra que 49% da população planeja comprar um imóvel nos próximos meses, número maior que o registrado em 2025. A intenção de compra também cresceu entre os jovens da Geração Z, que aumentou de 49% para 59% no ano passado.
No Distrito Federal, o mercado imobiliário segue essa tendência nacional. A Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF) informou que foram vendidas 1.250 unidades pelas empresas associadas, que reúnem mais de 50 construtoras e incorporadoras. Isso representa um crescimento de 27% em comparação ao ano anterior.
Para o presidente da Ademi-DF, Celestino Fracon Júnior, o sonho da casa própria faz parte da cultura do Brasil. “Ter a casa própria dá mais qualidade de vida e segurança. Além disso, é um investimento seguro e com retorno garantido”, afirma.
Ele também destaca que mudanças no trabalho influenciam o comportamento dos compradores. “O trabalho híbrido e remoto fez com que a casa própria se tornasse importante não só para a vida pessoal, mas também para a profissional”, explica.
Bairros como Noroeste, Ceilândia, Planaltina e Samambaia estão entre os mais procurados no Distrito Federal, devido à necessidade de moradia, investimento e maior oferta de imóveis nessas regiões.
Jamil Lessa, sócio-fundador da incorporadora Mirante, destaca que os compradores estão mais exigentes e procuram imóveis que combinem com seu estilo de vida, buscando espaços para convivência e conforto.
Geração Z no mercado
A Geração Z, formada por jovens nascidos entre 1997 e 2012, tem um papel importante nesse crescimento. Eles buscam autonomia financeira e um imóvel que tenha a ver com sua identidade.
Jamil Lessa comenta que esses jovens querem mais do que um imóvel; eles valorizam transparência, conexão digital e projetos que reflitam seus valores.
Segundo a pesquisa, 72% das compras são para morar, motivadas pelo desejo de sair do aluguel e ampliar espaço.
Eryka Ribeiro, designer gráfica de 23 anos, e seu namorado compraram seu primeiro imóvel pensando na localização próxima ao trabalho e às famílias, além do desejo de ter mais privacidade.
A residência, localizada no Itapoã Parque, também é vista por eles como um investimento, esperando valorização pelo proximidade ao Plano Piloto.
Comprador mais cuidadoso
Cláudio Werneck, corretor com 25 anos de mercado, observa que os compradores agora pesam a valorização, sustentabilidade e fazem pesquisas digitais antes de visitar um imóvel.
O alto custo dos aluguéis tem levado muitas famílias a optarem pela compra financiada, que pode ser mais vantajosa financeiramente.
A Geração Z valoriza prédios conectados, com espaços compartilhados e localizações que facilitem deslocamentos.
Bairros como Águas Claras, Guará, Jardim Botânico, Noroeste e Park Sul são os preferidos por oferecerem mobilidade, infraestrutura, áreas verdes e serviços, atraindo principalmente o público jovem.
O grande desafio permanece sendo o acesso ao crédito e o valor da entrada exigida pelos bancos, apesar disso, o imóvel continua sendo visto como investimento seguro.
Apoio profissional
Andressa Gomes, coordenadora do Grupo Santa, decidiu comprar o apartamento onde morava de aluguel, após organizar sua vida financeira e conseguir financiamento com a Caixa Econômica Federal.
Ela destaca que as parcelas cabiam no orçamento, trazendo segurança, e que o imóvel foi adquirido pensando em qualidade de vida e segurança financeira.
Gisele Bernardes Guedes, corretora do DF desde 2006, afirma que muitas famílias buscam sair do aluguel e garantir conforto e estabilidade, acelerando a decisão de compra diante da valorização dos imóveis.
Ela ressalta que o suporte do profissional imobiliário é essencial para facilitar a negociação e os trâmites burocráticos.
Programa Minha Casa Minha Vida
Em abril, o programa Minha Casa Minha Vida atualizou suas regras, aumentando os limites de renda para até R$ 13 mil mensais e o valor dos imóveis para até R$ 600 mil.
As alterações tornam possível a compra de imóveis maiores e melhor localizados, com taxas de juros menores que as do mercado tradicional.
O governo federal estima que pelo menos 87,5 mil famílias serão beneficiadas com essas novas condições.
